AT&T planeja concorrer com a Netflix com compra da Time Warner

Por Redação | 25 de Outubro de 2016 às 10h42

O conselho administrativo da AT&T aprovou no último sábado a proposta para adquirir a Time Warner por US$ 85,4 bilhões. Nesta segunda-feira (25), a empresa norte-americana de telecomunicações confirmou que seus planos são de criar uma plataforma de vídeo digital para concorrer com a Netflix.

A compra é vista como estratégica pelo presidente-executivo da AT&T, Randal Stephenson. Segundo ele, controlar o conteúdo da HBO e do estúdio de cinema Warner Bros, o maior de Hollywood, permitirá a empresa avançar consideravelmente para construir uma plataforma de vídeo sob demanda que possa não só fazer frente à concorrente Netflix, como também suplantar as sucessivas perdas de receita apresentadas por sua divisão de TV via satélite, a DirecTV.

Ainda de acordo com Stephenson, a aquisição permitirá que a empresa entregue aos clientes exatamente aquilo que eles querem. A afirmação é uma clara referência ao fato de cada vez mais pessoas estarem abrindo mão de uma assinatura de TV a cabo e migrando para plataformas de conteúdo sob demanda.

Jeff Bewkes, CEO da Time Warner, corrobora a ideia. Segundo o executivo, as pessoas estão cansadas de pagar US$ 100 todo mês por um monte de canais a que raramente assistem. Logo, o desenvolvimento de uma plataforma sólida e com catálogo respeitável poderia combater o avanço de serviços concorrentes e atrair novos e antigos clientes.

O outro lado da moeda

Embora AT&T e Time Warner tenham deixado claros quais são seus planos, o CEO da Netflix, Reed Hastings, vê a negociação como benéfica.

"Acredito que a AT&T conseguirá desenvolver um competidor nacional tal qual fez com a DirecTV no segmento de TV a cabo. Se ela será bem-sucedida nisso, são os consumidores que irão determinar", disse Hastings em entrevista ao Wall Street Journal.

O executivo também acredita que boa parte do sucesso da plataforma da concorrente será determinada por seu empenho em produzir conteúdo original. Para ele, não basta ser dono do serviço e é preciso se arriscar nesse tipo de produção - afirmação respaldada por uma pesquisa recente, que alega que os usuários da Netflix preferem o conteúdo original da plataforma que os de terceiro.

O otimismo de Hastings, entretanto, não significa que ele não está preocupado com o futuro - pelo contrário. Para ele, o grande problema não são os concorrentes, mas sim descobrir qual será o próximo grande passo na indústria do entretenimento. "É realidade virtual? São os jogos de videogame?", questionou o chefão da Netflix.

Via Financial Times, TechCrunch

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