Brasil é país com maior número de empresas juniores, formadas por universitários

Por Redação | 06.06.2016 às 14:55 - atualizado em 06.06.2016 às 21:50
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Um levantamento da Brasil Júnior, confederação brasileira de empresas juniores, e divulgado pela Folha de São Paulo nesta segunda-feira (6), constatou que o Brasil agora é líder mundial em número de empresas juniores, superando a quantidade de negócios comandados por estudantes dentro de toda a Europa.

As empresas juniores são associações sem fins lucrativos em que os estudantes vinculados atuam como voluntários. Elas surgiram na França, na década de 1960, e chegaram ao Brasil em 1988, com o primeiro projeto iniciado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Atualmente, mais de 11 mil universitários, ligados às empresas juniores confederadas em 18 Estados e no Distrito Federal, operam seus projetos dentro das instituições de ensino.

Os negócios que nascem no ambiente universitário cobram pelos serviços prestados e direcionam os recursos para captação e fomento do próprio projeto. Toda empresa júnior é integrada e gerida exclusivamente por estudantes matriculados em cursos de graduação. O objetivo é realizar projetos e serviços que contribuam para o desenvolvimento acadêmico e profissional dos universitários.

De acordo com o Censo e Identidade da Confederação Brasileira de Empresas Juniores da Brasil Júnior, que ouviu 237 entidades e 3.385 empresários juniores, em 2015, foram computadas 311 companhias distribuídas por 287 universidades brasileiras (particulares e privadas) — contra 222 em 2014 —, enquanto o continente europeu possui 296 iniciativas operando nos mesmos moldes. No ano passado, o setor faturou cerca de R$ 10 milhões, quase o dobro dos 5,7 milhões registrados um ano antes.

Segundo Pedro Rio Verde, presidente da Brasil Júnior, a liderança brasileira é explicada por uma deficiência das universidades nacionais, que não oferecem cursos focados em empreendedorismo. "No Brasil, não temos isso (cursos dessa natureza). Então as empresas juniores complementam uma ausência de ensino na prática. A pesquisa traça um perfil nacional e mostra o crescimento do movimento a ponto de estarmos levando esse modelo para outros países", disse.

Áreas de atuação e carreira

A pesquisa ainda aponta que 40% das empresas juniores brasileiras são ligadas aos cursos de engenharia. Em seguida aparece a área de ciências sociais aplicadas (18%) e o campo das ciências humanas (14%). Do total de clientes que contrataram algum tipo de serviço de uma empresa júnior no ano passado, 75% são companhias de pequeno porte e 57% micro. Além disso, 93% das empresas juniores se concentram em instituições federais e estaduais.

Para Rio Verde, a experiência prática de liderança e protagonismo adquirida no comando de uma empresa ainda na faculdade pode ser um diferencial na hora de ingressar no mercado de trabalho. "O universitário tem anseio de ver o que o mercado precisa. Então, a empresa júnior acaba sendo uma oportunidade de ver rápido o que o mercado vai cobrar", concluiu.

Fonte: Folha de São Paulo