Até 2030, 375 mi de trabalhadores terão outra ocupação devido à automação

Por Thaís Augusto | 29 de Maio de 2019 às 17h54
MarTech Today

Até 2030, 375 milhões de trabalhadores em todo o mundo terão outra ocupação devido à automação de suas funções. O dado da consultoria McKinsey & Company aparece em um relatório da D2L que debate o futuro do trabalho e da aprendizagem na era da quarta revolução industrial.

O documento destaca a importância do setor educacional para o desenvolvimento de uma força de trabalho que possa lidar com o novo contexto político-econômico-social do mundo e a convergência de novas tecnologias como a nanotecnologia, a inteligência artificial, a robótica, a genética e a impressão 3D. De acordo com a D2L, "nenhuma parte da sociedade será deixada de fora [da quarta revolução industrial]".

Para a companhia, o atual sistema educacional e o desenvolvimento da força de trabalho, incluindo a formação de competências, não estão conseguindo acompanhar as inovações do século XXI. "Se algo não for feito em breve, a educação continuará para trás no ritmo de inovação rumo ao futuro", comentou a D2L.

O relatório reconhece que algumas instituições e programas conseguirão se adaptar às mudanças no mercado de trabalho, mas a maior parte do setor ainda continua indiferente às novas necessidades de alunos e profissionais. "Persistem questões como a acessibilidade ao ensino superior e a desconexão entre a educação e as necessidades do mercado de trabalho", destacou.

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A D2L ainda ressaltou que pontos de vista conflitantes e abordagens individuais para desenvolver as soluções têm, em várias ocasiões, produzido focos isolados de inovação e não a transformação integral do sistema, condição necessária para se alcançar o sucesso. Como resultado, diz o relatório, até 2020 mais de um terço das habilidades básicas para o bom desempenho de uma ocupação não serão consideradas fundamentais.

Em seu documento, a D2L ainda enumera recomendações para colocar a educação na vanguarda do futuro do trabalho: primeiro, a empresa incentiva que investidores priorizem a educação e a capacitação de profissionais. Além disso, é citado o alinhamento de programas e instituições com as necessidades do mercado, o reconhecimento de que as habilidades necessárias para uma ocupação mudaram, o aproveitamento da indústria como parceira e o pensamento de forma ágil, flexível e adaptativo.

Sem uma transformação, diz a D2L, haverá pessoas, comunidades e economias inteiras que serão marginalizadas. A empresa acredita que no "pacote" comum de habilidades, os indivíduos precisam ser capazes de falar mais de um idioma, possuir visão global, ser orientados pela tecnologia, hiperconectados, integrados às redes sociais e conseguirem se comunicar bem, tanto para trabalhar em equipe quanto para liderar.

Um dado que corrobora o relatório da D2L vem do Fórum Econômico Mundial. De acordo com o órgão, 65% das crianças que frequentam as escolas serão formadas para exercer uma função que não mais existirá. Outro estudo, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), diz que cerca de 9% dos empregos serão automatizados em pelo menos 21 países que integram a organização.

De acordo com pesquisa, até 2030, 375 milhões de trabalhadores em todo o mundo terão outra ocupação devido à automação de suas funções

"Sem dúvida, ocorreram muitas mudanças na forma como as pessoas interagem entre si, no comércio e até mesmo em comunidades inteiras. No entanto, é extremamente desafiador e difícil imaginar até onde chegarão as mudanças que começam a ser observadas, e o destino para o qual a sociedade se dirige", destacou a D2L.

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De acordo com a D2L, a pesquisa utilizada em seu relatório foi baseada em uma meta-análise de fontes acadêmicas, discussões com líderes de diferentes setores dentro do espectro de aprendizagem durante as conferências executivas da D2L em 2016 e 2017, e o trabalho da D2L durante 18 anos com educadores, Instituições acadêmicas, pesquisadores, estudantes, especialistas em tecnologia e empresas dedicadas ao ensino.

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