Apple completa 40 anos com lucros recordes e mirando o mercado mundial

Por Douglas Ciriaco | 01 de Abril de 2016 às 07h30
photo_camera Reprodução/Apple

Há exatos 40 anos, nascia uma empresa que revolucionaria o mundo da computação com produtos de alto apelo visual e de marketing, que traria uma série de inovações, mas que também não deixaria de se envolver em polêmicas sobre ideias roubadas descaradamente de outras empresas. Enfim, nós estamos falando da Apple.

Criada por Steve Wozniak e Steve Jobs, a empresa enfrentou inúmeros percalços, demitiu seu fundador mais famoso para depois vê-lo voltar de maneira messiânica e para finalmente dar novos rumos ao negócio, contribuindo para transformá-la em uma das companhias mais valiosas do mundo. Nesta sexta-feira (1), a Maçã completa quatro décadas de vida sem ter do que reclamar, com suas ações valorizadas e de olho no mercado estrangeiro para potencializar ainda mais os seus lucros.

Os primeiros sucessos — e fracassos

No final de 2014, Steve Wozniak deu uma entrevista que acabou com um dos principais mitos envolvendo a Apple: o de que a empresa foi fundada em uma garagem. "Existem muitos mitos acerca da garagem", afirmou na época. “Não fizemos nenhum design, nenhuma montagem, nenhum protótipo e nenhum produto. Nós não fabricamos nada lá. Ela não tinha muito propósito, com exceção de ser um lugar onde nos sentíamos em casa.”

Apple I

Apple I: o primeiro computador da Apple. (Foto: Ed Uthman/Wikimedia Commons)

Na garagem ou não, o fato é que ainda em 1976 a Apple trazia ao mercado o seu primeiro computador: o lendário Apple I, um equipamento que combinava placa, circuito, teclado embutido, apenas 8 KB de memória RAM e “incríveis” 1 MHz de processamento. O equipamento pode muito bem ser colocado em uma fase pré-histórica da linha do tempo dos computadores, mas serviu de base (ao menos inspiracional) para o Apple II, modelo lançado em 1977 que contava com carcaça de plástico e muito mais recursos. Ele foi por anos o carro-chefe da Apple, até que tudo começou a desandar com o lançamento do Apple III.

O insucesso da máquina lançada em 1980 se deve, basicamente, à saída de Steve Wozniak da linha de frente da concepção do produto. Desenvolvido pela equipe de marketing da Apple, o Apple III apresentava inúmeros problemas de design e acabamento, tinha um preço absurdo mesmo para a época e foi um enorme fracasso, vendendo somente 75 mil unidades — e 14 mil delas foram devolvidas à companhia após defeitos e insatisfação dos clientes

O declínio da Maçã não parou por aí: em 1983, após visitar uma fábrica da Xerox e “emprestar” da companhia a ideia de uma interface gráfica controlada por mouse, Jobs se foca na criação do Lisa, seu próximo fracasso. Do ponto de vista de hardware e de software, o computador que recebeu o mesmo nome da filha de Jobs não tinha nem de longe os problemas de seu antecessor; o problema, contudo, estava no preço: cada unidade era vendida por US$ 10 mil.

Steve Jobs vai embora...

A esta altura, a Apple já era uma empresa grande. Em 1983, a companhia anunciou o primeiro Macintosh de sua história — marca que depois se tornaria carro-chefe de todos os seus computadores. Em 1984, o comercial da empresa no Super Bowl para promover o Macintosh entra para a história como um dos mais icônicos de todos os tempos, inspirado no livro 1984, de George Orwell.

Steve Jobs e Steve Wozniak

Steve Wozniak e Steve Jobs. (Foto: Reprodução/Getty Image)

Porém, o equipamento mais uma vez não apresenta o desempenho esperado e a situação de Steve Jobs a frente da empresa que ajudou a criar se torna insustentável e ele é demitido pelo corpo diretor da companhia, liderado por John Sculley. Wozniak e muitos outros também abandonam a Apple, que continuaria a investir na marca Macintosh, mas sem nada que fosse o suficiente para alavancar a empresa novamente.

… E retorna

Até que, em 9 de junho de 1997, o então presidente da empresa Gil Amelio também é afastado pela direção. Em seu lugar, Steve Jobs começa como CEO interino, mas assume a posição de forma ininterrupta pelos próximos 14 anos. As ambições de Jobs agora encontravam combustível para florescer, e tudo começou ainda em 1997, quando a Maçã assinou um acordo com a Microsoft e recebeu um investimento de US$ 150 milhões da empresa de Bill Gates.

12 anos depois de sair por baixo, Jobs volta por cima e conduz a Apple durante a sua melhor fase, comandando a empresa no desenvolvimento de projetos como iMac, Mac OS X, Macbook, iPod, App Store, iOS, iPhone, Apple TV e iPad. Alguns desses produtos, resgatavam algumas ideias mal-sucedidas da companhia, como o Apple Newton, uma espécie de bisavô do iPad, e o Macintosh TV, antepassado da Apple TV. Afinal, se a Apple não acertava 100% do tempo, ao menos soube aprender com alguns de seus erros. E mesmo depois da saída do sequente falecimento de Jobs, a companhia continuou ampliando seu catálogo com serviços bem-sucedidos como o Apple Music e o Apple Watch.

Empresa mais valiosa do mundo

Nos últimos 19 anos, a Apple soube se reinventar e, acima de tudo, soube vender a si mesma como algo único. As técnicas de marketing de Steve Jobs finalmente ganharam vazão e apoio dentro da companhia, resultando em uma série de produtos que marcaram época e renderam bilhões de dólares aos seus acionistas. Atualmente, a Apple é a empresa mais valiosa do mundo, com um valor estimado de US$ 607,5 bilhões, fruto da combinação entre apelo publicitário e produtos de qualidade.

Contudo, deve ficar a pergunta: como a Apple se tornou a mais bem-sucedida companhia do mundo? O crescimento dos últimos anos pode ser associado a uma maior presença na China, o maior mercado de portáteis do mundo, mas também ao iPhone, a galinha dos ovos de ouro da empresa de Cupertino.

iPhone 6s

iPhone: a galinha dos ovos de ouro da Apple. (Foto: Divulgação/Apple)

Para se ter uma ideia, 60% de toda a receita global da Apple no último trimestre de 2015 veio da venda de iPhones, período no qual a empresa vendeu nada menos do que 74,5 milhões de unidades do seu smartphone. Pode-se juntar a isso o aumento do preço médio de cada unidade, que foi de US$ 67 em relação ao último trimestre de 2014, colaborando para jogar ainda mais luz no sucesso absurdo da Apple nos últimos anos.

Leia também: A evolução dos computadores da Apple em quase 40 anos de história

O futuro: de olho no mercado internacional

Recentemente, a Apple anunciou o lançamento do iPhone SE, um aparelho com tela de 4 polegadas e que será vendido a preços mais amigáveis do que os modelos principais, com displays maiores. Há quem diga, porém, que a jogada faz parte de uma medida para tentar equilibrar os lucros da empresa fora dos Estados Unidos devido à oscilação do preço do dólar. Vamos manter em mente que o iPhone é o principal produto da Apple, então torná-lo mais acessível, mas sem perder o apelo da marca pode ser uma saída viável para alcançar tais objetivos, inclusive mundo afora.

Atualmente, dois terços da receita da Apple vêm de fora dos EUA, e como a arrecadação normalmente está atrelada a alguma moeda estrangeira, o valor sofre uma pequena defasagem na conversão quando o dólar está mais forte. Se a moeda dos EUA está em baixa, o lucro da Maçã (e da maioria das empresas listadas entre as 500 mais valiosas do mundo) aumenta.

Para se ter uma ideia do “prejuízo” da Apple com o dólar mais caro, estima-se que no último trimestre de 2015 (momento de dólar em alta) a companhia perdeu 15 centavos a cada dólar arrecadado. Além disso, o preço médio global do iPhone, US$ 691, sofre uma queda de US$ 49 quando a moeda dos EUA enfrenta mares a seu favor. Da mesma forma, a relação com as moedas influencia no preço das ações da Apple, que caíram 11% ao longo de 2015 e até o dia 27 de janeiro deste ano; de lá para cá, com o dólar mais fraco, as ações aumentaram mais de 13%.

Assim, o futuro da Apple invariavelmente vai passar por esforços cada vez maiores da companhia de ampliar a sua participação nos mercados internacionais. O iPhone SE é parte desta iniciativa e é bem provável que o seu sucesso fomente outras propostas como esta.

Fontes: WolphramAlpha, Vox, The New York Times

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