Amazon processa sites que vendem reviews falsos em produtos

Por Redação | 09.04.2015 às 14:33

A média de notas de um produto na Amazon, muitas vezes, pode significar a diferença entre um sucesso instantâneo ou um fracasso monumental. Como parte de sua política, a empresa solicita a todos os compradores que realizem uma análise da compra que fizeram, algum tempo depois da entrega, de forma a compartilharem suas experiências pessoais sobre os produtos. Isso acabou gerando um mercado negro de reviews que, agora, está sendo combatido judicialmente pela empresa de Jeff Bezos.

A gigante do e-commerce registrou nesta semana um processo contra os operadores de quatro sites de vendas de análises positivas. Tais serviços, voltados mais especificamente para revendedores cadastrados mas também aberto a qualquer empresa listada na Amazon, trocam dinheiro por análises positivas, e utilizam práticas pouco éticas para fazer com que a nota de um produto aumente no sistema.

Um dos sites, operado por um americano chamado Jay Gentile, orientava os revendedores a enviar caixas vazias para seus “redatores”. Como a Amazon não tem controle sobre os produtos de seus parceiros, mas sim sobre o envio em si, as compras seriam validadas e os “clientes”, depois de algum tempo, poderiam realizar reviews. É aí que acontecia o negócio, com análises positivas falsas sendo publicadas por gente que nem mesmo havia tido contato com a mercadoria.

Como os perfis usados realizavam um grande número de postagens, eles chegavam até mesmo a serem “verificados” pela Amazon, sendo indicados como compradores constantes e membros proeminentes da comunidade do site. Um sistema que, inicialmente, deveria ser usado para indicar os textos mais confiáveis, no final das contas, acabou sendo utilizado para exatamente o oposto.

No processo, a Amazon acusa os serviços de violarem leis americanas de defesa ao consumidor, tanto federais quanto nos estados em que estão localizados. Além disso, aponta o dedo para práticas desleais à concorrência e, ainda, violação de direitos autorais, uma vez que marcas, logos e outros símbolos associados à companhia são utilizados nos sites que vendem os reviews positivos.

Em resposta, um dos operadores dos sites, Mark Collins, não negou que trabalha dessa maneira, mas disse que sua plataforma apenas faz a ponte entre marcas, lojistas e usuários dispostos a receber para dar pitacos positivos. Ele afirmou trabalhar com pessoas especializadas em análises de produtos e serviços, e que isso de maneira alguma quebra a relação de confiança entre a Amazon e seus clientes.

A prática, porém, já é antiga, e chegou a aparecer nas manchetes dos noticiários de tecnologia em 2009, quando marcas pequenas de dispositivos eletrônicos pediram desculpas públicas pela compra de reviews, na tentativa de alavancar a venda de seus produtos. Essa, porém, é a primeira vez que uma companhia toma uma atitude legal contra a prática, abrindo um precedente perigoso para aqueles que atuam no ramo.

Fonte: Engadget