Afinal, por que a Verizon comprou o Yahoo?

Por Andressa Neves | 27 de Julho de 2016 às 09h34
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Nesta segunda-feira (25), a operadora norte-americana Verizon fechou negócio e comprou o Yahoo por US$ 4,8 bilhões. Mesmo diante de todas as expectativas, já era esperado que a aquisição da gigante da internet acabasse nas mãos da empresa de telecomunicações; mas, afinal de contas, quais são os reais interesses da Verizon com a transação? Para entender todo o movimento que acarretou a negociação, vale retomar o processo pelo qual o Yahoo vem passando ao longo de sua existência.

Trajetória

O Yahoo foi fundado em 1994 através da união de esforços de Jerry Yang e David Filo, na época estudantes da Universidade de Stanford, para catalogar sites interessantes. O sucesso veio rápido, e a companhia se tornou a primeira empresa baseada na publicidade online bem-sucedida. Apenas dois anos depois de sua criação, a avaliação de mercado do Yahoo já era de US$ 848 milhões.

Os problemas começaram depois de um grande crescimento seguido por uma série de oportunidades perdidas. Para se ter dimensão dos negócios dispensados pelo Yahoo, em 1997 a companhia teve a chance de comprar o projeto de ferramenta de buscas do Google por US$ 1 milhão. O que aconteceu? O Yahoo recusou, e atualmente o Google vale mais de US$ 500 bilhões.

Outro negócio dispensado pelo Yahoo foi nada menos que o Facebook. É isso mesmo! Em 2005, o negócio estava praticamente fechado para a compra da rede social pelo valor de US$ 1 bilhão, mas Terry Semel, então presidente-executivo do Yahoo, quis pressionar a negociação e ofereceu US$ 850 milhões - mesmo tendo sido autorizado pelo conselho de diretores a fazer uma oferta de US$ 1,2 bilhão. Resultado: as negociações cessaram.

Mas as maiores dificuldades tiveram início em 2007, depois que a empresa perdeu espaço justamente para o Google e o Facebook. De lá para cá, pelo menos cinco presidentes-executivos assumiram a liderança da companhia na tentativa de retomar o crescimento. A última aposta foi Marissa Mayer, que entrou no cargo em 2012. De acordo com o jornalista Nicholas Carlson, no livro Marissa Mayer and the Fight to Save Yahoo!, "todas as vezes havia uma infusão de euforia e esperança de que talvez desta vez a pessoa certa viria".

Marissa Mayer

Transação

Apesar de toda a queda nas receitas nos últimos tempos, foi somente neste ano que o processo de venda ganhou força. Após o recebimento de uma série de propostas, o Yahoo acabou concordando em fechar negócio com a Verizon, mesmo que o valor ofertado não tenha sido o maior entre as companhias concorrentes. Vale ressaltar que a Verizon adquiriu os negócios de e-mail, conteúdo, divisão de propaganda e o buscador do Yahoo, ficando fora da tramitação a participação da companhia no grupo chinês de comércio eletrônico Alibaba e no Yahoo Japan.

A ideia é que a compradora crie forças no mercado de publicidade online, numa tentativa de conseguir concorrer diretamente com gigantes como o Google e o Facebook. Para isso, a Verizon planeja fundir as operações do Yahoo e da AOL, anterior rival e outro portal pioneiro da internet.

O plano parece fazer sentido, pois, apesar da popularidade do Yahoo ter diminuído no Brasil, nos Estados Unidos os sites ainda são bastante vistos. Dessa forma, a operadora de telecomunicações poderá juntar páginas com grande número de acessos a uma infraestrutura tecnológica capaz de utilizar dados dos usuários para criar campanhas personalizadas.

Outro ponto que despertou interesse da operadora norte-americana na transação foi a audiência do Yahoo, que conta com mais de 1 bilhão de usuários por mês, sendo 60% de plataformas mobile. Levando em conta que a AOL tem cerca de 500 milhões de usuários, não é surpresa que o grupo, unindo forças, possa ter resultados ainda melhores.

Pensando nisso, a aposta da Verizon é investir no setor mobile para integrar sua divisão de conteúdo e publicidade digital. Assim, a transação compõe uma estratégia da operadora de atingir 2 bilhões de usuários e US$ 200 bilhões de faturamento até 2020.

Com foco em publicidade digital, a expectativa é de que a compra dos ativos do Yahoo impulsione os negócios de internet da AOL, já que a união dá à Verizon um dos maiores portfólios em mídia, somando mais de 25 marcas. Dessa forma, as marcas de conteúdo do Yahoo serão somadas com veículos importantes, como o The Huffington Post, TechCrunch e AOL.com.

De acordo com Lowell McAdam, presidente executivo da Verizon, “a aquisição irá colocar a Verizon em uma posição altamente competitiva como uma empresa entre as líderes de mídia mobile e ajudará a acelerar nosso faturamento em publicidade digital”.

A previsão é de que a aquisição dobre o negócio de publicidade da Verizon, que ficará responsável por 4,5% do setor nos Estados Unidos. Claro que o número ainda não é suficiente para brigar com o Google, que tem 36% do mercado, ou com o Facebook, com 17%, mas a novidade permite que o mercado se torne, pelo menos, mais competitivo.

Ainda é cedo para saber os resultados da transação, mas Marissa Mayer, que pretende continuar na companhia, afirma que há poesia em todo este cenário. "O Yahoo e a AOL popularizaram a Internet, o e-mail, a pesquisa e o conteúdo em tempo real. [...] É poético estar juntando forças com a AOL e a Verizon quando entramos no nosso próximo capítulo concentrados no setor móvel."

Com informações de Folha de S. Paulo (1), (2); Exame; Publico

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