Bancos estão mais preocupados com Amazon e Facebook do que com fintechs

Por Redação | 22 de Agosto de 2017 às 18h13

As startups de finanças, chamadas de fintechs, estão tentando promover uma disrupção no modelo bancário vingente. Mas seus esforços, ao que parece, não causam grande preocupaçõs nos bancos.

As financeiras tradicionais estão mais preocupadas com a ameaça de gigantes tecnológicos, como a Amazon e o Facebook, do que com as fintechs, que estão tentando revolucionar investimentos ou pagamentos, de acordo com um novo relatório do Fórum Econômico Mundial.

O relatório reconhece a importância dessas startups, mas é cauteloso para admitir sua força. "As fintechs mudaram a forma como os serviços financeiros são estruturados, provisionados e consumidos, mas não se estabeleceram com sucesso como jogadores dominantes", diz um trecho do documento.

Em outras palavras, os bancos avaliam que startups como Betterment e Wealthfront (no caso do Brasil, a Nubank é um exemplo de fintech) estimularam alguma inovação, mas não têm recursos ou escala para ameaçar verdadeiramente seus negócios.

Amazon e Facebook, por outro lado, têm a escala. Mesmo que esses gigantes tecnológicos não estejam competindo diretamente na maior parte do tempo, a presença na vida cotidiana dos consumidores, a quantidade de dados que eles coletam sobre os clientes e os bancos de confiança que são obrigados a ter em seus produtos comerciais Impactam no futuro do setor financeiro.

O relatório joga duro na análise. "A próxima colisão entre instituições financeiras e grandes tecnologias levará a escolhas difíceis para todas as empresas: tornar-se dependente de grandes tecnologias ou assumir o risco de se atrasar", afirmou o texto. "Todas as instituições financeiras precisarão encontrar maneiras de se associar a grandes tecnologias sem perder sua proposta de valor principal. Todas as empresas correm o risco de se tornarem dependentes de grandes tecnologias, o que exige a perda de algum controle sobre os custos e os dados".

Armazenamento de dados na mira

O exemplo mais claro é o Amazon Web Services (AWS). O serviço de armazenamento de dados da Amazon, usado por muitas empresas, tornou-se uma necessidade para o setor financeiro. As principais empresas desse setor não estão necessariamente felizes em ter que confiar a um terceiro um componente importante de seus negócios. E elas temem que, se não usarem essa tecnologia, ficarão atrasadas.

"O AWS está formando a espinha dorsal do ecossistema dos serviços financeiros, com um conjunto diversificado de empresas — do JP Morgan até as empresas emergentes, como a Xignite — que passaram a adotar o AWS para armazenamento e processamento de dados", afirma o relatório.

A avaliação é que as instituições correm o risco de ficar para trás na corrida tecnológica se continuarem a minimizar o envolvimento dos grandes jogadores do setor. A proteção à independência do negócio pode ficar comprometida.

Além disso, as empresas financeiras também estão preocupadas com o profissional talentoso que escolhe trabalhar na Amazon em vez de no Goldman Sachs, por exemplo.

A comparação ajuda a entender o foco de preocupação dos bancos. Uma fintech emprega 200 pessoas, enquanto a Amazon tem 350 mil profissionais. A questão de escala é que assusta as instituições.

Isso não significa que as fintechs estão falhando. Pelo contrário, o relatório enfatiza que, se as startups puderem criar o nicho perfeito na tecnologia financeira, elas vão prosperar. Mas os bancos não prestarão muita atenção. Eles estarão ocupados com a Amazon.

Fonte: Mashable

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