Brasil já faz quase metade das transações financeiras por mobile e internet

Publieditorial | 16 de Junho de 2015 às 19h31

Quase metade das transações financeiras realizadas no Brasil já são feitas através de canais de mobile banking e internet banking, revelou a pesquisa anual sobre tecnologia bancária realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Juntos, os dois canais já somam 46% do total de transações possíveis nestes canais — ou seja, excluindo transações como saque e depósitos em dinheiro ou cheque, que só podem ser feitas em agência.

De acordo com o Diretor Setorial de Tecnologia bancária da Febraban, Gustavo Fosse, o número é surpreendente e um dos destaques do levantamento que avaliou a penetração da tecnologia no setor bancário em 2014.

Quando inclusas essas transações impossíveis por meios mobile e internet, a representatividade desses canais cai bastante, o que levaria a uma percepção errada de que o Brasil poderia estar atrasado em mobile e internet banking. Levando em consideração saques e depósitos, a participação desses cainais cai dos 46% para apenas 18% do total de transações financeiras do país.

"Na cabeça das pessoas, o usuário não gosta de fazer transações financeiras nesses canais. [Esse número] mostra que não, quando olhamos apenas para as transações que são possíveis", explicou Fosse em entrevista ao Canaltech durante a feira do setor de tecnologia bancária Ciab Febraban. "[O avanço do uso de internet e mobile banking] tem a ver com a usabilidade, a experiência do usuário está muito melhor".

Na avaliação do executivo, hoje o usuário também já não tem mais tantas preocupações de segurança com os meios virtuais de acesso a serviços financeiros, o que tabém colabora para o uso significantemente maior destas plataformas para transações.

Segundo os dados da pesquisa, no ano passado 51 milhões de clientes bancários já utilizavam internet banking, o que representa 47% do total de pessoas bancarizadas no país. O número representa um crescimento de 22% em relação à última pesquisa realizada pela Febraban, que avaliou a penetração em 2013. O crescimento expressivo se repete para o uso de mobile banking: no ano passado o Brasil registrou 25 milhões de contas com mobile banking, um crescimento de 117% em relação a 2013.

Apesar de positivo para o usuário, o aumento no uso de canais virtuais para as transações financeiras traz novos desafios de operação para bancos, segundo Fosse. Antigamente, um cliente de banco teria o costume de ir até a agência para resolver várias pendências de uma única vez. Hoje, com internet e mobile banking, é comum que o mesmo usuário faça múltiplas transações em um único dia — o que pode levar a uma sobrecarga dos sistemas de TI em bancos.

Essa nova realidade se reflete no crescimento dos investimentos em infraestrutura feitos por instituições financeiras no ano passado. No total foram gastos R$ 21,5 bilhões em TI em 2014, com um crescimento de 11% em relação ao ano anterior. O crescimento mais expressivo foi na frente de software, que aumentou 16% em 2014 em relação a 2010. O maior investimento bruto, no entanto, é no setor de hardware, que representa 43% do total — puxado principalmente pelos investimentos em dois grandes data centers no país pelos bancos Itaú e Santander.

"Há uma tendência de investimento em software para buscar essa otimização nas transações através da digitalização dos processos e automação dos bancos para trazer uma resposta mais rápida para clientes", avalia Fosse.

Outra das áreas que devem ser impactadas para essa migração para o digital corresponde às agências bancárias. Apesar de estarem caindo na representatividade geral de onde as transações financeiras são realizadas — de 8% em 2013 para 7% no ano passado —, na avaliação do executivo elas devem continuar desempenhando funções importantes para parte da população bancarizada.

"O papel da agência, se você levar em consideração que o Brasil é um país continental, com características diferentes, vai ser para aquelas pessoas que querem ser atendidas por outras pessoas, além de alguns tipos de consultoria e operações mais estruturadas", opina o executivo. "E em regiões como Norte e Nordeste, as agências são indutoras da bancarização, financiamento agrícola. Vão ser posicionamentos diferentes de acordo com a estratégia do banco e regiões onde estiver atuando".

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