Analistas discordam sobre sucesso do Apple Watch

Por Redação | 23 de Julho de 2015 às 07h52
photo_camera Divulgação

O lançamento do Apple Watch, apesar de suas diferenças em relação ao lançamento em lojas físicas, aconteceu exatamente como o de qualquer novo produto da Maçã – cheio de especulações anteriores e de discussões posteriores. Disponível em alguns países do mundo desde o final de abril, o equipamento que representa a entrada da Maçã em mais um nicho de tecnologia também pode representar uma de suas maiores decepções, pelo menos na visão de alguns analistas.

Ainda repercutindo um relatório da consultoria Slice Intelligence, analistas de mercado afirmaram estar decepcionados com as vendas do Apple Watch, que desde sua chegada ao mercado estaria experimentando uma redução de 90% no fluxo de clientes. Isso quando se leva em conta a comercialização dele por meios online, já que a análise foi feita a partir da quantidade de recibos emitidos pela loja oficial da Maçã.

Não levar em conta as vendas feitas em lojas físicas, onde usuários curiosos podem experimentar o produto, pegá-lo nas mãos e, se curtirem, levar um para casa, pode mesmo mudar esse panorama, mas, para os especialistas, dificilmente fará milagres. Alguns, inclusive, chegam a afirmar que o Watch deve fechar seu primeiro ano nas prateleiras como o lançamento com menos vendas na história da Apple.

Muita gente concorda com essa afirmação, mas, para alguns analistas, isso não necessariamente é sinal de fracasso. O analista Cantor Fitzgerald, do banco de investimentos de mesmo nome, instrui seus clientes a não desistirem da Maçã ainda e aponta a temporada de vendas de final do ano como uma grande oportunidade. Na visão dele, a ideia de que o relógio pode ser um bom presente pode reverter completamente a situação, transformando o possível fracasso em um sucesso em potencial.

Outros analistas concordam com isso. A noção geral é de que, apesar de disponíveis no mercado há alguns anos, os relógios inteligentes ainda são uma categoria de produtos extremamente nova e que, para muita gente, nem mesmo tem uma utilidade. Apenas os mais aficionados por tecnologia enxergariam seu valor e é preciso uma adoção em massa dentro deste grupo para que o público em geral também possa comprar a ideia.

Foi o que já aconteceu antes, por exemplo, com o iPad. Quando anunciado pela Apple, o tablet foi visto como nada mais do que um iPhone de tela gigante e sem as funcionalidades de celular, chegando a ser taxado como um produto pouco útil para quem já possuía um smartphone. Hoje, por outro lado, dispositivos desse tipo são um grande sucesso no mercado e não é nada incomum ver gente que já possui um celular inteligente desejando um equipamento desse tipo.

Além disso, os defensores do Apple Watch indicam que é comum, para qualquer produto, que exista uma queda nas vendas após o hype inicial de lançamento. É claro, a estimativa de que as vendas caíram 90% desde então pode ser preocupante, mas não pode ser levada como prova de que tudo está indo mal justamente pelo fator “novidade” que o relógio inteligente da Maçã carrega consigo.

“Eu só ouço falar”

Apesar de discordarem quanto ao sucesso ou fracasso do Apple Watch, praticamente todo relatório de analistas sobre o assunto concorda em um aspecto – é preciso fazer com que o consumidor entenda para que serve o produto. A noção geral é que o relógio nada mais é do que um assistente de luxo para o celular e que a praticidade de usá-lo sem precisar tê-lo em mãos pode ser pouco para justificar as centenas de dólares empregados na compra.

Apple Watch

Esse é um problema, afirma Carolina Milanesi, da Kantar Worldpanel ComTech, enfrentado não apenas pela Apple, mas também por praticamente todas as empresas do setor, mesmo aquelas que chegaram antes do Watch. Mesmo entre os fanáticos por tecnologia, ainda existe uma noção de que os produtos do tipo trazem pouco valor e mudar essa noção seria o verdadeiro desafio - maior ainda que reverter uma possível situação problemática de vendas.

Na tentativa de reverter esse quadro, muitos fabricantes investem na convergência entre funções mobile e acompanhamento físico, dando um ar multiuso para seus produtos. Ainda assim, parece uma ideia restritiva, que acaba tendo apelo também ao público fitness, mas não a uma média geral de usuários. Para quem não pratica esportes, não faz a menor diferença ter em seu pulso um equipamento capaz de acompanhar a perda calórica, por exemplo, e, sendo assim, esse acaba não sendo um motivo real para comprar ou não o produto.

A noção entre os defensores do Apple Watch e dos wearables em geral é que ainda temos um ou dois anos pela frente antes que essa categoria de dispositivos realmente deslanche. E, nesse ensejo, parece positivo que a empresa de Cupertino já faça parte desse mercado. Por mais que ela não seja capaz de mudar a indústria como fez antes com os iPhones, por exemplo, já ter o pé nesse segmento pode fazer milagres caso a perspectiva de que a indústria vá deslanchar realmente se confirme.

Oficialmente, não se sabe exatamente quanto o Apple Watch tem vendido.

Fonte: Business Insider

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