Após comentário sexista, funcionários do Google indignados criam o "Lady Day"

Por Redação | 17.06.2016 às 15:56 - atualizado em 17.06.2016 às 16:16

Nesta sexta-feira (17) funcionários do Google de todo o mundo estão participando de um movimento inteligente e divertido para aumentar a conscientização sobre a igualdade de gênero na companhia. O motivo? Durante a reunião anual de acionistas da gigante das buscas, um investidor fez uma observação sexista, o que acabou gerando comoção entre os colaboradores.

Quando o investidor, que não teve o nome revelado, quis fazer uma pergunta à Ruth Porat, CFO da companhia, ele se dirigiu a ela como "Lady CFO". Neste momento foi criada grande tensão na sala de reunião, mas Porat respondeu a questão ignorando o posicionamento sexista do acionista.

O maior problema, porém, surgiu cerca de dez minutos depois, quando o mesmo investidor dirigiu uma questão a David Drummond, SVP de desenvolvimento corporativo da Alphabet, referindo-se ao mesmo como “Mr. Drummond”, fato que indignou os presentes diante da diferença de tratamento entre membros do sexo feminino e masculino.

Ainda durante a reunião, Danielle Ginach, diretora associada e gerente da Sonen Capital, se manifestou dizendo: "Lamento ter que colocar outro acionista em seu devido lugar, mas a Sra. Porat é CFO, e não 'a senhora CFO'".

Como a situação não poderia passar batida, mais de 800 trabalhadores do Google se uniram na luta e criaram o "Lady Day". A solução bem-humorada (e não menos importante) tem feito com que os funcionários acrescentem a palavra "Lady" ao título de seus cargos. Assim, tanto mulheres quanto homens sensíveis à causa mudaram a assinatura de seus e-mails corporativos: Lady Engenheiro de Software, Lady Analista de Recursos Humano,s e tantos outros são exemplos da ação dos funcionários da gigante.

A falta de diversidade na indústria da tecnologia – sexual e étnica – é uma questão ainda bastante presente. No Google, 70% dos empregados são homens e 60% são brancos, e muitas outras grandes empresas de tecnologia têm estatísticas semelhantes ou ainda piores. Dentre esses números, a desigualdade de gênero no ambiente de trabalho ainda é um dos maiores problemas, mas que tem tentado ser superado a partir de uma série de iniciativas de conscientização ao redor do mundo.

Dessa forma, apesar de acabar tendo um resultado divertido, os Googlers que estão participando do "Lady Day" querem que esta seja uma oportunidade para incentivar o pensamento crítico sobre o machismo na sociedade. "É realmente inspirador ter mulheres líderes como Ruth [...] Espero que, vendo isso, as mulheres continuem a se apoiar", disse Anya Estrov, uma das colaboradoras que mudou o seu título.

Apesar de toda a luta pela visibilidade da mulher no ambiente corporativo, além de Porat, o Google tem outras mulheres em seus principais cargos executivos – incluindo sete das 20 pessoas no círculo de liderança interna da companhia, o que mostra que a empresa já vem em um fundamental movimento de reconhecer que capacidade laboral nada tem a ver com gênero.

Fonte: Business Insider