Beacons: não é só o varejo que está de olho

Por Colaborador externo | 21 de Agosto de 2015 às 07h46

Por Eduardo Diaz Villagran*

Muitos colegas da área de TI e que vendem soluções de mobilidade e geolocalização, sempre que falam da tecnologia de “beacons”, geralmente estão se referindo à algum projeto ou proposta que atenda ao varejo, como shoppings ou supermercados.

E não é muito difícil chegar nesta conclusão, levando-se em conta que a maioria do que vemos sendo utilizado no mercado realmente são os beacons ajudando lojistas, aeroportos, dentre outros locais públicos e de grande movimentação, a oferecerem produtos, promoções, além de chamarem a atenção dos usuários com algo que seja estratégico para o seu negócio.

A análise de preferência e o histórico de compras, com uma dose de inteligência do software, tornam os beacons importantes aliados para os empresários e administradores. E, tanto o Google como a Apple, também estão investindo e “olhando com carinho” para esta tecnologia.

Beacons, resumidamente, são pequenos transmissores utilizados para identificar e determinar o posicionamento de smartphones – e aparelhos compatíveis –, e sua localização. Com um aplicativo instalado, os beacons monitoram a localização das pessoas e podem oferecer produtos e serviços para os interessados. Isso é o que normalmente acontece, mas uma outra área que pode ser amplamente explorada é a de logística e segurança, por exemplo.

O RFID (do inglês “Radio-Frequency IDentification”), ou a identificação por radiofrequência, é um método de identificação automática por meio de sinais de rádio, recuperando e armazenando dados remotamente com a utilização de dispositivos denominados etiquetas RFID. Normalmente, é o RFID que cuida eficazmente dos serviços de logística, mas, como toda tecnologia, também tem suas limitações.

Neste caso, o equipamento para a leitura das etiquetas é caro. E é necessário que, assim como um código de barras, a leitura seja feita muito próxima do objetivo que se tem por objetivo rastrear. O beacon, associado com um aplicativo e funcionando por tecnologia Bluetooth, logo de cara é uma opção mais econômica e versátil. Isto porque o smartphone acaba se tornando o portal dos beacons – e não é necessária a compra de nenhum equipamento específico como no RFID –, e ele pode ser lido à distância de até 30 metros (podendo chegar em 50 metros).

Levando em consideração isso e a inteligência que softwares podem dar ao beacon, a criatividade e o céu são os limites. O beacon pode facilmente servir como um poderoso aliado para a segurança, fazendo o rastreamento de objetos, pessoas, máquinas (como carros ou motos), caixas com produtos de valor dentro delas, entre muitas outras possibilidades. E, mais uma vez, sem a necessidade de leitura próxima do código de barras. Todo o rastreamento pode ser feito à distância – basta o item em questão estar dentro de sua “área de cobertura”.

Para empresas, o ganho pode ser muito grande e o retorno do investimento (RoI) ainda mais rápido do que no varejo. Equipamentos, produtos e os próprios smartphones, podem ter sua área de atividade limitada e serem monitorados pelos beacons sem que ninguém perceba. Os pais de crianças que estão na escola e que vão leva-las ou busca-las de carro, por exemplo, podem ser identificados com uso de beacons e um aviso automático ser disparado para os professores ou assistentes levarem a criança até o portão. As filas-duplas de carros em frente da escola diminuiriam substancialmente também, já que este procedimento seria mais rápido.

As utilizações são muitas, e aqui estamos dando apenas alguns exemplos. Desta forma, este produto pode ser uma importante ferramenta de vendas, sim, para o varejo. Mas, fundamentalmente, por trabalhar com geolocalização e ter a inteligência de aplicativos e a flexibilidade de smartphones, pode ser uma excelente opção também para controle de ativos, para oferecer segurança e facilitar a logística. O céu, para os beacons, realmente é o limite.

*Eduardo Diaz Villagran é CTO da BinarioMobile.

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