Apple fecha acordo com gravadoras independentes para o Music

Por Redação | 24 de Junho de 2015 às 18h37

Após críticas e um pouco de negatividade, parece que a Apple foi capaz de dar a volta por cima com sua relação com as gravadoras e o pagamento de royalties durante o período gratuito do Music, seu vindouro serviço de streaming. Prova disso é o anúncio de que, poucos dias após a resolução da questão, a Maçã fechou um acordo com empresas que representam bandas e artistas independentes de todo o mundo.

Anunciado nesta terça-feira (23), o contrato prevê o pagamento de royalties e a inclusão de artistas como Adele e Vampire Weekend no portfólio do Apple Music. Eles, entre tantos outros nomes, fazem parte do The Beggars Group, um conglomerado que representa bandas e artistas independentes. Um acordo semelhante também foi fechado com a Merlin Network, que representa gravadoras pequenas e possui uma fatia de quase 10% do mercado fonográfico.

Isso também significa mais um passo para que o portfólio de canções disponíveis no Apple Music esteja a par do que é encontrado em rivais como o Spotify, Rdio e Tidal, por exemplo. A Maçã sabe que de nada adianta ter o melhor serviço e infraestrutura de ponta sem o apoio de artistas, por isso, vem trabalhando ativamente no mercado para garantir a adesão à sua plataforma.

Outro exemplo disso foi, justamente, a mudança nas políticas que levaram ao acordo agora anunciado. Originalmente, a Apple havia proposto não pagar royalties pelas reproduções de usuários em período gratuito, o que significaria que os artistas e gravadoras não receberiam pelas faixas que os usuários ouvissem durante os primeiros três meses no serviço. A ideia havia sido aceita por algumas grandes gravadoras, mas teria irritado os independentes e levado alguns a, até mesmo, dar as costas para o serviço.

Tudo mudou quando Taylor Swift, uma das principais cantoras americanas do momento, publicou uma carta aberta à Apple criticando veementemente a ideia. Ela é reconhecida por lutar em favor do pagamento justo de royalties – o que, inclusive, a levou a tirar suas faixas do Spotify. O peso das declarações foi tão grande que, um dia depois, a Maçã voltou atrás e descartou a ideia de não pagar os músicos durante o período gratuito, assumindo ela mesma o ônus do benefício dado aos usuários.

Foi justamente isso que, de acordo com porta-vozes do Beggars Group, levou a empresa a assinar com a Apple. A mudança nas políticas foi vista como uma conexão clara entre os interesses da companhia e do mercado, e após discussões chamadas de “frutíferas”, as duas partes chegaram a um acordo para garantir que o portfólio dos artistas esteja na plataforma.

Vale a pena citar, ainda, que antes mesmo de Swift começar a falar sobre o assunto, o conglomerado já era um dos principais opositores da estratégia da Apple. Em comunicados oficiais para a imprensa, o Beggars Group já havia dito entender a ideia de que, sem o pagamento por parte dos usuários, ficaria difícil recompensar os artistas. Por outro lado, afirmou que os artistas e gravadoras não deveriam ter que assumir os custos de um benefício que seria dado pela Maçã para atrair novos usuários.

Apesar da ideia que não caiu nada bem e já foi descartada, a Apple se posicionou, inicialmente, como amiga dos artistas. De acordo com a empresa, mais de 70% de toda a renda obtida com as assinaturas do Music seria passada para os artistas em forma de royalties, de forma a recompensá-los da melhor maneira possível. Não se sabe, porém, se a monetização durante o período gratuito, apesar de existente, será paga de maneira diferente, uma possibilidade apontada por analistas, pois permite que os custos sejam contidos.

Fonte: The New York Times

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