Apoio a processo contra Gawker é luta por um jornalismo melhor, diz Peter Thiel

Por Redação | 16 de Agosto de 2016 às 13h56

Nesta segunda-feira (16), a Gawker, um dos principais conglomerados de mídia da internet, anunciou que está entrando em um processo de leilão, uma etapa preliminar de uma venda futura. E enquanto os lances são entregues confidencialmente pelas partes interessadas em uma empresa baqueada por processos judiciais, críticas e dificuldades em se atualizar, o empreendedor e criador do PayPal, Peter Thiel, diz não possuir nenhum remorso em sua participação no que muitos chamam de ruína da empresa responsável por sites como Gizmodo, Jalopnik, Kotaku e Deadspin, entre outros.

Para ele, trata-se de um movimento para proteger a privacidade na internet e os interesses individuais das pessoas, que muitas vezes, não têm motivos para serem publicados na imprensa. Em um artigo publicado no jornal The New York Times, ele diz saber que a falência da Gawker não representa o fim da falta de privacidade online, mas um grande passo para que companhias, jornalistas e a mídia em geral entendam as repercussões que certos casos podem possuir.

No centro dessa questão está um processo movido pelo lutador Hulk Hogan contra a companhia, após a divulgação de uma fita onde aparece fazendo sexo com uma mulher casada. A ação pode render o pagamento de US$ 115 milhões em compensação para o atleta e foi financiada por Thiel, que pagou US$ 10 milhões em custos judiciais iniciais, e continua a injetar dinheiro com seu andamento. Ele, que também já teve sua homossexualidade “revelada” pelos sites da empresa, considera o financiamento seu “maior trabalho filantrópico”.

Não se trata, entretanto, de vingança, mas sim, de ensinar uma lição. Thiel explica que já era abertamente gay antes mesmo de um artigo falando sobre isso, publicado em 2007. Entretanto, o texto especulava sobre possíveis relacionamentos e questionava a sexualidade de amigos, familiares e colegas de trabalho, algo que teria causado grande dano pessoal. Foi assim que o empreendedor iniciou sua cruzada sobre privacidade online, falando em palestras e financiando não apenas o processo de Hogan, mas também outras ações semelhantes contra a Gawker e outros veículos de imprensa.

Para Thiel, falta discernimento aos jornalistas sobre o que é de interesse público, e informações estritamente pessoais não devem ser publicadas em prol da atração de cliques. Julgamentos delicados devem ser feitos aqui, de forma que repórteres, editores e até mesmo leitores entendam melhor o que deve ser ou não veiculado. Caso contrário, vai abaixo não apenas a existência empresarial de um veículo, mas também a reputação da imprensa e dos profissionais como um todo.

O processo movido por Hogan se encontra em fase de apelação, após o veredito ter sido emitido, e Thiel disse que vai apoiá-lo até o final, mesmo que seja necessário entrar com mais dinheiro, até que o lutador receba sua compensação. O mesmo vale para outras vítimas. Enquanto isso, Gawker encontra-se sob proteção judicial após um pedido de falência registrado em junho, e aguarda o fim dos lances para sua venda no final desta segunda-feira (16).

Fonte: The New York Times

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