China prende três cidadãos canadenses em suposta retaliação a caso Huawei

Por Felipe Demartini | 21 de Dezembro de 2018 às 11h29
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Três cidadãos canadenses foram presos ao longo das últimas semanas em uma suposta retaliação chinesa ao caso Huawei. O governo do país asiático anunciou a detenção do empresário Michael Spavor e do ex-diplomata Michael Kovrig, ambos acusados de ameaçarem a segurança nacional, enquanto uma mulher, cuja identidade não foi revelada, foi detida por trabalhar ilegalmente em território chinês.

O ataque aos cidadãos foi citado como inaceitável pelo primeiro ministro canadense Justin Trudeau, que pediu cuidado à China e disse que não vai ceder às pressões do país. Ele exigiu a libertação imediata dos três detidos, em um caso que acirra ainda mais a crise diplomática entre as nações que começou no início de dezembro com a prisão de Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei.

Ela foi detida em Vancouver enquanto fazia uma conexão de uma viagem internacional a trabalho e, agora, aguarda extradição para os Estados Unidos. Ela é acusada de utilizar bancos fantasmas e empresas de fachada para negociar com a Coreia do Norte e o Irã, países alvo de fortes sanções do governo americano, com negociações proibidas para qualquer companhia que tenha sede nos EUA.

A fabricante e o governo chinês negam qualquer tipo de associação desse tipo e pedem a soltura imediata de Wanzhou. Enquanto isso, o Canadá tenta se eximir de responsabilidade direta sobre o caso, afirmando não estar envolvido na briga comercial entre EUA e China, tendo apenas agido contra a executiva a pedido do país vizinho, com o qual tem sólidos acordos de cooperação, principalmente no campo legal.

Falando novamente sobre tais questões, Trudeau respondeu às críticas de que não estaria agindo de forma firme o bastante sobre o caso, afirmando que declarações na imprensa e postura política não necessariamente serão de muita ajuda. Pelo contrário, ele acredita que bravatas podem até mesmo dificultar a questão e disse preferir seguir o caminho da cautela, da seriedade e da diplomacia.

O primeiro ministro disse que a maior prioridade do governo canadense, agora, é garantir que seus cidadãos cheguem ao país sãos e salvos. Além disso, ele está em contato com o governo chinês para obter informações, principalmente, sobre a prisão da mulher, que seria um caso bem diferente dos dois homens detidos na última semana. Ela seria uma professora de inglês e estaria com documentação irregular, impedindo sua permanência no país.

Apesar de a imprensa internacional firmar uma relação entre os dois casos e o próprio governo chinês, ao falar sobre o assunto, sempre ligar as detenções à prisão da executiva da Huawei, o Canadá evita estabelecer essa conexão, principalmente no caso de Spavor e Kovrig. Por se tratar de uma questão supostamente relacionada à segurança nacional chinesa, o governo evita comentar o caso e pede, apenas, esclarecimentos e uma resolução rápida da questão.

Informações extraoficiais indicam que reuniões sobre os detentos já teriam sido realizados entre os ministérios das relações exteriores dos dois países. O Canadá, entretanto, estaria tentando ganhar tempo com essa manobra, pois mesmo com a presença de Wanzhou no país, não tem a autonomia para libertá-la justamente por causa do acordo de extradição com os EUA.

A diretora financeira da Huawei permanece em território canadense, onde teve seu passaporte retido para que não deixe o país. Ela foi libertada após pagamento de fiança e aguarda em Vancouver por uma possível extradição para os EUA. Por conta das festas de final de ano, o processo pode acabar se alongando e previsões menos otimistas indicam que a disputa pode ser resolvida apenas em fevereiro. A fabricante nega todas as acusações.

Em um de seus poucos comentários sobre o caso, o presidente americano Donald Trump afirmou que poderia intervir caso isso seja do interesse de seu país, em relação à disputa comercial com a China. A fala levou a mais um pedido de cautela por parte de Trudeau, que pediu que os EUA não transformem em política um caso de extradição que levou à crise diplomática entre dois países.

A última crise desse tipo entre China e Canadá aconteceu em 2014, quando um casal, dono de uma cafeteria no país asiático, foi detido nas proximidades da fronteira entre a China e a Coreia do Norte. Julia Garratt foi libertada após alguns dias e deportada para seu país de origem, enquanto o marido, Kevin, foi indiciado por espionagem e roubo de segredos de estado, permanecendo preso por dois anos antes de retornar para casa. Novamente, o caso estaria relacionado à prisão de um executivo no Canadá a pedido de autoridades americanas.

Fonte: Reuters, BBC

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