Alphabet é independência não apenas para o Google, mas também para Larry Page

Por Redação | 12.08.2015 às 11:35

Em meio a todo o frisson sobre o anúncio do Alphabet, o conglomerado que se torna a empresa-mãe do Google e é focado em aquisições e investimentos não apenas no mundo da tecnologia, não se falou muito sobre um grande movimento interno. Larry Page, cofundador e CEO, está deixando esse cargo para assumir uma posição semelhante na nova companhia. Uma mudança que, afirmam muitos, representaria uma nova liberdade tanto para a gigante quanto para o próprio visionário.

Funcionários e executivos, estejam eles ainda ligados ou não ao Google, lembram dos momentos iniciais da companhia e afirmam que, desde muito cedo, tanto Page quanto seu parceiro, Sergey Brin, já estavam dispostos a fazerem muito mais do que apenas trabalhar nos mercados de publicidade e buscas.

Heather Cairns, uma das dez primeiras funcionárias do Google, por exemplo, se recorda da dupla brincando com LEGO e pensando em maneiras de automatizar o processo de virada de página de um livro no começo dos anos 2000. A ideia, segundo ela, era criar um sistema simples e barato para que publicações antigas pudessem ser digitalizadas. Agora, ela percebe ser também uma amostra de que o espírito empreendedor de Page vai muito além da revolução que ele já operou no cotidiano online de quase todo mundo.

Outro projeto que já foi alvo de comentários foi a construção de uma nave capaz de baratear o custo do turismo espacial. Isso sem falar de outras alternativas que muitas vezes parecem meio malucas, como os diversos projetos em andamento na divisão Google X, focada em inovação. Agora que deixou o comando do Google, apontando Sundar Pichai, ex-diretor de produtos, para seu lugar, Page está pronto para seguir adiante com muitas de suas ideias originais.

A mudança estrutural, que inicialmente foi citada como uma maneira de dar ao Google mais independência na aquisição de companhias e realização de investimentos, então também representa a mesma coisa para um de seus fundadores. Apesar de considerar sua presença como CEO necessária, Page já teria admitido a executivos de seu círculo interno que nunca gostou de verdade desse tipo de trabalho gerencial. Ele permanece em um posto semelhante, mas agora tem mais margem para ousar.

De grão em grão

Por mais que seja uma empresa reconhecida no mercado, o Google é também um dos grandes bastiões da internet. Isso significa uma menor margem para erro, uma vez que todo e qualquer movimento é assunto de grande escrutínio pelo mercado, público e imprensa. Todo anúncio é gigantesco e todo fracasso ecoa como tendo um tamanho semelhante, mesmo que, na prática, não seja necessariamente assim. Com a Alphabet, tanto Brin quanto Page desejam que isso seja diferente.

É um movimento que, inclusive, já começou. Desde 2011, o Google permanece em um forte momento de aquisições e investimentos. Para entrar no mundo da Internet das Coisas, comprou a Nest e, em 2013, fundou a Calico, focada em biotecnologia. Outros investimentos são feitos pela Google Capital ou Google Ventures em setores que não têm nada a ver com o negócio principal da companhia, que são as buscas e a publicidade. Todas essas empresas, agora, passam a funcionar como subsidiárias da Alphabet e ganham mais autonomia para seguirem seus caminhos.

Enquanto isso, dentro do próprio Google, mudanças também vinham acontecendo. Segundo as fontes, Page teria deixado muito de seu ímpeto empreendedor de lado para trabalhar na gestão de pessoas, fazendo com que os executivos fossem mais independentes na mesma medida em que dialogavam mais entre si. Ele se afastou das revelações de resultados financeiros e começou a dar mais entrevistas sobre futuro, além de, aos poucos, entregar suas atribuições para Pichai, já preparando o movimento que só veio agora.

Agora, claro, já começam a surgir os rumores de quais empresas virão para preencher todas as letras da Alphabet. Entre os boatos já existentes, estão a possível aquisição do Twitter – de forma a garantir de vez a entrada do Google no mundo das redes sociais – e da Impossible Foods, uma empresa que fabrica hambúrgueres veganos e vem ganhando espaço no mercado norte-americano. Isso sem falar nos outros projetos em andamento, como o Glass, satélites, balões ou outros dispositivos para levar internet a áreas remotas e entregas por drones, apenas para citar alguns exemplos.

A ideia, por enquanto, aparentemente foi bem aceita pelo mercado. O anúncio da Alphabet levou as ações do Google a um aumento de 4% e especialistas parecem empolgados com o que vem pela frente. Tudo parece estar em ordem e a ideia é que a coisa se mantenha assim.

Fonte: Mashable