Busca por eficiência operacional impulsiona crescimento do outsourcing off-site

Por Colaborador externo | 19 de Maio de 2015 às 09h15

Por Karine Nogueira*

Fala-se muito sobre a importância e o crescimento da terceirização. No setor de tecnologia, o mercado brasileiro de software e serviços movimenta US$ 25,9 bilhões anualmente, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). Esse valor é movimentado por doze segmentos do mercado identificados na pesquisa, dos quais Outsourcing é o mais importante, representando 22% do total, fato que comprova a relevância da discussão sobre a terceirização de tecnologia.

Por conta do baixo crescimento econômico observado entre os anos de 2012 e 2014, as instituições financeiras têm se voltado para dentro de casa a fim de intensificar a busca por eficiência operacional em todas suas atividades. Nesse sentido, uma das alternativas mais empregadas foi a maior utilização do outsourcing. Nos últimos tempos, tem crescido significativamente a demanda por um modelo emergente, o qual é conhecido como outsourcing off-site. Essa modalidade caracteriza-se pelo desenvolvimento das atividades do fornecedor de tecnologia em suas próprias instalações. No modelo tradicional, conhecido como on-site, o trabalho é realizado pelo fornecedor no espaço físico do cliente.

Atualmente, o modelo off-site tem apresentado diversas vantagens sobre o modelo on-site. Em primeiro lugar, possui custos muito mais competitivos. Um dos principais exemplos refere-se aos gastos com os espaços físicos. A valorização dos imóveis comerciais nos últimos anos aumentou significativamente a diferença entre os custos das instalações utilizadas pelas instituições financeiras, localizadas nos principais centros empresariais, e os das instalações utilizadas pelas empresas de tecnologia, mais dispersas geograficamente. Outra característica do Outsourcing off-site que aumenta sua atratividade é que ele se mostra menos arriscado: o mercado desenvolveu a percepção de que a transferência das atividades para as instalações do fornecedor é uma das formas de mitigar eventuais contingências trabalhistas.

Essa transição poderá alterar significativamente o perfil das empresas de tecnologia adequado para atender às demandas do setor financeiro. No modelo on-site, o conhecimento do negócio do cliente e a capacidade de estruturar e gerenciar equipes foram os principais fatores-chave para o sucesso e acabaram por facilitar a presença de fornecedores de pequenos e médios portes no mercado. No modelo on-site, a estrutura corporativa e a capacidade de investimento passarão a ser os diferenciais competitivos, já que os fornecedores deverão realizar investimentos substanciais em seus espaços físicos, infraestrutura e telecomunicações.

O outsourcing off-site não veio para substituir o modelo on-site, mas sim para complementá-lo, e hoje já se tornou uma realidade nas principais instituições financeiras com atuação no Brasil. Agora, elas poderão contar com uma alternativa de terceirização ainda mais competitiva. Essa tendência tem potencial para alterar significativamente o mercado de outsourcing ofertado para o setor financeiro, com melhor atendimento às instituições do segmento e fornecedores mais estruturados, o que deverá facilitar a continuidade do crescimento deste mercado.

*Karine Nogueira é Diretora Adjunta de Outsourcing da Senior Solution. Psicóloga, pós-graduada em Gestão de Pessoas e cursa o MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios na Fundação Getúlio Vargas. Sua carreira profissional foi desenvolvida em grandes empresas de tecnologia especialistas em Outsourcing para o setor financeiro.

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