A Inteligência Artificial no dia a dia: isso não é apenas sobre robôs

Por Colaborador externo | 05 de Outubro de 2015 às 11h21
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Por Matthew Gharegozlou*

Vivemos numa época em que, segundo o Gartner, o avanço da inteligência artificial caminha para a consolidação dos assistentes digitais em suas diversas formas. Tais assistentes - como é o caso da Cortana da Microsoft, o Siri da Apple e o Google Now - têm a capacidade de reconhecer as instruções de voz e conectar diferentes termos de pesquisa com sofisticados conjuntos de dados para oferecer aos usuários informações relevantes. Tudo indica que a evolução destes assistentes digitais está fadada a prosseguir. E também que os dispositivos "autônomos" ou de inteligência artificial (AI) embutida nos apps, irão levar a Internet das Coisas (IoT) a u m novo patamar.

"Eu, Robô" Ainda não

Mas não. Nós não estamos ainda totalmente preparados para o mundo do "Eu, Robô" ou do "Blade Runner" e não teremos, em um futuro breve, os prosaicos mordomos robóticos. Em vez disso, a inteligência artificial (AI) vai assumir formas cada vez mais "conscientes" e sofisticadas de software, com capacidade de decisões cada vez mais complexas em dispositivos inteligentes de IoT.

É fato que, numa visão mais rigorosa, o papel que a AI vai ocupar no campo de software para smartphones ainda está em fase de amplas discussões, mas já sabemos, com boa dose de certeza, que os assistentes movidos a voz serão capazes de decidir por si próprios quando são ou não são solicitados a servir, num contexto de relativa consciência informacional.

Outro consenso que vai se formando é que esta promessa futura da AI tende a trazer muitas oportunidades de negócios, tal como prevê o Gartner, que o poder dos assistentes digitais de AI tendem a melhorar muito a experiência dos consumidores e, mais especificamente, a experiência na hora das compras.

Para se habilitar a estas novas oportunidades, as empresas precisam, desde já, blindar seus colaboradores e clientes com meios capazes de explorar as vantagens de produtividade e eficiência de acesso a serviços e informações que estes assistentes proporcionam.

Por que o Cortana vai se tornar algo mais do que apenas um "amigo digital"

A Internet das Coisas hoje é baseada na captura e conectividade de dados, utilizando regras pré-determinadas para a correlação dos dados. Simplificando, a Internet das Coisas traduz-se em um gerenciamento de dados que usa os motores de decisão sofisticados, sendo o App o que se poderia chamar de "encanamento inteligente" para estes dados.

O próximo passo, previsto para acontecer e começar a se popularizar já neste ano, é a capacidade de tais assistentes digitais realizarem tarefas corriqueiras, sejam fixas ou com variações táticas, tais como reposição de itens de supermercado; o preenchimento de nomes, endereços e dados de cartão de crédito de forma rápida e automática, segundo o Gartner.

Mas a AI tem, na verdade, um potencial para fazer muito mais, como o de agir de forma proativa e autônoma para tomar decisões ou sugestões de forma antecipada a partir da avaliação do cenário. Por exemplo, a AI poderá alertar o usuário para os bloqueios de estradas que significariam perder um voo; ou para lembrá-lo de levar o seu guarda-chuva por conta da previsão do tempo.

Embora isso já possa acontecer em certa medida hoje, esta autonomia de decisão se dará em uma escala bem maior e envolvendo um ecossistema de conjuntos de dados complexos que podem resultar em ação dinamicamente com base na preferência do usuário.

A oportunidade de negócio para AI

O Gartner também prevê que até o final de 2016, as decisões de compra mais complexas, tais como a do equipamento de volta às aulas, sendo feitas de forma autônoma por assistentes digitais, chegarão a uma movimentação de mercado de US $ 2 bilhões de dólares anuais. Se isto de fato acontecer, será o equivalente a uma ação envolvendo 2,5% dos usuários móveis do planeta, cada um deles confiando nos assistentes um pedido de US $ 50 por ano.

Fica patente, nesse exemplo, a enorme oportunidade das empresas de app fazerem parcerias com a cadeia de abastecimento para colaborar e entregar ofertas ultrapersonalizadas em tempo real, a partir das quais o assistente digital pode conscientemente escolher as opções disponíveis e apresentar uma oferta ao usuário. Com a vantagem de que estas empresas poderão optar por construir seus próprios assistentes digitais, de ponta a ponta, para desenvolver plataforma de ofertas, ou recolher e integrar dados e funcionalidades de outras ferramentas de AI já existentes.

O fato é que, mesmo não tendo nenhuma garantia prévia de que uma oferta A ou B venha a ser de fato selecionada por um determinado motor de pesquisa avançada e de decisão, estas ofertas precisarão estar planejadas e tecnicamente acessíveis para a fácil aquisição por parte dos aplicativos de compra.

Por sua vez, os assistentes digitais precisarão estar aptos a entregar aos funcionários do estabelecimento as informações corretas de negócios a partir das sugestões do software em termos de calendário de eventos, lembretes ou alertas baseados na interação com os dispositivos inteligentes do cliente.

Essas fantásticas funcionalidades dos assistentes irão aumentar bastante a produtividade nas transações com o consumidor e, da mesma forma, com os colaboradores. Teremos, em breve, a construção de casos de sucesso muito concretos que poderão resultar na introdução de novos caminhos para o marketing com base na captação e operacionalização de fluxos de dados para a geração de receitas.

O caminho a seguir pelos desenvolvedores

Por enquanto, os desenvolvedores devem se preparar para a eventualidade de a AI ter de se confrontar com conjuntos de dados complexos em escala descomunal, o que trará problemas a resolver sobre como tais massas de dados poderão ser usadas para a interação e integração através de ferramentas muito sofisticadas. De modo que esta questão do gerenciamento da integração e gerenciamento dos dados disponíveis na rede tem de ser resolvida rapidamente.

Uma recente pesquisa global junto aos desenvolvedores, encomendada pela Progress e conduzida pela Harbor Research, descobriu que 30% desses já experimentaram o peso das grandes massas de dados e se sentiram sobrecarregados ao tentar gerenciar tudo isso para a contextualização de aplicações de Internet das Coisas.

O modo de enfrentar os grandes conjuntos de dados também vai depender de como os vários blocos de dados precisarão se relacionar entre si, o que aumenta ainda mais os níveis de dificuldade. É bem possível que os desenvolvedores tenham que apelar para especialistas visando resolver o problema do processamento e integração desses dados complexos.

Felizmente, as novas visões da tecnologia de dados, como a Hadoop e NoSQL, fornecem plataformas para permitir soluções escaláveis, flexíveis, de custo efetivo, rápidas e resilientes. Muitas empresas irão precisar de uma combinação híbrida, de dados estruturados e não estruturados, e essas plataformas oferecem o espaço para hospedar e lidar com diferentes blocos de dados.

Construindo o futuro da AI

As empresas e os desenvolvedores que trabalham com elas, precisam se preparar para o novo cenário da AI. A oportunidade de melhor envolver os consumidores e empregados na produtividade e na compra trará benefícios abundantes para os negócios. A pedra angular para assegurar que as empresas estejam tão preparadas quanto possível para a tendência AI está em sua capacidade de definir uma estratégia de gestão de dados e usar as ferramentas certas para fazê-la.

A corrida que está começando é a de se descobrir como usar dados complexos para motores de decisões sofisticadas e autônomas; e esta corrida tende a se acelerar rapidamente. A competitividade e capacidade de inovação, portanto, irão depender desses fatores.

*Matthew Gharegozlou, VP da Progress para América Latina e Caribe.

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