Broadcom vai nomear 11 membros para diretoria da Qualcomm

Por Redação | 04 de Dezembro de 2017 às 16h44
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Qualcomm

A oferta formal não deu certo, e agora, a Broadcom se prepara para atacar de outras maneiras. Nesta segunda-feira (4), a empresa de tecnologia anunciou que vai nomear 11 membros para o conselho de diretores da Qualcomm, como uma maneira de forçar a companhia de chips a se explicar sobre a recusa em negociar uma possível aquisição.

Nove homens e duas mulheres serão indicados para a diretoria e, se eleitos, servirão, inclusive, para aumentar o número de dirigentes. Todos são independentes, significando que não possuem relações diretas com a Broadcom. Entretanto, a ideia é que todo o grupo possui um alinhamento com a iniciativa da companhia de chips, que deseja realizar um takeover hostil da Qualcomm como forma de criar uma das três maiores fabricantes do mundo nesse segmento.

Entre os novos diretores apontados pela Broadcom estão Samih Elhage, antigo gerente de redes móveis da Nokia; John Kispert, um dos responsáveis pela investidora Black Diamond Ventures; Thomas Volpe, da Volpe Investments; e Veronica Hagen, antiga CEO da Polymer Group. Todos, como dá para perceber, ligados à indústria mobile e, logicamente, com grandes interesses em uma fusão dessa categoria.

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A eleição dos novos membros para a diretoria da Qualcomm vem como forma de forçar a mão dos executivos da companhia, não apenas por explicações, mas também para que retornem à mesa de negociações. A noção geral é que acionistas da empresa estariam vendo com péssimos olhos a negativa da empresa com relação à compra e seus esforços para se manter independente, principalmente diante a perdas de mercado recentes e à gigantesca batalha judicial contra a Apple.

A Qualcomm não se pronunciou sobre o assunto ainda, mas, no mercado, a ideia é que ela não poderá fugir das nomeações e, muito menos, do pedido de explicações. O trabalho de convencimento será difícil, apontam especialistas, com a empresa de chips cada vez mais de mãos atadas diante do que cada vez mais se configura como um takeover hostil.

Todo o negócio corre, entretanto, a portas fechadas, com as informações disponíveis aparecendo como rumores. Há algumas semanas, a Qualcomm teria rejeitado a proposta de compra pela Broadcom, no valor de US$ 103 bilhões. A oferta é de US$ 70 por ação, um valor acima dos US$ 65 pelos quais ela opera no momento em que essa reportagem é escrita.

Para os executivos da fabricante, a oferta é inaceitável por subestimar o poder de mercado da empresa e seus planos para o ano que vem, sendo, assim, abaixo do valor. Para a Qualcomm, seria uma tentativa de adquirir a companhia “na baixa”, enquanto a expectativa é de um relatório financeiro aquém do esperado pelo mercado devido, principalmente, à briga judicial com a Apple.

Qualcomm versus Apple

A troca de acusações entre as duas gigantes da tecnologia já se arrasta há meses. De um lado, a empresa de Cupertino acusa a rival de tentar minar aqueles que não utilizem seus chips e outras tecnologias por meio de altos preços de royalties, enquanto a Qualcomm afirma que teve diversas de suas patentes infringidas em iterações do iPhone e iPad. Como retaliação, a Apple teria interrompido o pagamento de direitos autorais e ordenado suas parceiras a fazerem o mesmo, o que deve gerar um impacto significativo nas receitas da fabricante de chips no atual ano fiscal.

Os rumores sobre a compra da Qualcomm pela Broadcom e, mais tarde, as recusas da companhia em negociar, vêm causando moderada oscilação nos papeis. Na abertura do pregão desta segunda, as ações da empresa são negociadas com baixa de 1,2%. O movimento é de alta quando se fala no sucesso da gigante e descendente quando surgem as notícias negativas sobre a continuidade da negociação.

Fonte: Financial Times

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