AWS acirra briga por Inteligência Artificial na nuvem com três novas soluções

Por Rafael Romer | 01 de Dezembro de 2016 às 06h58
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

De Las Vegas, Estados Unidos*

A disputa pelo mercado de serviços de inteligência artificial e machine learning em nuvem deve se acirrar no próximo ano, com a entrada oficial da Amazon Web Services (AWS) na briga com três novas soluções anunciadas nesta quarta-feira (30), durante seu evento global AWS re:Invent.

Focadas em interfaces conversacionais, processamento de texto para voz e análise interpretativa de imagens, as soluções serão disponibilizadas a partir desta semana nas 14 regiões de cloud globais da empresa, e serão uma alternativa para organizações de diferentes portes criarem suas próprias aplicações usando a inteligência gerada pelas bases de dados da AWS e Amazon.

A primeira das ferramentas, a Amazon Rekognition, focará no uso de deep learning para análise compreensiva de imagens em tempo real ou em grandes pacotes. De acordo com a AWS, a plataforma é capaz de identificar e interpretar os elementos que compõem uma foto, sejam eles informações sobre o ambiente – se é dia ou noite, local da imagem ou quais os objetos presentes – ou sobre pessoas presentes na imagem – incluindo emoções que elas expressam.

Já a Amazon Polly entregará uma nova capacidade de processamento de texto para voz, já com suporte de 47 vozes diferentes e 27 línguas – incluindo português do Brasil. A ferramenta também trará a compreensão de símbolos e abreviações para conversão de texto em voz, o que significa que a frase "hoje está 28°C em SP" seria processada em voz como "hoje está vinte e oito graus celsius em São Paulo".

Por fim, a Amazon Lex fecha o trio de novas ofertas, com foco na construção de interfaces conversacionais usando voz e texto. Ainda sem data de lançamento oficial confirmada, o serviço terá como base a tecnologia de linguagem natural da assistente Amazon Alexa.

A ferramenta promete ser particularmente poderosa para o desenvolvimento de chatbots para serviços como Facebook Messenger e Slack, trazendo a compreensão da linguagem em conjunto com metadados dos usuários – o que permite que o Lex precise de uma quantidade menor de informações para entender a ação que precisa ser realizada.

Demanda de clientes

Segundo Andy Jassy, CEO global da AWS, as ofertas são resultado de demandas de clientes da AWS e focam na simplificação de grande parte do "levantamento de peso" necessário para que empresas desenvolvam suas próprias soluções de AI, substituindo a construção interna por sistemas gerenciados em nuvem.

"A Inteligência Artificial sempre foi uma tecnologia que chegaria 'em breve' no mercado, mas agora virou um serviço web simples, que quase qualquer desenvolvedor pode usar para suas aplicações", avaliou Jeff Barr, evangelista-chefe da AWS. "Acho que superamos uma barreira de velocidade para a adoção por desenvolvedores".

As três soluções, no entanto, colocam a AWS em rota de colisão com competidores que já se estabeleceram com alguma antecedência no mercado, e têm reforçando estratégias nos últimos meses, se posicionando com focos específicos: o Google e Microsoft voltando grande parte da atenção para o mercado consumidor; enquanto a IBM vira a plataforma Watson para o mercado corporativo.

Da parte da AWS, talvez ainda precisaremos de algum tempo para entender qual será o posicionamento da empresa com as soluções, mas a expectativa é de que o ritmo veloz de inovação da empresa – que implementa uma média de três novas funções por dia a seus serviços de nuvem – leve aos primeiros casos de uso em poucos meses.

*O jornalista viajou a convite da AWS.

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