Amazon volta a refutar acusações de más condições de trabalho

Por Redação | 19.10.2015 às 15:46

Já se vão mais de dois meses desde que o jornal americano The New York Times publicou uma extensa denúncia sobre supostas más condições de trabalho na Amazon, mas, aparentemente, ela ainda está causando dor de cabeça. Tanto que, agora, o vice-presidente para assuntos corporativos do e-commerce, Jay Carney, veio a público para, mais uma vez, refutar as acusações.

Ecoando comentários feitos na época da publicação pelo CEO da Amazon, Jeff Bezos, o executivo atacou diretamente o jornal, afirmando que a reportagem não conta a história completa do que acontece em seus escritórios. Mais do que isso, afirma que o New York Times mentiu sobre o teor da reportagem, cuja pauta mostraria o ambiente “divertido e empolgante” da Amazon, mas em vez disso, decidiu partir para a crítica e os ataques diretos.

Um dos pontos criticados, por exemplo, é a pouca credibilidade de uma das principais fontes da reportagem. Aqui, Carney está falando especificamente de Bo Olson, ex-executivo do departamento de marketing da Amazon e responsável por centenas de fraudes a vendedores no sistema de marketplace da empresa. Para a gigante do e-commerce, ele tinha “muito o que falar” justamente por saber que seus dias por lá estavam contados.

Carney refuta, por exemplo, a história de uma funcionária que teria declarado, chorando, que já havia passado mais de quatro dias trabalhando direto, sem dormir. Na ocasião da publicação, a Amazon desconhecia tal fato e, agora, alega ter identificado a funcionária e, em investigações internas, descoberto que ela agiu assim por vontade própria, sem ter sido ordenada para tal por superiores diretos ou indiretos.

Outros relatos também são negados. Uma funcionária que disse ter sido criticada duramente por meio de uma ferramenta de avaliação pública, por exemplo, teria recebido apenas três feedbacks, todos com teor positivo e indicações de onde melhorar. Outra, que teria sido atacada por superiores antes de uma promoção, foi citada como tendo uma boa performance ao longo do ano, com notas que mais do que justificaram a subida de cargo.

O executivo critica ainda a forma como a reportagem do New York Times foi conduzida, apostando apenas em relatos falados de funcionários que, em teoria, não estão satisfeitos com os rumores da empresa, sem buscar documentos ou avaliações por escrito. Muitos dos funcionários relatados na matéria teriam, inclusive, usado a própria área de comentários para esclarecer seus pontos de vista, que teriam sido mal colocados no texto.

Foi justamente sobre tais questões que o diretor disse ter procurado, por mais de uma vez, esclarecimentos por parte do jornal, sem receber qualquer resposta. Para Carney, a denúncia, na verdade, foi criada como uma reportagem intencionalmente negativa, sem a menor preocupação de mostrar a realidade da companhia.

Ele termina, ainda, com um ataque à credibilidade do veículo: “na próxima vez que ler uma declaração sensacionalista no Times, (...) leve em consideração que parte crucial da história pode estar faltando ou [o jornal] decidiu que não era importante checar todos os lados”.

Fonte: Jay Carney (Medium)