Apple quer crescer na China e, para isso, quer agradar governo

Por Redação | 02 de Agosto de 2017 às 13h13

Os serviços parecem estar sendo a grande galinha dos ovos de ouro para a Apple na China. Em seu mais recente relatório financeiro, referente ao segundo trimestre de 2017, a empresa revelou baixa nas vendas do iPhone no país ao mesmo tempo em que registrou aumento intenso nas vendas de aplicativos e conteúdos.

Aqui, mais uma vez, Tim Cook não falou em números. De acordo com ele, o movimento no setor de serviços continua “extremamente forte” na China, em uma continuação de um crescimento “na casa dos dois dígitos” registrado entre janeiro e março. Enquanto isso, a concorrência com marcas mais baratas, como Huawei e Xiaomi, representaram um desafio para o iPhone, cujas comercializações estacionaram no país e deixaram a fabricante na quinta posição do mercado chinês.

De acordo com pesquisas e consultorias externas, as vendas do iPhone teriam caído 9% no primeiro semestre de 2017. Os dados oficiais mostram uma queda de 9,5% no faturamento entre abril e junho, para US$ 8 bilhões, ainda mantendo a China como o terceiro maior mercado da Apple no mundo.

A visão cada vez maior do segmento de serviços como uma alternativa para continuar crescendo – compensando, inclusive, baixas localizadas em outros territórios importantes para a empresa – tem seus riscos. A China vem passando, atualmente, por uma onda de certificações e fechamento da internet local, com o governo passando normas que restringem o acesso e, para muitos críticos, aumentam a censura.

É o caso, por exemplo, do recente banimento das VPNs no país, um artifício usado pelos cidadãos para acessar sites bloqueados pelo Grande Firewall. A Apple foi uma das primeiras empresas a aderirem às normas, removendo todo e qualquer aplicativo do tipo da App Store, além de impedir o funcionamento daqueles que já estavam instalados nos celulares.

O mesmo vale para a exigência de instalação de data centers locais. Ao contrário de empresas como Google, Facebook e Microsoft, a Maçã ainda não tinha infraestrutura na China, algo que será obrigatório a toda companhia de tecnologia que queira operar no país. Ela não apenas foi uma das primeiras a se comprometer com a regularização, como também vai instalar sua infraestrutura na província de Guizhou, um local de bastante importância política, que receberá investimento de US$ 1 bilhão.

Não coincidentemente, na mesma época, a companhia anunciou a criação de uma nova posição em seu quadro de executivos, a de diretor geral para a China. O posto será ocupado por Isabel Ge Mahe, que trabalha na empresa há nove anos e coordenou as equipes de desenvolvimento de plataformas como Apple Pay, HomeKit e CarPlay. São serviços que, novamente, não fizeram com que ela subisse ao comando por acaso.

Falando sobre toda essa questão, o CEO Tim Cook disse ter consciência de que os movimentos da Apple junto ao governo chinês podem gerar críticas. Por outro lado, considera que o usuário final tem mais a ganhar do que a perder com o aumento da base instalada do iPhone e também da ampliação do ecossistema para novos territórios. Ele não entrou em questões políticas relacionadas ao bloqueio de VPNs, entretanto.

Para muitos analistas, ele nem precisa fazer isso. Assim como faz nos Estados Unidos e em outros países, é obrigação da Apple – e de qualquer outra empresa – seguir as normas locais caso queira operar em um determinado mercado. Mas quando falamos em censura e bloqueios à liberdade individual as coisas podem não ser assim tão “preto no branco”.

O mais recente relatório fiscal da Apple revelou faturamento acima do esperado em todo o mundo, com um total de US$ 45,4 milhões. Foram 41 milhões de iPhones vendidos em um período normalmente de desaceleração, um número que levou a companhia à seu recorde histórico em valorização de ações. Agora, ela se prepara para faturamentos e lucros recordes no atual ano fiscal, que encerra em setembro.

Fonte: Reuters

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