Ara, o smartphone modular do Google, não é mais tão modular assim

Por Redação | 24 de Maio de 2016 às 15h17
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Após idas e vindas, parece que o Project Ara, que promete entregar smartphones modulares e personalizáveis, finalmente está em seus estágios finais antes de chegar nas mãos dos consumidores. Só que o conceito de um dispositivo com peças totalmente adaptáveis só vai ficar nisso: um conceito, já que o Google confirmou algumas mudanças no projeto.

A mais importante delas é que, diferente do que foi anunciado até então, não será mais possível trocar todos os módulos do aparelho. Em vez disso, o consumidor vai adquirir uma estrutura básica que já virá equipada com processador, memória RAM, tela, bateria, sensores e armazenamento predefinidos de fábrica.

Segundo a gigante das buscas, nenhum desses componentes poderá ser trocado. As únicas peças que contarão com essa possibilidade são a câmera e os alto-falantes, além da adição de acessórios externos como leitor de impressões digitais, segunda tela e bateria extra. Futuramente, novos módulos devem ganhar suporte, como lanterna, botão de pânico, monitor fitness, projetor, bafômetro e chave eletrônica para carro.

Nas primeiras demonstrações, o Ara era descrito como um celular personalizável, assim como acontece hoje com os entusiastas de PCs, que montam os próprios desktops. Se o usuário quisesse trocar uma peça por uma melhor ou inferior, ele iria adquiri-la numa loja virtual dedicada à venda desses módulos. Todos os componentes do aparelho poderiam ser substituídos, desde a câmera até o processador, e trocados por novas peças que são facilmente encaixadas no "esqueleto" do Ara. Com isso, o consumidor não teria que comprar um novo smartphone anualmente e adequaria o dispositivo às suas necessidades.

Agora, o Ara está mais parecido com o LG G5, que consiste nessa mesma característica: oferecer uma base com itens principais fixos e algumas peças removíveis. E por que não produzir telefones celulares 100% modulares? De acordo com Rafa Camargo, engenheiro-chefe do Project Ara, o Google mudou sua visão de smartphone modular com base no feedback dos usuários.

"Quando fizemos nossos estudos de usuário, descobrimos que a maioria dos usuários não se preocupa com a modularização das funções essenciais. Eles esperam que tudo esteja lá, que tudo funcione sempre, e que seja consistente. Nosso protótipo inicial modularizava tudo… Apenas para descobrirmos que os usuários não se importam", disse.

Camargo acompanhou de perto as mudanças no projeto, principalmente após a saída de grandes executivos envolvidos com o Ara. Entre eles Paul Eremenko, que foi para a Airbus, e Regina Rugan, que deixou o laboratório de pesquisas avançadas Google ATAP (onde nasceu o Ara) para trabalhar no Facebook. Além disso, o Google adiou por várias vezes o lançamento do Ara: os aparelhos chegariam no início de 2015, mas os planos não deram certo. Depois, ele seria testado como um projeto piloto em Porto Rico no final do mesmo ano, algo que também não aconteceu.

A última previsão era 2016, mas na Google I/O deste ano a companhia prometeu que as primeiras unidades comerciais do Ara serão lançadas em 2017 — desenvolvedores terão acesso antecipado agora durante o quarto trimestre.

Mesmo fugindo da ideia original do Ara, o Google reforçou que o projeto ainda tem em sua essência permitir que os usuários tenham mais flexibilidade na hora de escolher por módulos melhores e atualizados — pelo menos aqueles que podem ser trocados. A empresa também acredita que seus smartphones modulares vão criar uma nova categoria no mercado ao garantir que desenvolvedores criem e vendam suas peças mundo afora.

"Queremos construir um ecossistema de hardware na mesma escala do ecossistema de aplicativos de software", disse Camargo.

Fontes: CNET, Wired, The Next Web, Ars Technica