Apple defende privacidade de seus clientes em audiência no Congresso dos EUA

Por Redação | 01 de Março de 2016 às 17h23

Recentemente, o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, determinou que a Apple criasse um sistema operacional capaz de violar a privacidade do iOS, basicamente instalando uma backdoor que permitisse aos investigadores o acesso a um iPhone apreendido com um dos atiradores de San Bernardino. A companhia se recusou a fazer isso e seu presidente Tim Cook alegou que tal medida colocaria em risco uma das premissas básicas da empresa, que é a privacidade de seus clientes.

Nesta terça-feira (1), FBI e Apple participaram de uma audiência no Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados sobre criptografia, segurança e privacidade. Sob o título de “The Encryption Tightrope: Balancing Americans' Security and Privacy” (em tradução livre, A Corda Bamba da Criptografia: Equilibrando a Segurança e a Privacidade dos Americanos), a audiência reuniu o diretor do FBI James Comey e o conselheiro geral da Apple, Bruce Sewell.

Em defesa da companhia responsável pelo desenvolvimento do iOS, Sewell afirmou que “centenas de milhões de pessoas obedientes à lei confiam aos produtos da Apple os detalhes mais íntimos de sua vida cotidiana”. “Há provavelmente mais informação armazenada em um iPhone do que um ladrão poderia roubar ao invadir uma casa. A única maneira de protegermos estes dados é por meio de uma forte criptografia”, afirmou o conselheiro da Apple.

Por outro lado, Comey garantiu aos espectadores e aos congressistas que o FBI solicita a violação da privacidade apenas em um único caso: o do aparelho encontrado com um dos atiradores de San Bernardino. “O código [para quebrar a privacidade do iPhone] que o juiz solicitou à Apple funciona apenas neste telefone”, havia informado o representante do FBI em outra audiência na última semana.

Apesar das alegações de que se trata de um caso específico, o próprio Comey deixa claro ter a consciência de que a decisão final criará jurisprudência para investigações futuras que envolvam a violação de aparelhos. O diretor do FBI opina ainda que a linha entre segurança pública e privacidade deve ser definida pelo congresso, não pelo judiciário. “A grande questão que estamos tratando aqui vai muito além de telefones ou de qualquer caso. Esta colisão entre privacidade e segurança pública? As cortes não podem resolvê-la”, comentou.

Em outro caso, a Apple vence na Justiça

Ontem (29), a Apple obteve uma importante vitória na Justiça que garante à empresa o direito de não quebrar a privacidade de um único aparelho sequer. Um juiz de Nova York sentenciou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não tem autoridade para obrigar a empresa a desbloquear qualquer iPhone. Apesar de esta decisão ser direcionada a um caso envolvendo tráfico de drogas e não ter relação com a solicitação feita pelo FBI, ela marca uma vitória significativa para a companhia e provavelmente será usada em sua defesa caso o FBI leve a disputa para as últimas consequências.

Fonte: RT.com, US Judiciary Committee