A recessão econômica, a tecnologia e a luz no fim do túnel

Por Colaborador externo | 16 de Setembro de 2015 às 10h22

Por Eduardo Carvalho*

O tema crise econômica no Brasil já foi levado à exaustão. São notícias, boatos e conversas na hora do café. Todo esse clima gera ainda mais insegurança e, na verdade, pode até mesmo piorar a situação. O brasileiro é, no geral, muito pessimista neste sentido. Apenas um terço de nós espera prosperidade em 2015. Ao menos, é o que indica o Barômetro Global de Otimismo, pesquisa realizada pelo Ibope com dados compilados de 65 países. Mas vamos falar sobre como atravessar esse período de instabilidade e não somente sobre a crise. Afinal, fontes não faltam e o que precisamos agora são soluções.

Não existe uma fórmula mágica para estes períodos. O que não pode acontecer é o que, infelizmente, já acontece: empresas congelam seus investimentos e interrompem todos os processos. Por mais que o presente se mostre instável e o futuro pareça incerto paralisar todas as ações é arriscado, principalmente quando pensamos a longo prazo. A crise em algum momento vai passar e descontinuar todas as ações só alimenta o nervosismo do mercado já que todas as companhias ficam, no final das contas, estagnadas. Além de cortar os custos do que não é qualificado como essencial para sua empresa, é preciso também diminuir a margem de lucro. Sim, isso mesmo. Ao invés de lucrar a porcentagem de sempre, determine um lucro n-1 e reinvista esse dinheiro na companhia. A aposta certamente terá retorno equivalente ou superior aos aportes iniciais.

Quando o assunto é investir, muitos pensam em ações de vendas – eventos, promoções e campanhas. Não é isso o que quis dizer. Lembra quando falamos sobre as empresas estagnadas? Então, assim como você, elas também estão evitando os gastos. Investir em tempos de crise quer dizer apostar em processos para organizar a empresa, em iniciativas para torna-la mais produtiva e, consequentemente, mais rentável a longo prazo. Mas como?

A tecnologia pode ser um bom primeiro passo. A maioria das organizações têm a visão arcaica de que apostar neste setor é um gasto e não um investimento. Grande engano. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, inclusive, aponta que cada 1% a mais na proporção dos aportes em tecnologia aumentam em 7% o lucro das companhias em dois anos. Pode ser uma visão demasiada positiva, mas o fato é que o retorno, seja de quanto for, é perceptível já no curto prazo. A tecnologia substitui processos manuais e acelera operações. Terceirizar as áreas de TI pode ser este começo pois também permite aos colaboradores da companhia focar em seu core business e não em outras questões secundárias.

Existem outros tantos benefícios. Estamos, por exemplo, na era do Big Data. Todos falam sobre o conceito, mas poucos o colocam em prática. Diariamente milhares e milhares de informações são geradas e nem todos sabem a melhor maneira de extrair benefícios reais desses dados. Com a terceirização é possível aproveitar o Big Data por um valor menor do que a experimentação dentro de casa. Você pode descobrir qual é o seu público e quando ele está maduro o suficiente para fechar uma compra. As possibilidades são infinitas para que você se beneficie deste modelo e torne sua companhia mais competitiva no mercado.

Enfim, apesar da falsa sensação de retração do mercado, o Gartner aponta que as atividades de TI estão mais fortes do que nos períodos anteriores. Em abril, a consultoria anunciou a previsão de aportes de US$ 3,5 trilhões até o final de 2015. O dado só reforça o que já comentamos, a tecnologia pode ser uma luz no fim do túnel em tempos de crise. Tente não focar nos valores imediatos ou nos investimentos iniciais para enxergar além. A crise é uma oportunidade para otimizar os processos dentro da sua empresa. Olhar para dentro é sempre o marco zero para a evolução.

*Eduardo Carvalho é presidente da Equinix no Brasil.

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