Células-tronco devolvem a visão para coelhos e seres humanos

Por Redação | 14 de Março de 2016 às 11h30
photo_camera Reprodução/Asymmetrex

Os estudos com célula-tronco ainda despertam alguma polêmica para algumas pessoas, mas muita gente vê nesse tipo de método a saída para a cura de uma série de doenças graves que acometem os seres humanos. Recentemente, duas pesquisas publicadas na revista Nature ganharam destaque no noticiário internacional, ambas envolvendo o uso de células-tronco para devolver a visão a cegos.

O primeiro caso é o de um projeto desenvolvido em conjunto pela Universidade de Cardiff, do Reino Unido, com a Universidade de Osaka, no Japão. Os pesquisadores cultivaram vários tipos diferentes de células, usando um deles para curar a cegueira induzida em coelhos de laboratório. No outro caso, ainda mais impressionante, pesquisadores da Universidade Sun Yat-sen, da China, e da Universidade da Califórnia em San Diego, dos Estados Unidos, usaram células-tronco na reconstrução do olho de crianças vítimas de catarata.

O projeto das instituições de Cardiff e Osaka utilizou um tipo de célula-tronco pluripotente, que pode ser colhido de um humano e então revertida a um estado a partir do qual pode desenvolver novamente para um variado número de células diferentes. “Esta pesquisa mostra que vários tipos de células-tronco humanas são capazes de assumir as características da córnea, do cristalino e da retina”, informou o coautor do estudo Andrew Quantock, da Universidade de Cardiff, em um comunicado divulgado no site da instituição. “E o mais importante, ela demonstra que um tipo de célula – o epitélio corneal – pôde ser cultivado em laboratório e então transplantado ao olho do coelho de modo funcional, alcançando a recuperação da visão”.

Cura da catarata em crianças

O feito mais impressionante, porém, veio da China. A parceria entre as instituições de ensino do país asiático e dos Estados Unidos resultou na restauração do olho e da visão de 12 crianças acometidas de catarata congênita. A doença, responsável por tornar o cristalino opaco, é a causa de mais da metade dos casos de cegueira no mundo e normalmente é tratada com o implante de uma lente artificial dentro olho. Entretanto, desta vez, ela foi curada por meio do implante de células-tronco no olho dos pacientes, resultando na reconstrução do cristalino danificado.

De acordo com os pesquisadores, todo o processo de reconstrução levou três meses para ser concluído. A meta dos cientistas é permitir que no futuro as células dos próprios pacientes sejam utilizadas para reconstruções como essa. “O grande objetivo da pesquisa com células-tronco é ativar o potencial regenerativo das próprias células-tronco de uma pessoa a fim de reparar órgãos e tecidos e também no tratamento de doenças”, afirma o diretor de oftalmologia genética na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, doutor Kang Zhang.

Fontes: Nature (1), Nature (2), Universidade de Cardiff, Universidade da Califórnia em San Diego

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