CEO da Cisco vê desafios econômicos do Brasil como questão "cíclica"

Por Rafael Romer | 12.07.2016 às 09:18
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

*De Las Vegas

Com menos de trinta dias para o início da Olimpíada no Rio de Janeiro, não há como negar que os olhos da gigante norte-americana Cisco estejam voltados para o Brasil - já que a companhia será umas das responsáveis por garantir o sucesso do evento com sua infraestrutura e soluções de rede. Mas isso não significa que executivos da empresa também não estejam atentos para o momento incerto pelo qual o mercado nacional passa.

Questionado sobre quais são as atuais geografias globais de maior interesse para a Cisco durante o evento global Cisco Live, o CEO da companhia, Chuck Robbins, indicou que mercados emergentes como China, Índia e México ainda são aqueles com maior oportunidade de negócio. Ao citar o Brasil, no entanto, o executivo reconheceu os desafios enfrentados pelo país e avaliou a situação como uma questão "cíclica".

"O Brasil está passando por diversos desafios no momento, mas nós absolutamente permaneceremos lá porque isso é uma coisa cíclica", comentou Robbins, comparando a dificuldade no mercado nacional a outros problemas "cíclicos" de altos e baixos - como a baixa enfrentada atualmente pela Europa depois da decisão do Reino Unido de deixar o bloco da União Europeia após o Brexit.

Para o executivo, países em desenvolvimento possuem, hoje, um alto potencial para a adoção de inovações em TI porque, em muitas ocasiões, não possuem um grande legado tecnológico ou de regulamentação, o que cria desafios em regiões com índices mais desenvolvidos. Essa característica faz com que projetos com aplicações tecnológicas e que promovem transformações sociais e econômicas tenham mais sucesso nessas regiões.

O Brasil é hoje uma das dez maiores operações do mundo para a Cisco, que investiu cerca de R$ 1 bilhão no país nos últimos anos para suportar seu negócio com infraestruturas como um centro de inovação local, no Rio de Janeiro. Durante a Olímpiada Rio 2016, a companhia será responsável pela infraestrutura massiva dos jogos, fornecendo conectividade para 183 instalações de suporte e 37 instalações da competição, com mais de 5 mil pontos de Wi-Fi e que devem gerar cerca de 170 mil horas de conteúdo em vídeo.

*O jornalista viajou a convite da Cisco