B2B or not to be | Resumo semanal do mundo corporativo (de 09 a 13/12)

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Bem-vindo ao nosso resumo semanal do mundo corporativo. Toda sexta-feira selecionamos as principais notícias que rolaram nos últimos dias para você ficar por dentro dos assuntos mais relevantes do momento.

Amazon amplia seus domínios no Brasil

2019 foi o ano em que o Brasil entrou de vez no radar da Amazon. Em janeiro, a empresa iniciou no país a venda direta de produtos, ou seja, com estoque próprio, usando um gigantesco centro de distribuição em São Paulo. Agora, ela amplia seus domínios, anunciando na última quinta (12), seu novo CD, agora no Nordeste, mais precisamente em Pernambuco. Sim, amigos, eles perceberam que, além do Brasil ser um país continental, não dá pra confiar muito na estrutura logística daqui. Logo, é melhor marcar presença no maior número de regiões possível, desde que, claro, compense economicamente.

O Iapoque é o limite para Amazon. Até porque o Brasil acaba depois disso

A nova operação será instalada no centro logístico Armazenna Suape, no município de Cabo de Santo Agostinho, na Grande Recife, e deve facilitar bastante as opções de frete grátis e rápido para clientes da região Nordeste do país. Inclusive, os membros Prime, que vivem na região, terão uma experiência melhorada do serviço. De quebra, a Amazon criará novos postos de emprego, tanto direta quanto indiretamente, que se somarão à força de trabalho dos outros 3.200 funcionários, atualmente contratados pela companhia.

O Iapoque é o limite!

Uma multinha para chamar de sua, IBM

Quando anunciou a compra da Red Hat, em outubro do ano passado, a IBM pagou R$ 34 bilhões, a maior aquisição da sua história. Só que se ela pensou que não precisaria pagar mais nada depois dessa bolada, errou! O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) decidiu por aplicar uma multa de R$ 57 milhões à empresa por ela ter completado a aquisição da Red Hat ainda em 2018, antes do aval do conselho, permitindo a conclusão da operação.

A multa aplicada pelo CADE é do valor máximo previsto pela lei brasileira (R$ 60 milhões), com um desconto de 5%, devido ao fato de a IBM ter feito um acordo e aceitado a cobrança sem criar problemas. A aplicação da multa se deve porque, quando uma empresa adquire outra do mesmo segmento, os órgãos de proteção de mercado dos países onde ela atua precisam dar o aval para que essa junção ocorra, garantido quando é feito um estudo que mostra que, caso essas empresas se juntem, elas não irão monopolizar o mercado.

A IBM deve gastar R$ 57 milhões só em café pelo mundo

O que ocorreu no caso da IBM e da Red Hat foi que, após as companhias receberem a liberação das autoridades antitruste dos Estados Unidos e da União Europeia, acabaram já fechando o negócio, sem esperar o aval do CADE aqui no Brasil. Daí sim a multa veio.

Bom, vamos combinar que para quem pagou R$ 34 bi por uma empresa, R$ 57 milhões é o famoso "dinheiro de pinga", como diriam os mais velhos.

Não tem graça quase quebrar se não puder virar série

Sob o comando de Adam Neumann, a WeWork virou uma gigante do negócio de escritórios compartilhados pelo mundo, recebeu aporte bilionários do braço de investimentos da Softbank e se vendia com o batido clichê de ser uma empresa que iria mudar o planeta. Tudo muito bom, tudo muito bem.

O problema é que ninguém sabia das peripécias financeiras cometidas na empresa na administração de Neumann. E quando a WeWork resolveu fazer o seu IPO (Oferta Pública Inicial) na Bolsa de Valores de Nova York, a diligência contábil feito na companhia mostrou o tanto de barbeiragens praticadas pelo executivo. Além dos seguidos prejuízos relatados nos balanços trimestrais.

Resultado: o valuation inicial sugerido por Neumann, que era de US$ 47 bilhões, caiu para US$ 8 bilhões, o executivo foi afastado - mas levando uma indenização milionária no processo - e o Softbank tomou o controle da empresa, cancelou o IPO, mas prometeu demitir 2.400 funcionários (cerca de 25% de seu quadro) mundo afora para balancear as contas.

Adam Neumman: o responsável pelo fiasco da WeWork

Mas, nos dias de hoje, não basta apenas ler sobre essas bizarrices corporativas se não elas não puderem virar um filme...ou série, como será o caso da WeWork. Segundo a revista Variety, as produtoras Chernin Entertainment e a Endeavor Content compraram os direitos do livro dos jornalistas Maureen Farrell e Eliot Brown do Wall Street Journal. Os dois cobriram toda a saga da WeWork, bem como as dificuldades do negócio.

A série deve contar a história do fiasco da abertura de capital do WeWork. Nicholas Braun deve interpretar Adam Neumann, e ele cai muito bem para o papel, já que, atualmente ele é conhecido pela atuação em Succession, série da HBO que fala sobre uma guerra familiar pelo poder para comandar um império de mídia.

E como escrutínio pouco é bobagem, a Universal e a Blumhouse já estão fazendo um filme sobre a WeWork, com roteiro de Charles Randolph, quem também fez o premiado A Grande Aposta (2015), que explicava a origem da crise financeira de 2008 nos EUA e está disponível no Netflix.

Luz, câmera, ação!

A Xerox chuta o balde para ter a HP

Há tempos a Xerox tem interesse em comprar a HP, mas essa última sempre fez jogo duro para se entregar aos braços da gigante das fotocopiadoras e afins. Mas agora, parece que a "Big X" quer porque quer levar a companhia fundada pelos amigos Bill Hewlett e David Packard. Nem que tenha de demitir gente para isso.

Explicamos: para convencer os acionistas da HP, a Xerox preparou um extenso documento de 33 páginas sobre o porquê a fusão entre as empresas ser algo interessante para todos. Entre os motivos apontados, são citados um retorno monetário imediato para os acionistas da empresa, devido ao potencial de crescimento entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão que a junção significaria. E, outra "boa" razão é algo que deve consideravelmente a fila do seguro-desemprego: a promessa de um programa de cortes - um eufemismo bem feito para demissões - que, sozinho, economizaria US$ 2 bilhões do caixa da nova empresa.

Lázaro Ramos em O Homem que Copiava: a fotocopiadora deve ser da Xerox, então faz sentido nessa matéria

Esse plano de economia promete diminuir o número de fornecedores da companhia de 8000 para 3000, cortar os custos do departamento de TI de 4% da receita para apenas 1%, melhorar a gestão de inventário, simplificar a contagem de títulos de ação e vender 555 prédios da empresa, diminuindo o número de instalações da HP ao redor do mundo para 261. O documento ainda fala em acabar com a “duplicidade” de funções e em reduzir a quantidade de camadas organizacionais da empresa - duas coisas que são apenas nomes mais complicados para a palavra “demissão”.

A maior preocupação da HP é de que todo esse plano ousado da Xerox nunca sairá do papel. Isso porque o faturamento da empresa diminuiu no último ano e essa fusão pode afetar de modo negativo o crédito da HP no mercado. Outro problema é que, quando perguntado sobre como ela conseguiria o dinheiro para finalizar o negócio, a Xerox apenas afirma que possui acordos informais com diversos investidores que a ajudarão a levantar o dinheiro, mas não revela quem são essas pessoas. Atualmente, o valor de mercado da HP é de US$ 30,4 bilhões, enquanto o da Xerox é de US$ 8,2 bilhões, então não é de estranhar que HP não queira nem negociar sem a existência de garantias.

Em resumo: tem muita gente torcendo para esse negócio dar errado. E com razão...

Microsoft mostra as garras contra a Amazon

Muita gente acha que o mundo da computação na nuvem (ou cloud computing, se você quiser pagar de chique) se resume apenas a guardar seus dados em algum servidor remoto mundo afora, principalmente no Google Drive ou One Drive. Mas, ao contrário do que senso comum, esse é um setor bilionário e que é responsável por boa parte da receita de muitas gigantes da Tecnologia.

Sabendo disso, a Amazon e a Microsoft entraram em uma briga de cachorro grande. Isso porque elas disputavam um contrato de US$ 10 bilhões para fornecer armazenamento em nuvem e bases de dados para o Departamento de Defesa dos EUA. No final, a concorrência foi vencida pela criadora do Windows, que implementará os serviços da Azzure (sua divisão de serviços de cloud) junto ao órgão público norte-americano e isso inclui até mesmo o Pentágono.

Só que Amazon Web Services (ou AWS - a unidade de cloud da Amazon), evidentemente não gostou do resultado, e contestou a decisão junto ao governo, alegando que houve interferência política por parte de Donald Trump. Segundo a empresa, o presidente norte-americano teria direcionado a concorrência para a Microsoft, porque Jeff Bezos fundador da Amazon, também é dono do The Washington Post, um dos maiores e mais influentes jornais do mundo e que é crítico ferrenho da administração Trump. E, além de levar o caso para o "tapetão", a gigante do e-commerce usou a imprensa diversas vezes para manifestar a sua insatisfação. Até que a Microsoft ficou de saco cheio e resolveu revidar o chororô da concorrente.

Bezos e Gates: nem eles querem desperdiçar US$ 10 bilhões

A empresa resolveu se pronunciar diante do assunto pela primeira vez, já que vem sendo criticada pela Amazon com frequência nos últimos dias. Segundo o posicionamento da Microsoft, o processo de licitação foi justo, com a empresa vencendo a concorrência por seus próprios méritos. "Temos confiança na equipe qualificada do Departamento de Defesa e acreditamos que os fatos mostrarão que eles executaram um processo detalhado, completo e justo para determinar que as necessidades do guerreiro foram melhor atendidas pela Microsoft", disse um porta-voz da companhia. "Trabalhamos duro para inovar continuamente nos últimos dois anos para criar ofertas melhores e diferenciadas para nossos clientes", acrescentou.

Enquanto a decisão final não sai, a briga promete atingir graus mais altos de barulho. Até porque US$ 10 bilhões de dólares não são exatamente uma quantia para se jogar fora. Jeff Bezos e Bill Gates, os dois homens mais ricos do mundo, que o digam.

A seguir, cenas do próximo capítulo!

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