Biossensor portátil é capaz de detectar câncer, Alzheimer e Parkinson

Por Redação | 20.05.2016 às 10:09

Pesquisadores do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), em Campinas, desenvolveram um biossensor capaz de detectar moléculas associadas a doenças neurodegenerativas e alguns tipos de câncer. O dispositivo é constituído, basicamente, em um transistor nanométrico em uma lâmina de vidro. O pouco material utilizado pelo biossensor o torna mais acessível e barato.

Ele contém uma quantidade reduzida de glutationa péptido (GSH), que reage de forma específica quando entra em contato com a enzima glutationa-S-transferase (GST), associada a doenças como Parkinson, Alzheimer, câncer de mama, entre outras doenças. A reação do GSH com o GST é detectada pelo transistor, que pode ser utilizado para fins de diagnóstico. O projeto envolve o desenvolvimento de sensores simples e sistemas microfluídicos de diagnóstico rápido.

"[O biossensor] Pode ser implantado para diagnosticar doenças complexas de forma rápida, segura e relativamente barata, usando sistemas em escala nanométrica para identificar moléculas e interesse no material analisado", disse Carlos César Bof Bufon, membro da equipe do projeto.

Biossensor

Além da portabilidade e o baixo custo, as vantagens do biossensor nanométrico incluem a sua sensibilidade na detecção de moléculas. "Esta é a primeira vez que a tecnologia orgânica foi usada na detecção de um par de GSH com GST, o que é importante no diagnóstico de doenças degenerativas", explicou Bufon. O sistema pode ser adaptado para detectar outras substâncias, tais como moléculas ligadas a diferentes doenças.

A equipe está trabalhando em biossensores de papel para reduzir ainda mais o custo e melhorar a portabilidade, além de facilitar a fabricação do dispositivo. O desafio, no entanto, é que o papel em sua forma usual é um isolante. Bufon defende uma técnica que é capaz de transformar o papel em condutor, utilizando fibras de celulose com polímeros que têm propriedades condutoras.

O papel polimerizado adquire as propriedades condutoras dos polímeros. Essa condutividade pode ser ajustada por meio da manipulação do elemento incorporado nas fibras de celulose. Assim, o dispositivo pode ser eletricamente condutor, permitindo que a corrente flua sem perdas significativas, interagindo com moléculas específicas e funcionando como um sensor eletroquímico.

Via Phys