Afinal de contas, garotas também programam!

Afinal de contas, garotas também programam!

Por Colaborador externo | Editado por Renato Santino | 19 de Janeiro de 2022 às 18h00
Pixabay

Qual seria o melhor tema para este artigo? Algo técnico, talvez dicas, ou quem sabe algum passo a passo de como ser bem-sucedido na área de desenvolvimento? Bem, escolhi este tema, de como ser uma desenvolvedora na área de TI, pois sou o verdadeiro caso de uso que essa combinação dá certo.

Me sinto uma azeitona em uma pizza de muçarela, ou talvez um copo d’água no meio do deserto, mas só uma pessoa que já passou e passa por isso pode trazer à tona pontos para mudarmos esse cenário - e deixarmos uma trilha melhor para as próximas gerações de desenvolvedoras.

Não é nenhuma novidade que o mercado de TI é dominado por meninos. Hoje, nós mulheres somos menos de um terço de todo o setor de tecnologia, segundo a MasterTech. Isso te surpreende? Deveria!

Isso acontece porque existem muitas posturas enraizadas na sociedade que colocam os “garotos” como os lógicos e as “garotas” como as emocionais. Mas Márjori, o que isso tem a ver com mulheres na programação? Tudo! Mulheres são menos incentivadas a seguirem profissões como engenharia, programação e matemática, entre outras profissões que têm correlação com a lógica.

As meninas precisam ser estimuladas desde cedo a escolherem o que as fazem felizes, e cabe a nós, mais velhos, mostrarmos que essa combinação dá “match”.

Contra fatos não há argumentos, então conheça algumas mulheres que mudaram o mundo da tecnologia!

Você conhece “as garotas do Eniac”? Antes mesmo das linguagens de programação ou sistemas rebuscados de cálculos matemáticos existirem, os computadores dependiam, e muito, dos humanos. Esse grupo, formado por seis mulheres, foi o primeiro da história a trabalhar com supercomputadores, e foram responsáveis pela configuração do Eniac, primeiro computador digital eletrônico de grande escala.

Patsy Simmers, Gail Taylor, Milly Beck e Norma Stec, as "garotas do Eniac" (Imagem: U.S. Army/ARL Technical Library Archives)

A Grace Murray Hopper você conhece, não é? Ela foi a primeira mulher que se formou na Universidade de Yale, como PhD em matemática. Ela também era a 1ª Almirante da Marinha dos Estados Unidos. Mas no campo de TI ela se destacou sendo uma das principais criadoras da linguagem de programação chamada COBOL, utilizada até hoje em programação de banco de dados comerciais.

Com essas mulheres fica até difícil falar de si mesma, mas vou tentar. Atualmente, sou desenvolvedora front-end na Jüssi, e possuo 9 anos de experiência. O caminho não foi fácil. Sempre me questionaram se realmente queria seguir a carreira de TI, e na faculdade não foi diferente. De uma turma de 120 alunos, 20 eram mulheres, e apenas 7 se formaram. Hoje, em TI, as mulheres ainda são vistas como “as que deixam os sites bonitos” ou “as que preferem fazer apenas o layout”. Então, chegar em um lugar e mudar esse tipo de pensamento não é uma tarefa fácil, porém é possível. A questão é como nos prepararmos tecnicamente para poder ocupar esse lugar que é nosso por direito.

Com o tempo fui conhecendo projetos que incentivam a trazer mulheres para esse mundo, como a progra{m}aria, PHP Woman e {reprograma}, entre outros. Todos voltados para mulheres que querem ingressar no mercado de tecnologia ou estão migrando de área. São espaços voltados para que nós, mulheres, possamos nos sentir confortáveis e sem julgamentos, visando simplesmente o aprendizado.

Então, minha dica é: se você é mulher e quer vir para esse mercado, capacite-se. Informe-se de cursos e treinamentos focados no que você almeja e converse com mulheres “referências”. E para você que já está na área, ajude as novas mulheres a ingressarem. Oriente, converse, tenha paciência e, principalmente, indique mulheres para as vagas na sua empresa. Empatia é o melhor caminho para mudarmos esses números.

*Márjori Tamise é desenvolvedora-sênior de Front-end da Jüssi

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