Adolescente hoje, humanista digital amanhã

Por Hamilton Berteli | 15 de Fevereiro de 2016 às 23h20

Da mesma forma como a revolução industrial mudou fundamentalmente a sociedade durante os séculos XVIII e XIX, a conectividade onipresente e o acesso, em tempo real, a conjuntos de dados enormes, significam que os adolescentes de hoje poderão trabalhar em posições que não existem hoje.

De acordo com o Gartner, 25 bilhões de coisas conectadas estarão em uso até 2020, de forma que a maioria das economias baseadas em conhecimento estão se concentrando fortemente no incentivo e no desenvolvimento de habilidades de TI. No entanto, a irresistível força da digitalização também leva a uma demanda inédita por capacidades de arte e design, essenciais para a inovação e uma experiência envolvente para o usuário. Assim, há um ímpeto crescente para promover modelos de educação de STEAM (ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática, em tradução livre) para aumentar a prontidão digital. Paralelamente, a expansão das tecnologias digitais e da Internet das Coisas está permitindo que as empresas coletem, armazenem e analisem volumes inéditos de dados sobre seus clientes e funcionários.

Ter acesso a essa gama de informações exige que as organizações considerem com mais cuidado não apenas o que pode ser feito para obter benefícios comerciais, mas o que deve ser feito sob uma perspectiva ética. Enquanto isso, as pessoas que estão entrando na força de trabalho hoje, tendem a buscar um sentido mais significativo em sua rotina, que tenha um impacto maior sobre a sociedade. Como resultado desses fatores, um novo e crítico papel está surgindo na economia digital – o humanista digital.

O humanista digital

As decisões sobre a adoção de novas capacidades tecnológicas continuam amplamente lideradas por engenheiros lógicos que têm como principal prioridade identificar as possibilidades de inovação para facilitadores como data analytics, realidade virtual e softwares inteligentes. Para esses engenheiros, ampliar os limites da funcionalidade e da automação é o principal objetivo. Esse objetivo supera a criação tradicional de uma bela experiência de usuário, causando frequentes problemas de adoção para empresas e frustrações para indivíduos que tentam aprender a usar sistemas novos e complexos. Porém, em nossa sociedade com densidade cada vez maior de dados, onde as empresas têm acesso sem precedentes às informações pessoais de clientes e funcionários, o ‘fator humano’ não pode mais ser diminuído na tomada de decisões de tecnologia.

Além disso, a força de trabalho da próxima geração, composta de humanos, dispositivos, algoritmos, softwares inteligentes e dados apresenta novas complexidades éticas para as empresas. O papel de um humanista digital é defender as expectativas de clientes e funcionários em projetos de inovação digital. Essa defesa incluirá a experiência de usuário e o design, mas também os aspectos éticos das novas inovações de tecnologia.

Como a ética digital não é exigida por lei, ela depende amplamente de como cada organização individual estabelece seus parâmetros de inovação e define como serão usados os dados de seus clientes e funcionários. Humanistas digitais serão influentes no estabelecimento e manutenção de um arcabouço ético relevante para empresas, mas também na personalização e humanização dos impactos de novas tecnologias.

Humanistas digitais considerarão cenários como o quanto um cliente ficaria confortável se funcionários de uma loja ou caixas de banco recomendassem produtos e serviços no mundo real com base em comportamentos que foram rastreados online por cookies. Ou, por outro lado, se o cliente ficaria confortável ao receber um prognóstico de saúde negativo digitalmente, ao invés de por meio de um médico ou enfermeiro. Além das considerações de gerenciamento de dados e uso, o humanista digital influenciará a inovação da empresa com uma abordagem de raciocínio a partir do ‘lado direito do cérebro’, neutralizando o raciocínio dominante ‘do lado esquerdo’ dos engenheiros lógicos. Ao invés de perguntar ‘podemos fazer isso?’, eles perguntarão ‘devemos fazer isso?’.

O equilíbrio de influência entre engenheiros e humanistas digitais atualmente pende mais para o lado do primeiro, mas isso mudará rapidamente conforme as empresas reconhecerem as implicações da digitalização. Um arcabouço de ética digital e o papel do humanista digital serão essenciais para a capacidade de as empresas equilibrarem enormes riscos em potencial à confiança e reputação contra as potenciais recompensas comerciais de ter acesso e receber insights de volumes inéditos de dados de clientes e funcionários.

Há também uma mudança geracional. As pessoas que estão entrando na força de trabalho hoje não buscam apenas um trabalho. Elas buscam um significado mais fundamental de seu trabalho, e buscam causar um impacto positivo na sociedade. Neste contexto, os engenheiros lógicos continuarão sendo fundamentais para a inovação digital, mas o papel do humanista digital será cada vez mais influente. De fato, para obter sucesso na economia digital, uma empresa precisará que seus engenheiros e seus humanistas digitais trabalhem em harmonia.

Características de um Humanista Digital (sugestão de detalhamento)

1. Conselheiro de Confiança

Um humanista digital precisará ser capaz de sintetizar ideias diferentes em estratégias construtivas, e influenciar os envolvidos em todos os níveis da organização.

2. Compaixão

Um humanista digital será capaz de conceituar a arte do possível com o digital, mas demonstrar empatia com os desejos e as necessidades humanas.

3. Pensamento Inovador

Um humanista digital deverá ser capaz de reconhecer potenciais ameaças e oportunidades que resultem de inovações digitais.

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