Após ano difícil na região, HP Inc projeta crescimento na América Latina em 2017

Por Rafael Romer | 29 de Agosto de 2016 às 09h57
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Em quase todos os mercados latino-americanos, 2016 segue sendo um período de desafios. Desde o ano passado, fatores como a flutuação de moedas da região frente ao dólar, quedas nos preços de commodities exportadas e as reduções registradas nos PIBs locais criaram um cenário preocupante para empresas de tecnologia que atuam na região e viram investimentos em TI congelados ou encolhidos em vários setores.

Para a HP Inc, o cenário negativo parece particularmente complicado: além de enfrentar dificuldades dos mercados locais, a companhia sofre com transformações em seu próprio core-business, com quedas globais nas vendas de PCs pessoais e de impressoras.

Nos resultados trimestrais divulgados nesta semana, a empresa informou uma redução de 4% de lucro em relação ao ano passado, que ficou em US$ 11,9 bilhões - a terceira queda seguida desde que se desmembrou no ano passado da antiga HP para surgir como empresa independente ao lado da Hewlett Packard Enterprise.

A companhia não abre números locais de suas operações, mas os indicativos são de que a América Latina fez parte do cenário de queda. De acordo com o diretor geral do setor de AMS para Latam, Marcos Razón, a organização viu seu potencial de mercado encolher em 30% na região nos últimos dois anos - com reduções de demanda tanto no setor corporativo quando junto a consumidores finais, nas suas verticais de PCs, impressoras e serviços.

"Com a queda de 2016, temos que reduzir custos, mas também investir em novos produtos e serviços para poder alavancar o crescimento quando o mercado voltar a crescer", comentou o executivo durante o HP Latin America Customer Forum, realizado pela empresa na semana passada.

No entanto, a companhia parece otimista para os próximos meses e defende que o pior já parece ter passado. Agora a expectativa é que os investimentos em TI na região comecem a ser retomados a partir do ano que vem, atingindo um ponto de inflexão de crescimento já no próximo ano.

Razón arrisca um panorama sobre as expectativas para a região: o ano que vem já será um período de estabilização de mercado e retomada de crescimento em alguns países - como a Argentina, que deverá puxar o crescimento da região, e o Chile, que tem potencial grande de crescer, ainda que seja um mercado muito pequeno para fazer barulho sozinho.

No Brasil, no entanto, a preocupação com o desempenho econômico ainda existe. "No Brasil, 2017 será um ano difícil, com algumas perspectivas de crescimento de 0,5 ou 1%. Se tudo seguir sem surpresas, 2018 deverá ser a grande volta", avalia o executivo. Ele também destaca que, apesar da queda geral do mercado, a HP Inc. permanece com o mesmo marketshare que possuía anteriormente no país.

Para se posicionar bem na retomada do crescimento da região, a empresa tem algumas estratégias na manga. Um dos pilares deverá ser a chegada do bastante comentado Elite X3, um smartphone Windows 10 com foco em produtividade corporativa que chegará com um arsenal de acessórios capazes de torná-lo com computador pessoal completo.

Com o equipamento, a empresa busca se aproximar de tendências de consumerização e abraça o ecossistema Windows na tentativa de se mostrar como a opção ideal para quem busca um dispositivo versátil para o trabalho na plataforma Microsoft.

Durante o evento, a HP Inc. comentou que o aparelho já desembarca no Chile, Colômbia e México até setembro, com mais cinco mercados latino-americanos na mira a partir do primeiro trimestre de 2017. O Brasil, infelizmente, fica fora dessa onda de lançamentos, e a empresa não esclarece se a motivação é econômica ou de regulamentação.

Na área de PCs, a empresa também deverá alavancar sua estratégia de "PCaaS", ou "PCs como serviço", em português, um modelo que pega carona na ideia de fornecimento de infraestrutura como serviço, mas focado em máquinas corporativas.

A ideia é permitir reduções de custos de aquisição e manutenção de computadores por clientes corporativos através da oferta de um modelo de serviço no qual o cliente investe em uma "assinatura" que garante novos equipamentos rotativos e manutenção periódica do parque. Empresas como a Siemens do Brasil já estão adotando o modelo em parceria com a HP e mostram potencial no cenário de corte de custos e busca por otimização de negócios.

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