CEO da EMC Brasil diz que integração com Dell manterá inovação em longo prazo

Por Rafael Romer | 24 de Novembro de 2015 às 17h58

Para o presidente da EMC Brasil, Carlos Cunha, a integração da empresa com a compradora Dell deverá acabar com um possível risco da EMC ficar para trás em termos de portfólio e mercado no longo prazo.

Apesar dos recentes números positivos apresentados pela organização, o executivo avalia que a EMC poderia ter dificuldades nos próximos dez anos para expandir a sua oferta de produtos e serviços, nível de mercado e ao mesmo tempo manter o investimento em inovação. "No longo prazo, nós teríamos que investir muito em mercado e portfólio, o que iria tirar uma parte do investimento em aquisições e novas pesquisas", afirmou.

Com a aquisição pela Dell, no entanto, a empresa deve ganhar uma nova musculatura em pesquisa e desenvolvimento, já que parte do lucro da EMC, que antes era repassado para acionistas, agora poderá ser investido no setor. Já a empresa passará a ter o capital fechado, assim como a Dell. "Coloca-se no mercado uma preocupação em relação ao orçamento quando uma empresa vira privada, mas o poder de fogo [para pesquisa] aumenta se a empresa quiser", opinou.

Detalhes sobre a integração das duas empresas ainda não são comentados, já que ambas permanecem no período apelidado de "Go Shop", no qual outras empresas ainda poderiam fazer ofertas de compra para atuais acionistas da EMC — ainda que nenhum movimento desse tipo seja esperado. O silêncio sobre o tema deverá seguir até o próximo sábado (12), quando as primeiras informações oficiais da integração devem começar a aparecer.

No meio tempo, o presidente da EMC Brasil avalia que a sinergia entre os produtos e capacitação das duas organizações deverá ser um dos principais pontos positivos após a integração, que deve começar no final do segundo trimestre de 2016. "Todos sabem que a Dell é competente entre pequenas e médias empresas (PMEs) e era nosso melhor parceiro para esse mercado. Em contrapartida, a parte enterprise é o que nós mais sabemos fazer", comentou. "Há uma sinergia de produto e cobertura de mercado".

Segundo uma indicação do próprio CEO da Dell, Michael Dell, durante o anúncio da aquisição da EMC, a companhia deverá continuar sua estratégia no setor enterprise mesmo após a integração. Do total de receitas de US$ 80 bilhões que as empresas unidas apresentam, cerca de 40% — ou US$ 30 bilhões por ano — virão dessa unidade.

Mesmo sem detalhes sobre como a integração deverá ocorrer, Cunha avalia que o processo também deverá acontecer de forma tranquila pela sinergia e histórico de parceria das empresas. Entre 2005 e 2009, as duas organizações viveram um período de teste de uma parceria de ofertas, que foi encerrada por opção da própria Dell. De acordo com o executivo, hoje 85% do portfólio das empresas têm total integração — e em setores como Big Data e segurança, são complementares.

A dúvida que permanece, no entanto, é se a EMC deverá manter sua marca intacta sob a Dell — questões que são importantes para a organização no Brasil, que espera um mercado também difícil para o ano que vem.

Cunha avaliou 2015 como um ano "complicado" para EMC, que iniciou com ajustes internos para garantir a eficiência da empresa e não fechar no vermelho. Segundo o presidente, neste ano a EMC forneceu mais soluções financeiras do que técnicas para seus clientes. "Foi muito complicado garantir projetos e ao mesmo tempo manter a saúde financeira dos parceiros", afirmou.

Para 2016, a pespectiva é a mesma: um ano sem prejuízo, mas com desafios. Do lado positivo, a expectativa de estabilidade do câmbio — mesmo que alto — é tida como um fator benéfico para a empresa.

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