Apple abre pela primeira vez as portas de sua fábrica secreta na China

Por Redação | 25 de Abril de 2016 às 23h13

Após diversas denúncias sobre condições de trabalho insalubres em uma fábrica da Apple na China, a gigante abriu as portas para a imprensa para mostrar como são produzidos os iPhones nos arredores de Xangai, onde trabalham cerca de 50 mil pessoas. A gigante da tecnologia apresentou seus sistemas de segurança e os métodos utilizados para garantir que os funcionários não trabalhem excessivamente em horas extras, motivo de suspeita para o adoecimento de inúmeros trabalhadores.

Antes de iniciar o trabalho, todos os colaboradores passam por um detector de metais para impedir que aparelhos com câmeras entrem na fábrica, visando evitar que imagens, como os modelos desenvolvidos no local, vazem ao público. Depois disso, os empregados passam por uma escadaria com rede de segurança para evitar acidentes ou tentativas de suicídio.

Fábrica de iPhones na China

De acordo com Jenny Chan, da Universidade de Oxford, o fato de abrir as portas da fábrica para repórteres mostra preocupação da Apple em responder à pressão externa, e por isso a necessidade de tentar ter maior transparência em relação ao público e às autoridades. Apesar disso, um grupo que trabalha com a defesa dos colaboradores afirma que os salários dos funcionários permanecem extremamente baixos, e que por essa razão as horas extras são um meio de conseguir uma renda mínima para arcar com as despesas pessoais e familiares.

Uma das tecnologias que os executivos da fábrica quiseram apresentar para a reportagem da Bloomberg foram os terminais de acesso a salários e horas de trabalho, que ficam espalhados em todo o campus. As médias salariais são de 4.200 yuan a 5.500 yuan – US$ 650 a US$ 850 –, sendo que o preço de um iPhone 6 na China é de aproximadamente 4.500 yuan.

Fábrica de iPhones na China

Segundo os executivos, o período máximo que os colaboradores podem trabalhar são 60 horas semanais, e as tentativas para deixar o ambiente de trabalho mais prazeroso têm ganhado destaque na fábrica. O objetivo é aumentar a produtividade e a retenção de talentos, já que a fábrica apresentava grande rotatividade. Com as implantações de serviços como salas de televisão e de outros ambientes descontraídos, a retenção subiu 20% nos últimos três anos.

Via: Bloomberg