Boletim Corporativo | Seu panorama semanal sobre o mercado tech (23/07 a 30/07)

Por Carlos Dias Ferreira | 30 de Julho de 2018 às 14h02
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Nova semana, nova chance de dar mais uma olhada nos movimentos dos principais nomes da tecnologia. Também uma chance a mais para Jeff Bezos expandir sua coleção de recordes, graças ao embalo persistente da Amazon – que dessa vez alcançou pela primeira vez o lucro trimestral de US$ 2 bilhões. Só que tem mais.

Quem ficou ligado no Canaltech ao longo da última semana também viu o desfecho de uma fusão novelesca, cujo final apoteótico levou o tempo exato de duas reuniões simultâneas no Hotel Hilton, em Nova York – dois passos decisivos para a incorporação da 21st Century Fox à Disney, prevista para ocorrer em meados de 2019.

Mas ainda se vai além. Enquanto a “faxina” conduzida pelo Twitter mandou pelo ralo uma quantia assombrosa de usuários falsos e perfis mal-intencionados – para preocupação de investidores movidos por números -, a decisão da Apple de terminar o contrato com a Qualcomm reacendeu as dúvidas sobre quem, afinal, deve fornecer a conectividade 5G dos próximos iPhones.

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Enquanto isso, no Brasil, mães empreendedoras ganham uma chance valiosa de colocar ideias disruptivas em prática graças a um novo programa de aceleração de proposta inclusiva. Sem mais, vamos aos principais fatos que movimentaram players do universo tecnológico ao longo da última semana – o que sem dúvida deve preparar terreno fértil para os próximos dias.

A limpeza onerosa de 1 milhão de usuários do Twitter

A eliminação sumária de fakes, bots e perfis para entrega de malwares levou o Twitter a varrer embora pelo menos 1 milhão de contas durante o último trimestre. O “preço” já era esperado, conforme disse a companhia, cujo propósito declarado é o de criar um ambiente mais seguro, com crescimento sustentável de sua base de usuários.

Twitter: 1 milhão de "usuários" perdidos entra bots, fakes e sujeitos mal-intencionados em geral; faturamento 27% superior ao de 2017 ajusou investidores a superar. (Imagem: reprodução/Twitter).

Quem ficou em cima do muro, entretanto, foram os investidores da companhia, que não apenas viram receita em potencial se esvaindo como ainda ficaram com a pergunta: “Como foi que essas contas chegaram lá, para começo de conversa?”. Para estes, entretanto, há outros números para ajudar a dormir à noite: crescimento de 11% no número de usuários diários; faturamento 27% superior ao de 2017. Seja como for, a perda momentânea foi inevitável: junto com os usuários, foi-se também 16% do valor das ações do Twitter.

Opera levanta US$ 115 milhões em IPO

O Opera é uma espécie de Rubinho Barrichello dos navegadores: quase sempre ocupa colocações mais baixas do pódio – mas está sempre lá. Entretanto, a sorte do azarão tenaz (o Opera, no caso) pode mudar depois de uma bem-sucedida IPO (oferta pública inicial) que conseguiu levantar respeitáveis US$ 115 milhões na última sexta-feira (27). Foram 9,6 milhões de ações vendidas, com valores que passaram mesmo o teto prospectado de US$ 12 – chegando a US$ 15,34 por ação durante os picos do pregão.

Stride e HipChat agora são da Slack (pelo menos até 2019)

Depois de seis anos atuando no setor de ferramentas de chat corporativas, a Atlassian resolveu tirar o time de campo. A companhia anunciou na última sexta-feira (27) e venda do Stride e do HipChat para a companhia responsável pelo Slack (que atualmente vale US$ 5 bilhões). A aquisição foi vista como um movimento para ganhar forças contra a Microsoft Teams – embora tanto o Stride quanto o HipChat devam ser descontinuados no ano que vem.

"Essa parceria mais profunda exemplifica nossa crença compartilhada de que o mundo dos softwares corporativos está migrando para um modelo no qual as pessoas estão construindo sua própria tecnologia com ferramentas altamente especializadas e interoperáveis ​​que melhor atendam às suas necessidades", explicou April Underwood, diretora de produtos da Slack.

Edge TPU é o novo chip de IA da Google voltado para Internet das Coisas

O chip Tensor Processing Unit (TPU) é utilizado internamente pela Google há pelo menos dois anos, como solução envolvendo recursos de inteligência artificial (IA) em data centers. Com o recém-anunciado Edge TPU, a empresa passa a disponibilizar seu chip – com dimensões inferiores aos de uma moeda de 1 centavo de dólar – ao setor industrial como um todo.

Edge TPU: uma mãozinha para a indústria e também para a própria Google, que poderá verticalizar ainda mais seus serviços de infraestrutura. (Imagem: divulgação/Google).

Além de facilitar tarefas focadas em automação para o setor industrial como um todo, o Edge TPU ainda pode conferir maior verticalidade aos negócios da própria Google, facilitando a venda de serviços em um ecossistema mais integrado. A versão Beta de um kit para desenvolvedores do novo chip deve ser disponibilizada em breve, com versão final prevista para outubro.

Qualcomm, EUA e o “toma lá, dá cá” que não aconteceu

EUA e China não andam nos melhores termos já faz algum tempo; de fato, desde que Donald Trump assumiu a presidência. E há agora um novo calo diplomático: o órgão governamental chinês antitruste desaprovou veementemente a compra da NXP Semiconductors pela Qualcomm – aquisição que movimentaria US$ 44 bilhões, em negociação desde 2016.

A expectativa era de um “toma lá, dá cá” amistoso. Trump teve papel crucial no acordo que liberou a fabricante chinesa ZTE para negociar novamente com os EUA, de forma que o “Ok” para a manobra da Qualcomm parecia algo razoável. Ainda que a China não tenha qualquer poder de veto sobre a aquisição, já que nenhuma das empresas é chinesa, ignorar a postura do órgão em questão parece pouco salutar quando se transaciona no mercado internacional. Seja como for, o setor de semicondutores permanece sob o domínio da Samsung.

Amazon tem primeiro trimestre multibilionário

Este é um ano de recordes para Jeff Bezos. Além de ter se tornado recentemente o ser humano mais rico da história moderna (batendo mesmo os melhores anos de Bill Gates), Bezos assistiu à sua empresa, a Amazon, atingir pela primeira vez um lucro trimestral de US$ 2 bilhões. E o período de abril a junho também marcou o terceiro trimestre consecutivo com lucros superiores a 1 bilhão.

Atualmente, a Amazon tem valor de mercado estimado em US$ 900 bilhões, formando um páreo duro com Apple (US$ 949 bilhões) e Alphabet (US$ 870 bilhões) para ver qual será a primeira empresa a atingir a meta histórica de US$ 1 trilhão em ativos. Mesmo em segundo lugar no momento, a Amazon tem ganhado apostadores por seu ritmo acelerado – com vendas e publicidade apresentando crescimentos de 39% e 132% ano a ano, respectivamente.

Da esquerda para a direita: o ser humano mais rico do mundo e a sua empresa igualmente recordista, com lucro trimestral multibilionário. (Imagem: reprodução/Amazon).

Enfim, por US$ 71,3 bilhões, a Fox pertence à Disney

Acionistas da Fox e da Disney se reuniram nesta sexta-feira (27) para concluir as negociações iniciadas ao final do ano passado. Com a Comcast oficialmente fora da competição, agora é oficial: a 21st Century Fox passará a ser propriedade da Disney. De forma quase unânime, as cúpulas das duas corporações aprovaram a venda de diversos ativos da companhia por US$ 71,3 bilhões.

Dessa forma, a Disney agora assume o controle do estúdio 20th Century Fox, da FX Networks, da National Geographic Partners além de outras propriedades ligadas à indústria do entretenimento. Já Rupert Murdoch e Lachlan Murdoch devem permanecer no controle de uma companhia batizada de New Fox, com foco em notícias e esportes.

Intel: entre lucros acima do previsto e a AMD

A Intel certamente deixou investidores com sorrisos de orelha a orelha após revelar seus resultados financeiros para o segundo trimestre de 2018. Com lucro líquido de US$ 5 bilhões (valorização de US$ 1,05 por ação), 78% superior ao do ano passado, a empresa ainda estimou uma receita de US$ 18,1 bilhões para o próximo trimestre e US$ 4,10 por ação até o final do ano.

Além disso, todos os setores apresentaram crescimento ano a ano, com destaque para o segmento de data centers, cujo crescimento foi de 27% em relação ao mesmo período do ano passado. O revés? Depois de vários anos apostando em outros setores, AMD resolveu recentemente retomar exatamente para esse nicho, planejando ainda lançar seu primeiro chip de 7 nanômetros ainda neste ano. Isso foi demais para os investidores, ao que parece, fazendo com que as ações da Intel caíssem 9%.

Afinal, quem fabricará os modems do iPhone?

Conforme se especulava há algum tempo, a Apple dispensou oficialmente a Qualcomm como principal produtora de modems para o iPhone na semana passada; isso após um relacionamento desgastado por batalhas judiciais onerosas envolvendo direitos sobre patentes. Embora a conclusão óbvia seja a de que a Intel possa se tornar a única responsável pela conectividade dos futuros iPhones, vale lembrar que a MediaTek andou flertando recentemente com a Maçã – e certamente o lançamento adiantado do seu Helio M70 não passou despercebido. Senhoras e senhores, façam suas apostas.

Com a Qualcomm fora do páreo, a escolha mais óbvia da Apple para a conectividade dos novos iPhones seria a Intel - mas as demonstrações de interesse da Mediatek certamente não passaram batido. (Imagem: reprodução/Mediatek).

Capital e treinamento para mães disruptivas

Eis aí uma boa pedida para uma mãe cheia de ideias, mas com pouco capital para investir. A B2Mamy está com inscrições abertas para o seu novo programa de aceleração focado especificamente nesse público. Os encontros devem acontecer durante quatro meses, a partir do dia 10 de agosto, em um espaço da Google localizado na Rua Coronel Oscar Porto, 70, no bairro Paraíso, em São Paulo (SP).

Nesta edição, há ainda a novidade de vagas para acelerar o negócio à distância. Nas três turmas anteriores, a B2Mamy abrigou 50 empresas em diversos segmentos, com arrecadação que chegou a R$ 800 mil. Para se inscrever no programa, basta acessar o site oficial da B2Mamy até o dia 30 de julho.

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