Apple usa seus próprios funcionários para melhorar o Watch

Por Redação | 10 de Maio de 2016 às 11h15

Para melhorar o Apple Watch, a empresa de Cupertino decidiu utilizar um grupo de testes bem próximo de si: seus próprios funcionários. Para fazer isso, a companhia mantém uma academia completa, que também é chamada internamente de “laboratório”, onde os empregados podem malhar e fazer seus exercícios gratuitamente. Em troca, recebem acompanhamento médico e têm seus dados coletados para melhorar os sensores e recursos do relógio inteligente.

O local é de alta tecnologia, como quase tudo quando se fala em Apple. Equipamentos médicos estão espalhados pela academia e ela possui até mesmo cabines em que se pode simular certas condições atmosféricas, de temperatura ou clima. A ideia é colocar o relógio à prova em condições reais de malhação, ou o mais próximo possível disso.

Enfermeiras e médicos estão de prontidão o tempo todo – acreditava-se, antes, que a equipe de saúde contratada recentemente pela empresa estaria relacionada ao Health Kit. O que, na realidade, não deixa de ser verdade, uma vez que, para quem observa os testes internos, uma coisa fica clara: o Apple Watch é, primeiro, um dispositivo voltado para os mercados fitness e de saúde. Integrações com smartphones, funcionalidades conectadas e exclusivas, ou até mesmo preocupações fashion parecem estar cada vez mais em segundo lugar na lista de prioridades.

E, ainda hoje, a influência de Steve Jobs recai sobre tudo o que a Apple faz. Ele conviveu por mais de seis anos com um câncer pancreático e, durante seu tratamento, teria percebido o quão fragmentado é o sistema de saúde dos EUA. A jornada não teria apenas o afetado, mas também deixado suas marcas na diretoria, incluindo seu braço direito, Tim Cook, hoje CEO. Não é à toa que, por mais que o design e a beleza sejam os principais pontos de venda do Watch, a empresa reserva cada vez mais espaço em suas apresentações para pesquisas da área médica e histórias de vida de pacientes e profissionais durante tratamentos de saúde.

Foi a partir daí que surgiram iniciativas como o CareKit, sistema que facilita o desenvolvimento de aplicativos para acompanhamento e diagnóstico, tornando mais simples o acesso aos sensores do aparelho. Parcerias com planos de saúde, hospitais e centros de pesquisa também entram nesse pacote, constituindo um todo que, no longo prazo, concretizaria um dos últimos anseios de Jobs – garantir que equipamentos tecnológicos do cotidiano contribuam para a prevenção de doenças.

Esse foco também pode ser sentido nas contratações. Recentemente, por exemplo, a Apple trouxe para seu quadro de funcionários a diretora de tecnologia da Nest, Yoky Matsuoka. Ela sai da empresa de termostatos inteligentes – e do Google, a quem a fabricante pertence – para se unir a uma divisão especializada em projetos de saúde, que é dirigida por Jeff Williams, considerado o braço-direito de Tim Cook. Seria uma amostra de que, por mais que tenha sido considerado uma decepção em vendas, o Watch é um projeto de longo prazo e que pode acabar sendo voltado para um nicho mais específico.

Fonte: Business Insider

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