Calexit: pós Trump, elite do Vale do Silício quer independência da Califórnia

Por Redação | 11.11.2016 às 21:44

O Vale do Silício está dividido após a vitória de Donald Trump nas urnas. A elite da região mais tech dos Estados Unidos tomou as redes sociais para expressar o que pensa a respeito de uma saída da Califórnia do país. E, sim: a ideia é transformar o estado em um país totalmente independente dos EUA, em um movimento já apelidado de "Calexit", em alusão ao Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia).

O que acontece de fato é que a maioria dos representantes das indústrias de tecnologia do Vale do Silício se opôs à ideia, mas a notícia veio à tona porque um influente milionário do ramo, Shervin Pishevar (foto), investidor anjo e cofundador do Hyperloop One, resolveu gritar aos quatro ventos que apoia a causa e que vai financiar uma campanha. Ele ainda lançou sua proposta e obteve o apoio de vários outros magnatas locais. "É a coisa mais patriótica que posso fazer", revela o investidor.

Um dos grupos separatistas da Califórnia fez um grande barulho na última terça-feira (8), dia das eleições presidenciais, assim que Donald Trump foi anunciado vencedor. A campanha, já existente e chamada Yes California Independence (Sim à Independência da Califórnia), luta por um referendo em 2018, que, caso passe nas cortes americanas, deixaria o estado a apenas um passo de se tornar um país independente.

Aliás, o que não param de surgir são adeptos à cessão nas redes sociais, principalmente porque a grandiosa maioria dos eleitores californianos não aprovou a vitória de Trump nas urnas. No entanto, desde 1860 os Estados Unidos não veem um movimento separatista em sua história, e a saída da Califórnia é algo tão inimaginável economicamente que fica difícil prever o tamanho do impacto se isso, um dia, vier a acontecer.

A campanha do milionário de origem iraniana

Desde que Pishevar anunciou no Twitter que financiaria o movimento caso Trump ganhasse, uma legião de neo-seguidores do lema separatista começou a surgir. Inclusive, na última quarta-feira (9), uma nova conta no Twitter chamada New California (Nova Califórnia) surgiu, levando o nome do magnata como fundador. Aliás, um tweet dela esclarece que, apesar de defender os mesmos ideais, a New Califórnia representa um grupo desvinculado do Yes California. Ou seja: existem dois grupos separatistas "concorrentes", ambos originários do Vale do Silício.

Apesar de, erroneamente, a mídia noticiar, eu e a @NewCalifornia15 não temos nada a ver com a campanha YesCalifornia. Vamos anunciar nossa plataforma em breve.

Novos empreendedores californianos resolveram fazer parte do movimento, pelo menos revelando apoio no Twitter. Um deles é Marc Hemeon, ex-Googler e fundador da Design Inc.:

@shervin, eu te apoio nessa; deixe-me saber o que posso fazer para ajudar

Outro investidor, Dave Morin (fundador da rede social Path), respondeu o Tweet de Pishevar afirmando que apoia a causa.

Só assim ficamos claros, eu aceito os resultados das eleições. Isso é democracia. Farei qualquer coisa pela divisão. Sou um otimista.

Nem todos concordam

Mas, como sempre ocorre na política, o movimento já tem sua oposição. Há o lado dos executivos de tecnologia do Vale do Silício que prefere se distanciar da ideia separatista. John Lilly, um parceiro da firma Greylock, fez questão de lembrar no Twitter que os secessionistas correspondem a uma pequena fatia do Vale. A Yes California, aliás, tem menos de 30 mil seguidores no Facebook.

Caso alguém se importe, acho que o "Calexit" é pra lá de burro. A América importa mais. É um grupinho pequeno, não o ponto de vista da indústria "tech".

No meio das águas turbulentas que dividem os separatistas dos não-separatistas, a executiva Brit Morin, CEO do site de comércio eletrônico Brit + Co, deu uma ideia de quem poderia se tornar presidente, caso a Califórnia se tornasse um país:

@shervin - @GavinNewsom para Presidente!

Bom, enquanto isso, aguardamos pelo que esse novo movimento político pode desencadear na Califórnia. Por enquanto, parece apenas uma vontade de poucos membros da elite do Vale do Silício, mas isso vai depender muito mais de como Trump irá governar os Estados Unidos do que da simples vontade de uns magnatas ou outros se tornarem independentes da nação por não concordar com a frente republicana. Que o melhor aconteça!

Com informações de CNN, Business Insider (1), (2)