CEO da Red Hat Brasil prevê crescimento, mas luta contra complexo de virabrequim

Por Rafael Romer | 12 de Outubro de 2015 às 11h35
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O presidente da Red Hat Brasil, Gilson Magalhães, não economiza no uso de metáforas para falar sobre o atual momento da companhia de soluções de software open source no Brasil. Em entrevista ao Canaltech durante o Red Hat Fórum Brasil, o executivo proferiu um comentário inusitado para falar sobre uma das dificuldades da empresa por aqui: o complexo de virabrequim.

O virabrequim, ou girabrequim, conforme Magalhães explica, é uma das peças fundamentais para colocar em movimento qualquer carro, transformando esse movimento de pistões em rotação do eixo. Mas apesar de sua importância, a peça nunca é lembrada por ninguém da hora de se decidir por um veículo. A alusão está feita: assim como o virabrequim, o presidente da Red Hat no Brasil defende que sua empresa ocupa um lugar essencial em arquiteturas de software de código aberto, mas quase nunca é lembrada pelo mérito.

E comunicar sua importância dentro de arquiteturas de TI é uma missão importante para a Red Hat atualmente, que está vendo no mercado brasileiro novas possibilidades de crescimento neste e no próximo ano. A empresa não abre números, só que cresceu no primeiro e segundo trimestre e deve fechar a meta esperada para o ano, mas afirma que 2015 foi de mais "oportunidades" para entrar em contato com clientes que não pensavam na Red Hat em cenários econômicos mais positivos.

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"Quando tudo está bem e as empresas estão em velocidade de cruzeiro, não mudam nada. Mesmo que esteja custando caro, está tudo em ordem. E é muito difícil para uma empresa disruptiva chamar a atenção de alguém, e é o nosso problema que não há crise", comentou Magalhães. "Quando a gente percebe que as empresas questionam modelos atuais por, por exemplo, custo, nesse momento nós somos ouvidos".

No ano passado, a companhia realizou sua primeira edição do Red Hat Fórum no Brasil, uma versão nacional do seu evento global mais importante, o Red Hat Summit. Na ocasião, um dos focos da discussão foi a estratégia e aposta da organização na busca pela liderança no desenvolvimento e ganho de mercado com plataforma open source de nuvem, o OpenStack. A comunicação do OpenStack era um dos desafios enfrentados pela empresa, que tem uma aposta global no sistema operacional, mas também precisa convencer o mercado de que a tecnologia tem o suporte necessário para enfrentar estruturas de grandes corporações.

Ao lado framework OpenShift, os projetos de OpenStack são parte importante do negócio da empresa no Brasil, e podem empurrar um crescimento expressivo da Red Hat em território nacional. Gilson afirma que a companhia já tem 30 projetos de implementação ou provas de conceito de OpenStack no país, em setores como finanças, seguradoras e data centers. Destes casos, só a implementação do data center do UOL Diveo é aberta hoje.

O executivo não revela os nomes de clientes, mas diz que alguns dos negócios de OpenStack têm potencial dobrar ou triplicar o crescimento da operação da Red Hat no país caso sejam confirmados. Por enquanto, Magalhães afirma que a companhia já aumentou em 10% seu número de colaboradores no último ano, e prevê um crescimento no mínimo semelhante para este ano, conforme a empresa precisa suportar mais clientes por aqui. "Muita gente está cortando, mas a gente segue crescendo", explicou. "Principalmente a área de serviços, que pode crescer muito mais, na estrutura comercial e de suporte".

Reagir a esse crescimento rápido, no entanto, pode ser um desafio, segundo o executivo. Por aqui, as contratações ainda esbarram em uma falta de mão-de-obra qualificada em áreas como cloud e OpenStack, o que tem motivado a empresa até a trazer alguns profissionais do exterior para suportar o crescimento por aqui. "Linux é uma coisa boa, mas já está consolidado", comenta. "Mas hoje para estudantes e quem quer crescer está no midware, para criar valor para as empresas, mas principalmente cloud e OpenStack. São muitos projetos".

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