Analistas financeiros alertam: cuidado com o que você lê no Twitter

Por Redação | 17 de Agosto de 2015 às 12h44

Na última semana, as ações do Twitter tiveram um aumento de 7% no valor diante dos rumores de uma possível venda. Uma história que fazia até sentido, levando em conta os relatórios financeiros desapontadores da empresa e a ideia de que ela estaria com problemas para se monetizar e alavancar seu total de usuários. Tudo estaria no caminho certo, não fosse um "porém" – tratava-se de uma informação falsa, criada por alguém para gerar movimentações erráticas no mercado financeiro.

O responsável, seja lá quem for, se aproveitou da afobação dos investidores e da situação de momento criando um Twitter falso com o nome da renomada Bloomberg para, então, liberar informações, que rapidamente, geraram seu efeito. Uma fraude, basicamente, realizada por alguém ainda não identificado, mas que possivelmente tinha como intuito vender suas cotas na companhia na alta, de forma a ganhar algum dinheiro.

É um movimento que, de acordo com empresas de análises de mercado, acontece cada vez mais nas redes sociais. Isso também fez com que tais companhias se voltassem cada vez mais para o problema, agindo meio que como investigadores de rumores e especulações. É um trabalho muitas vezes complicado, que exige uma calma dos clientes, que muitas vezes conflita com a expectativa de ganhos rápidos e grandes movimentos no mercado. "E se a história for real?", pergunta quem quer investir. "Mas e se for falsa?", respondem os especialistas.

No caso do Twitter, a descoberta do hoax foi relativamente fácil. Apesar de ter a aparência da Bloomberg e utilizar seu nome, a conta responsável por espalhar os rumores havia sido criada apenas dias antes. A notícia sobre uma possível venda do Twitter também não estava publicada no site da organização, e sim em um domínio criado apenas sete dias antes, provavelmente com esse fim em mente.

Nem sempre, porém, é fácil assim. A Contix, uma firma de análises que vem cada vez mais se especializando na descoberta de fakes como este, lembra um caso de abril de 2013, quando o Twitter oficial da agência Associated Press foi hackeado. Uma única publicação foi feita: “Duas explosões na Casa Branca, Barack Obama foi ferido”. Poucas palavras, mas impactantes o bastante para causarem pânico e, claro, movimentos erráticos no mercado financeiro até que a própria AP viesse a público afirmar que não se passava de uma invasão, cuja responsabilidade, mais tarde, foi assumida pelo ISIS.

Via de regra, porém, são três os elementos usados para se descobrir a veracidade de um relato. A velocidade com que elas se espalham, muitas vezes a partir de contas com poucos seguidores e replicadas por perfis igualmente pequenos, a quantidade de fontes independentes falando sobre o mesmo assunto e a forma como os envolvidos nessa comunicação reagem a ela. Normalmente, o alarmismo é parte dessa conta e uma arma importante para fazer com que pessoas incautas acreditem nos relatos.

Outra maneira de descobrir um fake, mas muito mais complexa, é a análise de estilo e manuais de redação de agências e organizações jornalísticas. Falsários quase nunca seguirão os padrões originais ou se preocuparão com a escrita, muitas vezes cometendo erros na formatação das mensagens ou colocação dos links que poderão entregar rapidamente sua ação. Aqui, porém, trata-se de uma análise um pouco mais profunda e que pode ser mais demorada, algo que vai contra a ansiedade e velocidade do mercado e muitos de seus agentes.

A ocorrência cada vez maior desse tipo de fraude já foi assunto até mesmo de um alerta da Comissão de Valores Mobiliários do governo norte-americano. Para as autoridades, é uma evolução natural do comportamento de especuladores, que deixaram as salas de chat utilizadas por analistas e investidores para trabalharem com um escopo cada vez maior, aproveitando-se da amplitude e da proliferação rápida de informações nas redes sociais.

Por isso, a palavra de ordem para investidores no momento é: cuidado. Analistas e especialistas pedem cautela na venda e compra de ações com base em informações recebidas pelo Twitter, já que a criação de um fake por lá é muito fácil. Muitas vezes, porém, descobrir que se trata de uma informação falsa também é igualmente simples, portanto o ideal é ter calma e procurar fontes confiáveis antes de tomar uma atitude que possa custar dinheiro.

Fonte: Business Insider

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.