Apple vs. FBI: Craig Federighi publica carta em oposição à demanda governamental

Por Redação | 07 de Março de 2016 às 10h45
photo_camera Justin Sullivan, Getty Image

Quando uma figura carismática como Craig Federighi vem a público para tratar de um assunto delicado como a batalha judicial contra o FBI, fica fácil de perceber que a Apple está jogando todas as suas melhores cartas na mesa. O vice-presidente do setor de engenharia de software publicou recentemente uma nova no site do jornal Washington Post, onde endossa o discurso do chefão Tim Cook sobre os riscos de se criar uma “porta dos fundos” no iOS.

“A nossa equipe precisa trabalhar incansavelmente para ficar sempre um passo à frente dos criminosos que tentam bisbilhotar nossas informações pessoais e mesmo cooptar aparelhos para empreender ataques mais amplos que colocam a todos em risco”, escreveu Federighi ao referido veículo. “A tecnologia de criptografia utilizada nos iPhones atuais representa a melhor segurança de dados disponível para os consumidores”.

Sobre a pressão do FBI

Em seguida, o executivo vai direto ao cerne da questão, abordando as demandas governamentais pela criação de uma versão adulterada do iOS. “É desapontador que o FBI, o Departamento de Justiça e outros dispositivos legais estejam nos pressionando para voltar o relógio até uma época de tecnologias menos seguras”, disse ele.

Apple e FBI

E continua: “Eles sugerem que os protocolos de segurança do iOS 7 eram bons o suficiente para que nós simplesmente voltemos aos padrões de segurança de 2013. Entretanto, a segurança do iOS 7, embora fosse a melhor à época, já acabou tendo brechas reveladas pelos hackers”.

Danos para “milhões de pessoas”

É bem verdade que, objetivamente, a nota publicada por Federighi não acrescenta muito ao que já havia sido extensamente compartilhado pelo CEO Tim Cook. Entretanto, o fato de a Maçã fazer uso do carisma de um sujeito que vem sendo considerado como o sucessor de Steve Jobs, como a “cara da Apple” junto ao público, certamente revela o grau do embaraço atual da companhia.

Trata-se, ao que parece, de um pedido velado aos fãs da marca, a fim de tentar reverter a percepção da opinião pública dos EUA sobre o caso – o que se torna um tanto mais evidente na parte mais inflamada do discurso do vice-presidente. “Quando o software é criado pelas razões erradas, cria-se uma capacidade grande e sempre crescente de causar danos a milhões de pessoas”, colocou Federighi.

iPhone 5C

“As inovações de software do futuro dependerão das fundações lançadas para os altos níveis de segurança para aparelhos". Indo um pouco além, o executivo diz que “nós não podemos nos permitir ficar atrás daqueles que querem explorar a tecnologia para fomentar o caos”. Segundo Federighi, “Frear o nosso passo ou reverter o nosso progresso põe a todos em risco”.

Com base em uma lei que data do século XVIII, o governo dos EUA busca atualmente um meio para compelir a Apple a “hackear” seu próprio sistema, cuja inviolabilidade potencial se tornou motivo de orgulho (e cifras gordas) nos últimos anos. Isso, entretanto, com um motivo inegavelmente nobre: ganhar acesso ao iPhone 5c deixado para a posteridade por um dos criminosos responsáveis pelo Massacre de San Bernardino – tragédia que deixou 36 vítimas, entre mortos e feridos, ao final do ano passado, possivelmente com ligações escusas remetendo a células terroristas.

Via Washington Post

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