Apple afirma que não vai quebrar criptografia de iPhones a pedido da justiça

Por Redação | 17 de Fevereiro de 2016 às 11h00
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A Apple está às voltas com uma nova batalha judicial, mas, desta vez, nada de patentes e companhias rivais. Do outro lado da mesa estão algumas autoridades dos Estados Unidos, com uma ordem para que a empresa auxilie na quebra da criptografia do iPhone de um dos atiradores do Massacre de San Bernardino, que deixou 14 pessoas mortas e 22 feridas na cidade de mesmo nome em 2 de dezembro de 2015.

A ordem judicial é bem clara: solicita à Apple que crie um software capaz de desligar a função de destruir dados por completo em iPhones, facilitando a vida da Agência Federal de Investigação (FBI) na hora de quebrar a senha que protege o gadget a fim de descriptografar os dados ali armazenados. Contudo, a empresa de Cupertino não parece disposta a colaborar com as autoridades, e a justificativa dada para esta negativa é bem simples: a privacidade de seus clientes.

Em uma carta aos seus consumidores divulgada em seu site oficial, o presidente da Apple, Tim Cook, deixa bem claro que a companhia não vai criar nenhum backdoor para o iPhone.

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“O governo dos Estados Unidos nos solicitou algo que simplesmente não temos, algo que consideramos muito perigoso para ser criado. Eles nos pediram para criar uma backdoor no iPhone”, escreveu o executivo. "Especificamente, o FBI quer que nós criemos uma nova versão do sistema operacional driblando vários recursos importantes de segurança e instale-a em um iPhone recuperado durante as investigações [do massacre de San Bernardino]. Nas mãos erradas, este software — que atualmente não existe — poderia ter a capacidade de destravar qualquer iPhone que tenha em mãos."

Privacidade garantida (ao menos por enquanto)

A solicitação das autoridades se parece mais com um “pé na porta” do que uma backdoor. O fato é que Tim Cook e a Apple compreendem a gravidade do pedido e também quais podem ser as suas consequências. “Alguém pode argumentar que criar uma backdoor para apenas um iPhone é uma solução simples e rápida, mas quem pensa isso ignora tanto o básico da segurança digital quanto o significado do que o governo está solicitando neste caso”, prossegue, detalhando que, uma vez que exista uma forma simples de quebrar a criptografia, ela pode ser explorada por pessoas mal-intencionadas.

“O governo sugere que esta ferramenta seria utilizada apenas uma vez, em um telefone. Mas isso simplesmente não é verdade”, comenta Cook. “Uma vez criada, a técnica poderia ser utilizada de novo e de novo, em um sem número de aparelhos. No mundo físico, isso seria equivalente à chave mestra, capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras — de restaurantes a bancos, de lojas a casas. Nenhuma pessoa racional acharia isso aceitável”, crava o executivo.

Por fim, Cook afirma acreditar que as intenções do FBI são boas, contudo mantém a visão de que obrigar a companhia a criar um mecanismo que pode prejudicar a privacidade e a segurança de seus consumidores é errado. Ou seja, ao menos por enquanto, as autoridades vão ter que buscar uma nova linha de investigação para além da quebra da criptografia do iPhone de maneira oficial.

Fonte: Apple

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