Carro sem motorista do Google ainda não sabe diferenciar ciclistas em movimento

Por Redação | 31 de Agosto de 2015 às 11h25
photo_camera Reprodução

Desde que anunciou o desenvolvimento de carros sem motorista, o Google - agora Alphabet - sempre destacou que a segurança é o principal fator levado em consideração pelos engenheiros da companhia. Mas conforme esses veículos circulam pelas ruas, no meio do tráfego de verdade, é que se percebe o quanto essa tecnologia precisa evoluir.

Prova disso é um caso recente na cidade de Austin, no Texas (Estados Unidos). Um ciclista contou ao jornal The Washington Post que parou em um cruzamento quando se deparou com um dos automóveis autônomos da gigante das buscas logo à sua frente. Ao farol dar sinal verde, como o carro estava adiante, ele tinha preferência de passagem, até que algo inusitado aconteceu: o veículo não conseguiu identificar o ciclista atrás e, confuso, o carro não sabia se avançava o sinal ou freava bruscamente.

Ao que parece, os carros do Google ainda não sabem diferenciar com precisão quando o usuário está parado ou em movimento em sua bike. No caso do ciclista, ele disse que, enquanto esperava o semáforo abrir, praticava o chamado "track stand", uma manobra na qual o condutor mantém a bicicleta parada na posição vertical e tenta manter o equilíbrio sem tirar os pés do pedal.

Vários vídeos no YouTube ensinam como fazer o track stand. Funciona assim:

Geralmente, essa manobra requer que o usuário se movimente para frente e para trás para não cair da bicicleta e a posição do condutor é quase a mesma se ele estivesse de fato andando na "magrela". Como o ciclista fazia pequenos movimentos mesmo sem sair do lugar, o carro não soube entender essa ação e por isso não pode concluir se avançava o sinal ou se continuava parado - mesmo estando na dianteira do ciclista.

De acordo com o depoimento do usuário, por padrão, o carro se moveu para frente e depois freou de forma abrupta. Após uma pausa de alguns segundos, o automóvel tentou se locomover novamente, mas ainda assim não conseguiu avançar o cruzamento.

Nos últimos dois anos, o Google destacou alguns pontos essenciais que reforçam o compromisso da empresa em manter a segurança de pedestres, ciclistas e motoristas de outros carros. O modelo autônomo possui sensores que ampliam o campo de visão das câmeras instaladas para ver o que está acontecendo até uma distância de dois campos de futebol. Isso sem contar na composição do automóvel: sua estrutura é fabricada utilizando componentes menos pesados que os de um carro comum, como a espuma na parte dianteira e um material flexível no para-brisa.

O carro também vem equipado com dois sistemas distintos de travagem e de direção para evitar acidentes, o que significa que se um dos mecanismos apresentar mau funcionamento o outro entra em ação. Mesmo autônomo, o automóvel possui volante, pedais de freio e acelerador, caso seja necessário o motorista humano tomar o controle da máquina.

Dois funcionários do Google que estavam dentro do veículo conversaram com o ciclista. Bem-humorados, eles afirmam que a situação foi engraçada e que acabaram dando risada do ocorrido. Pelo que os funcionários deram a entender, eles não interferiram na ação para ver como o carro reagiria naquele instante.

É importante destacar que ninguém saiu ferido e que todo o acontecimento foi registrado pelos profissionais do Google. Inclusive, um porta-voz da empresa afirmou que situações como essa são um bom exemplo de como imprevistos podem contribuir para aprimorar o software do automóvel. Além disso, o ciclista deu um parecer interessante: ele disse que se sentiu mais seguro perto de um carro que dirige sozinho do que se fosse um veículo conduzido por um motorista humano.

Fonte: The Washington Post

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