Boletim Corporativo | Seu panorama semanal sobre o mercado tech (01/10 a 08/10)

Por Carlos Dias Ferreira | 08 de Outubro de 2018 às 17h40

Entre prêmios, multas e especulação, os barcos corporativos seguem navegando. Muitas vezes com ases no timão, como é o caso da cúpula da Apple, recentemente premiada com o equivalente a US$ 30 milhões em ações restritas. Ou ainda, em território tupiniquim, com o Nubank se alçando a patamares ainda maiores graças ao aporte da Tencent — o primeiro da gigante chinesa no Brasil.

Também seria difícil ignorar os bons ventos que impulsionam a Netflix pelas vias arborizadas de Hollywood — uma rota que ainda pode fazer um conteúdo do serviço de streaming figurar entre os filmes laureados com o Oscar. Quem sabe?

Mas há também casos em que o velho lobo do mar parece ter sido acometido por um mal súbito. No mar, as diarreias podiam ser coisa grave; no meio corporativo, há o equivalente das verborragias galopantes — tipo perigoso de afecção que não poupa nem os maiores empreendedores, como prova Elon Musk em sua busca constante por mares revoltos. Afinal, se é pra deixar a presidência da Tesla, então que seja aos chutões e pontapés, oras! Mesmo que uma carta estilo “Bart Simpson no quadro negro” possa remediar um pouco as coisas.

Ademais, há a nova rota traçada pela Microsoft em direção à fatia mobile do Android, além de um prognóstico interessante sobre a IA (inteligência artificial) no Brasil e a corajosa batalha travada pelo bote da Sharp contra os galeões da Samsung e da LG por um espaço entre o duopólio das telas OLED, o que parece ser de bom agouro para o bolso do consumidor. Sem mais, vamos ao que interessa. Boa leitura.

Executivos da Apple recebem mais de US$ 30 milhões em prêmios por desempenho

A cúpula da Apple garantiu na semana passada uma ceia bem mais gorda para o final de 2018. Conforme consta de uma série de arquivos publicados pela U.S. Securities and Exchange Commission (Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio dos EUA), a diretora de vendas Angela Ahrendts, o diretor financeiro Luca Maestri e o diretor de operações Jeff Williams puderam converter recentemente um total de 130,528 mil ações restritas cada em US$ 30,3 milhões.

De acordo com o conceito de “ação restrita”, o prêmio foi tornado conversível após condições de desempenho terem sido satisfeitas. No caso, Ahrendts, Maestri e Williams conseguiram ultrapassar a meta de retorno a investidores estipulada pela Maçã em 2015, de acordo com o índice Standard & Poor's 500. Conforme detalham os documentos publicados pela SEC, as ações da AAPL passaram em três anos de US$ 113,15 para US$ 234,62 — com dividendos já contabilizados. Trata-se de um crescimento de 107,36% durante o período.

Pela participação vital no crescimento que levou a Apple ao valor de mercado de US$ 1 trilhão este ano, três funcionários da cúpula da companhia puderam converter 130,528 mil ações conversíveis. (Imagem: reprodução/Apple).

Netflix aumenta sua presença em Hollywood com novo escritório na região

A Netflix será a ocupante de um arranha-céu situado em plena Sunset Boulevard, uma das principais regiões de Hollywood. Caso se junte isso ao leasing (recentemente renovado) de dois escritórios comerciais na mesma área, o total é uma área de mais de 70 mil metros quadrados de uma das avenidas mais populares do estado da Califórnia. Em suma: sim, a plataforma de streaming anda empenhada em “abocanhar” uma parte de Hollywood.

O prédio em construção deve ser o novo quartel general da Netflix e deve ser ocupado até 2020. O projeto é parte do investimento de US$ 8 bilhões da empresa, que busca exibir seus conteúdos originais em mais salas de cinema. De acordo com a Hudson Pacific, empresa responsável pela edificação, prédio contará com estações de recarga de carros elétricos, local específico para estacionamento de carros autônomos, painéis solares para o fornecimento de energia, serviços VIP de transporte privado e até espaço para entrega de pacotes por drones.

Gigante chinesa vai investir US$ 200 milhões no Nubank

A Tencent anunciou um investimento de US$ 200 milhões no Nubank, o que representa uma parcela de 5% da fintech e eleva seu valor de mercado a US$ 4 bilhões. Trata-se do primeiro aporte da gigante asiática no Brasil. A quantia injetada transforma o Nubank em um dos maiores empreendimentos do setor na América Latina e dobra sua avaliação feita em março.

Além da parcela de 5%, a Tencent também deve compartilhar tecnologia com o Nubank. Em termos, é fácil pensar no WeChat, um dos principais aplicativos de mensagens em funcionamento na Ásia; a plataforma também conta com uma bem-sucedida solução para transferência de dinheiro entre usuários e pagamentos em pontos de venda. Nenhuma das companhias se posicionou oficialmente sobre o aporte até o momento.

Elon Musk volta ao Twitter e tira sarro de órgão que tentou processá-lo

Apenas para não perder o costume, vamos à última descortesia online do Sr. Musk. Depois de voltar de uma reunião em que negociou um acordo para não ser processado pela Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC) dos Estados Unidos, Musk foi ao Twitter chamar o órgão de “Shortseller Enrichment Comission”; trata-se de uma brincadeira com as iniciais "SEC" e também de uma insinuação de que a entidade estaria tentando enriquecer às suas custas.

Não que a resolução do imbróglio com a entidade mobiliária. Apesar de ambos os lados terem concordado que a renúncia de Musk da presidência do conselho da Tesla — mais o pagamento de U$ 20 milhões à SEC — seriam suficientes para colocar um fim no trâmite jurídico, ainda é necessária a aprovação de um juiz. Para tanto, Elon Musk deve encaminhar até o dia 11 de outubro uma carta de 10 páginas na qual deve dizer por que o tribunal deveria aceitar o acordo firmado com a SEC.

Elon Musk, visto aqui em um período pré-SEC, pré-Twitter, pré-verborragia galopante e, finalmente, pré-fumaceira (ao vivo, pelo menos).

Banco Inter divulga resultados operacionais para o terceiro trimestre de 2018

O Banco Inter divulgou na última quinta-feira (4) uma prévia dos seus resultados operacionais para o terceiro trimestre de 2018. Em comunicado à imprensa, a instituição revelou que foram abertas 308 mil contas digitais durante o período, o que levou o Inter à marca de 1 milhão de correntistas. Também no front de investimentos houve um crescimento expressivo, com alta de 222% no número de clientes em relação ao mesmo período do ano passado, representando uma base de 85 mil investidores.

No que se refere ao salto no número de contas correntes, setembro parece ter sido um bom mês para a instituição, com uma média de “6 mil novas contas por dia útil” – correspondendo a um crescimento de 287% na comparação com o terceiro trimestre de 2017. Ademais, as novas regras de portabilidade salarial em vigor desde julho geraram 36 mil pedidos de portabilidade durante o terceiro trimestre. Para a instituição, o bom momento financeiro é resultado da isenção tarifária e de um portfólio de serviços expandido.

Para a Microsoft, o Android é cada vez mais “a versão mobile” do Windows

A Microsoft ficou algum tempo órfã de sistema operacional mobile – desde que o Windows Phone emitiu seus últimos estertores, há pelo menos três anos. A lição a ser aprendida ali não poderia ser outra: as pessoas não necessariamente precisam do Windows rodando em seus smartphones. Entretanto, elas ainda precisam de smartphones — e, sem dúvida, muitas delas ainda têm no Windows seu sistema operacional de escolha.

Longe de abandonar pretensões relacionadas ao lançamento de hardware próprio — conforme provou o lançamento recente de diversos aparelho da linha Surface —, o que a Microsoft tem feito continuamente é oferecer serviços adicionais para a enorme base de usuários do robozinho. E isso vai desde o novo app focado em “espelhar” o conteúdo do smartphone até o launcher próprio que se propõe a substituir os tradicionais serviços do Google.

Foursquare levanta US$ 33 milhões em nova rodada de investimentos

A Foursquare anunciou recentemente uma nova rodada de investimentos que deve injetar US$ 33 milhões no capital da companhia de geolocalização. A nova alavancagem será conduzida pelos fundos Simon Ventures e Union Square Ventures, além do motor de buscas sul coreano Naver Corp.

Conforme divulgou o site Venture Beat, um primeiro aporte de US$ 25 milhões já ocorreu ao final da semana passada, e a empresa espera levantar “pelo menos” mais US$ 8 milhões antes do final do ano. A primeira rodada de investimentos da Foursquare desde 2016 ocorre seis meses antes do décimo aniversário da startup. O ritmo de crescimento constante da Foursquare é resultado de reestruturações sucessivas em relação aos produtos oferecidos, sobretudo na forma de ferramentas B2B (business to business).

Sharp investe em painéis OLED para competir com LG e Samsung

As pretensões da Sharp reveladas recentemente são grandes: buscar um espaço entre o quase duopólio formado pela LG e pela Samsung na produção de telas OLED. Embora este provavelmente não seja o melhor momento para começar a investir em uma tecnologia já bem estabelecida, ao bolso do consumidor final, a empreitada da Sharp significa pagar algo menos do que os US$ 700 unicamente para ter um display OLED no celular — um efeito direto da ampliação da concorrência.

O investimento, entretanto, foi um tanto mais tímido do que havia sido originalmente alardeado pela empresa-mãe da japonesa, a Foxconn. Trata-se de uma injeção de US$ 550 milhões — menos de um terço do valor anunciado quando da aquisição da Sharp, em 2016. Enquanto isso, a LG acaba de investir cerca de US$ 7 bilhões em telas OLED para os próximos três anos e a Samsung ganhou as manchetes de tecnologia com a promessa de um painel “inquebrável”.

O lançamento do primeiro smartphone com tela OLED da Sharp, o Aquous Zero, marca o início da disputa da companhia japonesa por uma fatia do mercado dominado pela LG e pela Samsung. (Imagem: divulgação/Sharp).

Vivo lança manifesto propondo um novo “pacto digital” para o Brasil

A Vivo publicou no dia 1º de outubro um manifesto em que convoca governo e sociedade a discutir sobre os “impactos da tecnologia no dia a dia das pessoas”. No texto intitulado “Manifesto por um novo Pacto Digital”, a operadora elenca vários pontos que considera centrais para que se aproveite as oportunidades oferecidas por tecnologias como inteligência artificial e IoT (internet das coisas) sem, contudo, se descuidar dos riscos implicados em uma nova era interconectada.

A fim de “nortear este debate”, tal manifesto dimensiona a questão do bom aproveitamento tecnológico em cinco princípios, quais sejam: “digitalização”, “inclusão digital”, “educação”, “segurança & privacidade” e “modernização de leis & políticas públicas”. Mais informações sobre o Manifesto por um novo Pacto Digital da Vivo podem ser obtidas no site oficial mantido pela operadora.

Inteligência artificial deve movimentar R$ 730 mi no Brasil em 2018

De acordo com estimativas do Sebrae, a Inteligência artificial deve movimentar R$ 730 milhões (US$ 180 mi) no Brasil este ano. Paralelamente, um novo levantamento da IBM mostrou que o país é o segundo país é o segundo maior utilizador do Watson, motor de IA da empresa. “As empresas brasileiras já entenderam que têm condições de utilizar a IA para melhorar seus negócios”, destacou o líder de vendas da ferramenta no Brasil, Roberto Celestino. “Não são apenas as grandes, muitas startups utilizam o Watson.”

Uma das startups, por exemplo, é a I.Systems, situada em Campinas (SP). Uma das funções da empresa é fornecer soluções de produção usando inteligência artificial, principalmente para gestão de energia industrial. Outro setor que se beneficia de investimentos do tipo é do pinturas automotivas. A startup chamada Autaza criou uma IA capaz de reconhecer distorções micrométricas na pintura. De acordo com a IBM, restam como desafios da implementação de IAs a expansão de plataformas em nuvem e o desenvolvimento ético por parte dos criadores.

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