Amazon se recusa a entregar gravações da Alexa como prova em caso de assassinato

Por Redação | 23 de Fevereiro de 2017 às 13h07

A Amazon está resistindo aos chamados judiciais para entregar as gravações de um alto-falante sem fio com comando de voz da linha Echo como parte de uma investigação de assassinato. O caso é inédito e a fabricante alega que o dispositivo tem o direito de "permanecer calado".

O aparelho em questão era usado por Andrew Bates, que está sendo julgado por supostamente assassinar o seu amigo Victor Collins em Arkansas, nos Estados Unidos, em novembro de 2015. Victor foi encontrado morto flutuando na banheiro do dono da casa.

Os promotores acreditam que, como a música ambiente estava sendo reproduzida pelo Amazon Echo durante o acontecimento, os servidores da Amazon poderiam conter provas vitais graças às capacidades de escuta da assistente virtual Alexa, que responde aos comandos de voz dos usuários.

Em teoria, nenhuma gravação deve existir, uma vez que a Alexa só registra informações por uma fração de segundo antes de ouvir sua palavra de alerta (geralmente "Alexa") até que ela tenha o suficiente para enviar para os servidores da Amazon processarem. O resto das informações é simultaneamente gravado e apagado do dispositivo dentro de um segundo, sem nunca ser transmitido para os servidores.

Nem precisamos dizer que a concessão da Amazon seria uma Caixa de Pandora em termos de privacidade, e uma vez que ela fosse aberta, traria precedentes para uma gama de tecnologias que usam a nuvem ou gravação de voz.

A Amazon escreveu um documento de 90 páginas contestando o mandado que exige a apresentação do áudio gravado no período de 48 horas entre os dias 21 e 22 de novembro. A empresa entregou informações dos assinantes e histórico de compras, mas alega que os comandos de voz dos usuários do Echo e as respostas da Alexa são protegidos como liberdade de expressão.

"Uma vez que o dispositivo Echo detecta a palavra de alerta, o Alexa Voice Service se esforça para responder a quaisquer comunicações de voz subsequentes detectadas na casa do usuário", diz o documento. "Consequentemente, pesquisar as gravações da Alexa não é o mesmo que procurar em uma gaveta, um bolso ou um porta-luvas. Tal como os telefones celulares, estes dispositivos eletrônicos modernos inteligentes contém uma infinidade de dados que podem revelar muito mais do que qualquer registro isolado."

Fonte: Forbes

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