B2B or not 2B | Resumo semanal do mundo da tecnologia corporativa (14/08/2020)

B2B or not 2B | Resumo semanal do mundo da tecnologia corporativa (14/08/2020)

Por Stephanie Kohn | 14 de Agosto de 2020 às 15h30
Canaltech

Bem-vindo ao nosso resumo semanal do mundo corporativo. Toda sexta-feira selecionamos as principais notícias que rolaram nos últimos dias para você ficar por dentro dos assuntos mais relevantes do momento. De estratégias de negócios até problemas judiciais, aqui você se atualiza em poucos minutos. Confira!

Momento difícil

O Uber disse que será forçado a encerrar suas operações na Califórnia (Estados Unidos), caso uma decisão judicial a impeça de classificar seus motoristas como terceirizados. Nesta segunda-feira (10), um juiz da Califórnia concedeu um pedido de liminar do estado que impede a Uber e a Lyft de categorizar seus motoristas como contratados independentes em vez de empregados.

Uber e Lyft são acusados ​​de violar o Assembly Bill 5 (“AB5”), que entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano. Trata-se de uma nova lei estadual que exige que as empresas considerem os trabalhadores como empregados, caso elas controlem a maneira como eles realizam suas tarefas ou caso o trabalho faça parte do cotidiano de seu principal negócio .

"Na Califórnia nós mudamos nosso modelo substancialmente. Por exemplo: os passageiros pagam os passeios diretamente, os motoristas podem definir seu próprio preço, assim como um contratado independente faria, ele têm toda flexibilidade para aceitar ou não uma corrida. Então, achamos que cumprimos as leis, mas se o juíz e a corte acharem que não cumprimos, e não nos derem tempo, teremos de fechar o Uber até novembro", disse o presidente-executivo, Dara Khosrowshahi, à MSNBC nesta quarta-feira (12).

Nova ordem mundial

A China não será mais "a fábrica do mundo", segundo o CEO da Foxconn, maior parceira de fabricação da Apple. A companhia tem gradualmente expandido suas operações para outros países como forma de fugir da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

Segundo a Bloomberg, a montagem de gadgets fora do país já representa 30% do total da Foxconn, contra 25% em junho passado. Entre os parceiros envolvidos nesta mudança está a própria Apple, que, segundo o TechCrunch, começou a produzir o iPhone 11 na Índia no mês passado. A maçã é responsável por metade das vendas da Foxconn e reportou uma receita trimestral excelente em julho.

A declaração do executivo também tem ligação com outra mudança recente. Sua rival chinesa Luxshare Precision fechou um acordo com a Apple em julho deste ano para montar aparelhos mais simples da maçã, segundo analista da financeira taiwanesa Fubon Securities. Com isso, a Foxconn perdeu novas possibilidades.

A estratégia da Hon Hai de gradualmente sair da China ainda se correlaciona com o fato de que as remessas anuais do iPhone podem cair no país, já que o presidente norte-americano Donald Trump emitiu uma ordem executiva proibindo os residentes dos EUA de fazerem negócios com o WeChat da chinesa Tencent Holdings. Segundo analista da TF International Securities, isso pode contribuir com a queda de 25% a 30% na fabricação dos smartphones da maçã, caso a Apple seja forçada a remover o app de suas loja.

Desafios técnicos

A oferta da Microsoft em comprar a operação do TikTok nos EUA pode se tornar um esforço tecnicamente complexo e que pode testar a paciência de Donald Trump. O presidente norte-americano teria dado um prazo de 45 dias para que a negociação fosse concretizada, antes de proibir o uso do app no país.

Segundo a agência de notícias Reuters, Trump deu à Microsoft até 15 de setembro para montar um plano de aquisição do TikTok que proteja os dados pessoais dos usuários americanos que estão armazenados no aplicativo. Caso contrário, ele já assinou uma ordem executiva para banir o uso da plataforma.

No entanto, a Microsoft estaria negociando um período de transição, necessário para isolar tecnologicamente a TikTok da ByteDance, sua atua controladora. O modo de funcionamento do TikTok é, tecnicamente, semelhante ao Douyin - que é o nome chinês do app de vídeos curtos, também propriedade da ByteDance e que está disponível apenas na China. Ele compartilha recursos técnicos com seu "irmão gêmeo" e outras tecnologias proprietárias da holding chinesa. A ByteDance começou a trabalhar em sua separação tecnológica há vários meses, em meio ao escrutínio do governo dos EUA. Inclusive, ela começou a planejar uma divisão como parte de uma estratégia para transferir seu poder da China, informou a Reuters.

As negociações da Microsoft para adquirir as operações da TikTok envolve não apenas os EUA, mas também Canadá, Nova Zelândia e Austrália. E isso complica a separação já que o app não apenas teria de ser separado da ByteDance, como também teria que ser separado dos países citados. Isso aumenta os desafios técnicos devido à quantidade de dados envolvidos.

O especialista observou ainda que os discos rígidos de dados provavelmente precisariam ser transferidos da ByteDance para Microsoft. Para isso, a TikTok disse que seus dados de usuário foram armazenados nos Estados Unidos, com um backup em Cingapura e estão separados do resto da empresa.

Nova opção

Desde que se tornou independente do eBay, em 2015, o PayPal passou por grandes mudanças, o que inclui a compra de outras empresas para se consolidar em uma solução mais ampla do que apenas um sistema de pagamento padrão para e-commerces e transferências eletrônicas. Agora, a empresa prepara o seu próximo - e até esperado - passo: se tornar uma carteira digital para uso diário.

Nos últimos anos, a empresa vem se planejando para fazer parte do cotidiano dos consumidores e vem preparando as bases para se tornar mais do que apenas um processador de pagamentos. Com a compra de empresas como a Venmo - cujo aplicativo realiza pagamentos ponto a ponto - e a Honey, uma startup especializada em recompensas, a PayPal quer se tornar uma carteira digital completa, em que os usuários possam gerenciar seus pagamentos, recompensas, faturas e crédito em um só lugar. ara esse fim, o PayPal planeja gastar US$ 300 milhões trabalhando nessas iniciativas, mais precisamente durante o segundo semestre deste ano.

Atravessada

A Totvs fez uma proposta para a comprar a Linx, segundo carta enviada ao conselho da companhia na manhã desta sexta-feira (14). O plano deve ser analisado pela assembleia de acionistas da Linx junto com a proposição da Stone, que havia anunciado um acordo de compra da companhia na última terça-feira (11).

Segundo a carta, a Totvs pretende pagar pela Linx US$ 6,20 por ação mais uma ação própria. Com isso, os atuais acionistas da companhia passariam a ter aproximadamente 24% do capital total e votante da Totvs. A proposta representa um prêmio de 30,3% sobre o preço de fechamento da ação da Linx em 10 de agosto.

A empresa usa como principal argumento para convencer os acionistas da Linx o tratamento “igualitário e equânime” que pretende dar a eles com a sua proposta. O discurso vai de encontro com os últimos acontecimentos relacionados à possível compra da Linx pela Stone, já que alguns envolvidos na negociação, como a gestora FAMA Investimentos, disse, em carta aberta, que os acionistas minoritários seriam prejudicos com a oferta da fintech.

Os termos propostos seriam uma forma velada de dar um prêmio de controle aos três acionistas, o que é proibido dentro das regras do Novo Mercado. O segmento da bolsa no qual a Linx está listada foi criado para privilegiar as boas práticas de governança corporativa, que incluem pagamento igual para todos os acionistas no caso de uma aquisição.

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