Big Data e mobilidade devem alavancar governança de dados, diz especialista

Por Rafael Romer | 07.05.2015 às 08:16 - atualizado em 07.05.2015 às 11:25

Historicamente vista como uma área pequena dentro das organizações, responsável geralmente pela manutenção de dados ligados a setores de compliance ou jurídico, a governança de dados deve saltar para o holofote nos próximos anos com o avanço de tendências como Big Data e mobilidade.

Ao menos essa é a aposta da HP, que discutiu o tema durante o seu evento anual para clientes HP World Tour 2015, realizado em São Paulo. A empresa se prepara nos próximos seis meses para uma separação em duas companhias diferentes - a Hewlett-Packard Enterprise, com foco corporativo; e a HP Inc., com foco nos consumidores finais - e começa a desenhar as estratégias de suas novas unidades para os próximos anos. Com uma série de ofertas de consultoria e soluções em governança, uma das expectativas é que esse seja um dos setores a ganhar mais tração a partir de agora após a separação.

"A governança já é discutida há anos, mas nunca decolou porque era entendida como algo que requeria tanto tempo e energia antes de se retirar qualquer valor que ninguém tomava a atitude para executar", afirmou o vice-presidente de governança da informação na HP, Joe Garber, durante uma conversa com a imprensa. Atualmente, a estimativa é que menos de 10% das empresas tenham estratégias avançadas de governança em atividade.

Hoje, a falta da governança está ligada a uma série de efeitos negativos dentro das empresas. Em uma pesquisa da HP, a perda de dados foi apontada por 31% das empresas como causa de problemas com reguladores e auditores, além de perda de eficiência total com documentos desaparecidos (21,3%) e até multas ou publicidade negativa (14%).

Outro problema comum do mal gerenciamento de dados está no aumento de custos na manutenção de documentos desnecessários - segundo Garber, cada GB de informação armazenada pode custar até US$ 25 em todo seu ciclo de vida para a empresa. A estimativa é que os dados elegíveis para descarte dentro de qualquer corporação custe entre 40% e 70% do total.

Mas, para o executivo, o setor deve ganhar força nos próximos anos puxado principalmente pelo avanço de tendências como a mobilidade, que deve impactar diretamente a quantidade de dados gerados pela mão-de-obra remota das empresas, e pelo crescimento no fluxo de informações das empresas - de acordo com dados da própria HP, o volume de dados corporativos hoje cresce cerca de 60% ao ano.

Além disso, cada vez mais organizações têm passado a ver o valor que a governança de dados pode trazer para seus negócios, alavancando informações úteis para os negócios através de ferramentas de análise e inteligência de dados bem gerenciados. Hoje, a estimativa é que 25% dos dados corporativos tenham algum valor de negócio que podem ser extraídos através de uma governança efetiva dessas informações.

"O círculo está aumentando de onde a governança da informação realmente está e o que ela pode fazer pela organização. Nós estamos falando sobre tirar valor da informação, da habilidade de aplicar analytics nesta informação", explicou o executivo. "O problema é onde está essa informação, o que é essa informação, como ela pode ser acessada. Esses são os desafios que as organizações enfrentam hoje".