Beats Music e Apple podem estar sendo investigados pelo governo dos EUA

Por Redação | 06.05.2015 às 11:13

A compra da Beats Electronic pela Apple trouxe muita antecipação – todos sabem que um novo e repaginado serviço de música digital está a caminho, mas muito pouco se falou oficialmente sobre o assunto. Não sabemos exatamente quando a plataforma será lançada, mas desde já parece que a empresa está tendo problemas com o governo dos EUA, pois segundo informações não confirmadas, a Federação de Comércio dos Estados Unidos (FTC) estaria de olho nas negociações que a companhia estaria realizando com gravadoras e outros nomes do setor fonográfico.

A FTC estaria investigando as práticas da Maçã na obtenção de exclusividades e outros acordos com artistas. O órgão quer saber se a empresa está ou não utilizando sua posição como a maior vendedora de música digital do mundo – por meio da iTunes Store – para conseguir vantagens especiais ou, o que seria realmente um problema, interferir em negociações semelhantes que estariam sendo feitas por serviços rivais, como o Spotify.

A informação teria vindo de executivos da indústria musical, que estariam, inclusive, incomodados com a prática. A Apple estaria em contato constante com gravadoras e artistas – a banda Florence and the Machine chega a ser citada nominalmente na reportagem – para obter acordos de exclusividade e outras regalias para lançar seu serviço. A diferença é que, ao contrário do que fez recentemente o Tidal, tais acordos não seriam exclusivos, mas atrelariam permanentemente o portfólio de grandes nomes ao Beats Music.

A preocupação da FTC diz respeito, principalmente, aos serviços gratuitos, que possuem opções baseadas em anúncios e, sendo assim, acabam revertendo menos royalties para os artistas. Pensando nisso, a Apple poderia se aproveitar de seu modelo firmado única e exclusivamente em assinaturas para prometer maiores pagamentos para as gravadoras e, sendo assim, modificar a forma como elas lidam com plataformas do setor.

Parece ser uma briga grande, já que, no momento, até mesmo a indústria fonográfica começa a torcer o nariz para serviços que oferecem música gratuita e têm faturamento baseado em anúncios. O próprio Tidal, lançado recentemente pelo rapper americano Jay-Z, veio como um reflexo disso, trazendo como um de seus grandes pilares o pagamento justo de royalties aos artistas cujos fãs apoiarão por meio das assinaturas e utilização da plataforma.

Enquanto isso, nomes como Pandora e Spotify continuam acumulando usuários que preferem ouvir de graça. Para muitos donos de gravadoras, tal fluxo estaria criando uma cultura de gratuidade que seria nociva para a indústria e remeteria aos velhos tempos da pirataria desenfreada. Então, é plenamente possível que muitas empresas do ramo estejam cogitando se aliar à Apple nessa empreitada, algo que a investigação da FTC, ainda em seus estágios iniciais, deve dificultar.

Sabemos, desde o final do ano passado que a compra da Beats Music envolveu não apenas uma plataforma musical e serviços de áudio, mas também a “aquisição” do produtor Jimmy Iovine e do rapper Dr. Dre para o rol de executivos da Apple. Eles chegam com a missão de firmar acordos com a indústria fonográfica e obter uma liderança por meio de seu reconhecimento. Portanto, a ideia de que a Apple usaria isso para sair à frente da concorrência nem parece tão absurda.

Oficialmente, ninguém se pronunciou sobre o assunto. A FTC tem como política não comentar sobre investigações em andamento, que ainda não tenham sido reveladas ao público, enquanto a Maçã, como sempre, se mantém calada em relação a rumores e especulações.

Fontes: Bloomberg, Business Insider