A revolução que a impressão 3D poderá causar na indústria farmacêutica

Por Redação | 30 de Março de 2016 às 18h06

As impressoras 3D ainda não fazem parte da vida cotidiana da maioria da população, mas tudo indica que a tecnologia não somente veio para ficar, como transformará dramaticamente diversos segmentos da indústria e até mesmo do comércio em um futuro próximo. E a indústria farmacêutica, bem como o setor de biotecnologia, serão profundamente impactados – para melhor.

Por exemplo, já é possível imprimir próteses para pessoas que perderam partes de seus corpos em acidentes, ou ainda criar implantes dentários com a tecnologia 3D. Mas também já é tecnicamente possível imprimir medicamentos e até mesmo órgãos e tecidos humanos. Imagine poder imprimir um determinado órgão a fim de testar novos medicamentos, sem a necessidade de cobaias vivas? Seria mais seguro, rápido e possivelmente mais barato do que a forma com que os testes de novos medicamentos são feitos até os dias atuais.

O setor de saúde ainda representa pouco do uso da impressão 3D mundial. Especialistas calculam que o segmento só se beneficiou de 1,6% dos investimentos realizados na indústria da impressão 3D, que já acumula cerca de 700 milhões de dólares. Contudo, esse número está previsto para crescer mais de 20% nos próximos dez anos, fazendo com que a tecnologia seja a responsável por uma transformação na indústria de saúde.

Personalizando medicamentos

Se depender da visão da pesquisadora médica C. Lee Ventola, com o recurso da impressão em três dimensões será possível administrar doses personalizadas de substâncias medicamentosas de acordo com cada caso. Explicando melhor: pacientes cujo organismo aceite o tratamento com uma determinada combinação de substâncias, mas que responda melhor com dosagens diferentes das tradicionais, serão beneficiados com a possibilidade de personalizar essas misturas químicas.

E mais: podendo personalizar medicamentos, seria possível (em alguns casos) unificar em uma só pílula todas as substâncias que o paciente necessite para aquele tratamento – em vez dele tomar vários comprimidos diferentes de uma só vez.

Spritam

Spritam, o medicamento criado com impressora 3D aprovado pelo FDA nos Estados Unidos em agosto de 2015 (Reprodução: Divulgação)

Imprimindo tecidos

Imprimir tecidos humanos já é tecnicamente possível, e alguns especialistas da área médica acreditam que será possível criar um coração inteiro e funcional impresso com tecnologia 3D em menos de vinte anos. Contudo, trata-se de uma tarefa ainda mais complicada do que parece. De acordo com Tony Atala, diretor do Instituto de Medicina Regenerativa Wake Forest, cada órgão do corpo humano apresenta um nível diferente de complexidade – ou seja, alguns seriam significantemente mais fáceis de serem impressos do que outros. Certamente imprimir um pedaço de pele humana ou uma orelha seria muito menos complexo do que desenvolver um fígado ou um rim.

orelha e osso impressão 3D

Exemplo de tecido ósseo e uma orelha impressos com a tecnologia 3D pelo Instituto Wake Forest (Reprodução: Divulgação)

No entanto, a startup BioBots aposta nessa empreitada. A empresa está trabalhando para desenvolver impressoras 3D mais compactas e mais baratas especializadas na impressão de tecidos vivos. Dany Cabrera, co-fundador da companhia, explicou que seus aparelhos serão capazes de imprimir tecidos utilizando células humanas.

Obstáculos

Tecnicamente falando, tudo isso é possível – ou será, em curto e médio prazo. No entanto, alguns obstáculos podem fazer com que essa realidade demore um pouco para acontecer. Um grande impedimento é a questão financeira, já que investir em novas tecnologias demanda grandes quantidades de capital (além de uma grande quantidade de tempo envolvido desde o desenvolvimento dos projetos, até a sua implementação na prática).

Questões de segurança também são relevantes. Por se tratar de uma tecnologia nova, quem está no estágio inicial de exploração, ainda não há exatamente algum tipo de regulamentação vigente. Quer dizer, a impressão 3D de tecidos vivos e medicamentos estaria em uma “área cinza” da lei, e investidas oportunistas poderiam se beneficiar dessa brecha para oferecer produtos de confiabilidade duvidável à população.

Mas uma coisa é fato: assim que esses impedimentos forem resolvidos, a impressão 3D certamente revolucionará a indústria farmacêutica, o setor médico e a forma com que lidamos com questões de saúde.

Fonte: TheNextWeb

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