AMD é acusada de quebrar regras dos EUA para vender processadores à China

Por Felipe Demartini | 03 de Julho de 2019 às 09h38
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A AMD negou as acusações de que teria criado uma estrutura gerencial complexa para escapar de regulações impostas pelos Estados Unidos e vender tecnologias de processadores para a China. A partir de duas joint ventures, a fabricante foi apontada como responsável pela comercialização de sistemas que teriam aplicações militares, com chips de arquitetura x86 que fariam parte de negociações entre a organização e o país desde, pelo menos, 2016.

A acusação surgiu em reportagem do The Wall Street Journal, citando oficiais que teriam trabalhado, inclusive, na investigação do caso. O Pentágono, base da CIA e central de inteligência do governo americano, estaria preocupado com a situação e teria tentado encerrar o esquema, que envolveria uma estrutura gerencial complexa e a passagem dos equipamentos por diferentes empresas para desviar de legislações dos Estados Unidos.

A AMD nega as acusações e afirma que a organização gerencial de sua empresa e subsidiárias foi criada justamente para atender às regras. Em comunicado, a fabricante disse sempre ter trabalhado de forma “correta e transparente”, sem violar lei americana alguma, mas também confirmou a transferência de tecnologia para a China, afirmando que, neste caso, tratam-se de processadores de baixa performance e sobre os quais as forças de segurança americana estão cientes.

Em comunicado, a fabricante disse trabalhar com o governo dos EUA desde 2015, informando reguladores sobre suas operações e negócios com estrangeiros. No caso de seu envolvimento com as duas subsidiárias citadas, o negócio não teria recebido objeções do Departamento de Comércio e de Defesa do país, o que a levou a seguir adiante com as negociações e a venda da tecnologia, que estaria abaixo do nível atual de mercado com o qual a fabricante trabalha em seus processadores para setores corporativos.

Não é o que afirma a reportagem da última sexta (28), publicada pelo The Wall Street Journal. O periódico afirma que a AMD utilizou de parcerias de uma de suas subsidiárias, voltada ao mercado chinês, para se unir à Sugon Information Industry, uma companhia especializada em supercomputadores e financiada pelo governo. Por meio de uma joint venture chamada Tianjin Haiguang Advanced Technology Investment, a fabricante teria vendido processadores x86, em um negócio que já teria rendido mais de US$ 300 milhões ao longo dos últimos três anos.

Na visão dos especialistas entrevistados, a estrutura criada permitiria que a AMD não perdesse o controle de sua propriedade intelectual, na mesma medida em que a união com uma companhia chinesa faria parecer que a tecnologia foi desenvolvida no país. Seria esse, inclusive, o objetivo do governo asiático, que teria aplicações no ramo dos supercomputadores para fins militares.

As afirmações do The Wall Street Journal chegam pouco depois da inclusão da Sugon na chamada “lista de entidades”. Todo mundo falou da entrada da Huawei nesta lista de companhias com as quais empresas com presença nos EUA não podem negociar, mas, na mesma ocasião, a suposta joint venture da AMD também foi adicionada devido a preocupações do governo americano com a segurança nacional. De acordo com a reportagem, esse fato interrompeu os negócios denunciados.

Sobre isso, a AMD afirmou ter tomado novos cuidados para evitar a venda de produtos e transferência de tecnologia para as entidades citadas na lista do governo americano. Já o departamento de segurança e outras organizações envolvidas no caso não se pronunciaram sobre a reportagem.

Fonte: Gizmodo

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