Apple volta a cutucar rivais ao falar sobre privacidade

Por Redação | 30.09.2015 às 08:44

A Apple atualizou seu site dedicado à privacidade para abranger alguns de seus serviços mais recentes, como a plataforma Music e o agregador de notícias News. E, no processo, aproveitou para dar mais uma alfinetada em rivais como Google e Facebook, afirmando que não vende nenhum tipo de informação pessoal de seus usuários pelo simples fato de que a publicidade não é seu principal negócio, e sim a venda de produtos.

A página faz um apanhado geral de cada uma das plataformas da Maçã, elencando de maneira didática e simples a maneira com a qual cada uma delas lida com a informação pessoal dos usuários. Na maioria delas, a companhia é categórica: nenhum tipo de perfil dos clientes é construído com base em histórico de uso, aplicativos instalados ou telemetria do que é utilizado diariamente no celular ou tablet.

A exceção, claro, acontece com os sistemas que dependem desse tipo de coisa para funcionar, mas mesmo quando é o caso eles só coletam o que é necessário. É o caso, por exemplo, do Apple Music, que utiliza os artistas favoritos do usuário e o que ele vem ouvindo para fazer sugestões; ou o News, que também parte dos tópicos que mais interessam e dos veículos mais acessados para compor um feed de informações que sejam interessantes.

E é justamente aqui que está o ponto que exigiu satisfações adicionais por parte da Apple. Além de compor um fluxo relevante de informação, o aplicativo também é capaz de exibir publicidade, vendida diretamente pela empresa de Cupertino e focada no usuário. Para muitos, seria uma hipocrisia por parte da Apple, que sempre encheu a boca para falar que não trabalhava desta maneira e, agora, estaria fazendo exatamente o mesmo para criar mais uma fonte de faturamento.

Esse tópico é abordado e, para a empresa, a diferença está no controle. De acordo com a fabricante, toda a informação coletada é anonimizada e enviada em lotes para os servidores da Apple, de forma que não seja possível identificar horário, data, localização ou a identidade do leitor. Além disso, é possível resetar a qualquer momento esse perfil, por meio das configurações, e também desligar esse rastreamento completamente.

Isso, claro, não vai impedir que os anúncios apareçam, mas fará com que eles deixem de ser direcionados ao usuário. O mesmo vale para a sugestão de notícias e textos, uma das principais características do Apple News, que se tornará apenas um leitor genérico ou que conta com apenas a curadoria de jornalistas e personalidades caso não possua a telemetria para se guiar de acordo com os hábitos e interesses do leitor. É a clássica balança entre sacrificar um pouco da privacidade pela comodidade e funcionalidade, ou não.

Mas a grande diferença, pelo menos na visão da empresa de Cupertino, é que ela diz não estar nem um pouco interessada nas informações de seus usuários. Em mais uma provocação, por exemplo, a empresa afirma que, com seu serviço de Mapas, deseja levar as pessoas do ponto A ao ponto B, mas sem saber exatamente porque você está lá ou quantas vezes passou por ali nos últimos tempos.

Segurança de ponta a ponta

A página também traz a carta aberta escrita pelo CEO Tim Cook há um ano, quando vazaram na internet uma série de fotos íntimas de celebridades e a grande suspeita recaiu sobre o iCloud. No texto, o diretor da Apple afirma que todos os produtos da Apple utilizam os mais altos protocolos de segurança e toda a comunicação entre dispositivos e seus servidores são criptografadas para evitar interceptação e invasão. O mesmo vale também para os dados de rastreamento para os apps.

Além de falar sobre aplicativos e serviços, o texto também comenta sobre a relação entre a Apple e o governo, no que diz respeito aos pedidos de informações de seus usuários. Aqui, nada mudou – a empresa continua afirmando que somente entrega dados sob ordem judicial, que mesmo assim é revisada para validação. Os alvos de investigação são avisados sobre isso, a não ser em “situações extremas”, como quando a revelação colocar outras pessoas em risco ou for um caso de segurança nacional. Ainda assim, nenhuma agência terá acesso direto aos servidores da companhia.

Aqui, temos uma consequência direta dos escândalos de espionagem que foram detonados no final de 2013 e levaram muitas companhias, incluindo a própria Apple, a reverem seus protocolos de segurança de forma a impedir esse tipo de ação. É uma abordagem que, inclusive, leva a sucessivas reclamações de órgãos governamentais, que afirmam que a atitude dificulta as investigações. As companhias de tecnologia, porém, não arredam o pé.

Fontes: The Washington Post, Apple