A evolução híbrida da TI

Por Colaborador externo | 28 de Junho de 2017 às 22h05

Por Lee Calcote*

"Este é um ótimo momento para trabalhar em tecnologia da informação." Apesar de essa frase ser verdadeira, nem todos sabem dizer por quê (ou, talvez, não tenham a capacidade para isso). Com as previsões de uma migração em massa para a nuvem até 2020 e de 92% das cargas de trabalho do mundo inteiro na nuvem (68% na nuvem pública e 32% na nuvem privada), muitos profissionais de TI sentem que estão não só sendo desvalorizados, mas também perdendo sua identidade. Esse sentimento não é motivo para preocupação. As empresas estão mudando a forma de operar e se transformando para aproveitar a tecnologia da informação de maneira mais estratégica. Os profissionais têm a oportunidade real de direcionar essa transformação, e não deixar que ela os direcione.

A TI já liderou transformações digitais antes e pode fazê-lo novamente. Há quase dez anos, o setor de vigilância em vídeo sofreu várias transformações digitais: das redes de cabo coaxial à Ethernet baseada em IP, dos vídeos analógicos em cassete para os vídeos codificados digitalmente em disco e das redes separadas fisicamente aos datacenters executados pela TI. Nesse caso, a TI foi a líder digital que trouxe grandes melhorias para o funcionamento da segurança física. No fim das contas, a segurança física permaneceu e, juntamente com os parceiros de TI, ela foi capaz de oferecer mais eficiência do que antes.

A TI tem a oportunidade de impulsionar a transformação digital novamente, especialmente quando muitas empresas estão mudando seu modo de operação. Pensando nas inovações ou no surgimento de obstáculos, muitos grupos estão se transformando em empresas de software. Sim, os softwares estão dominando o mundo. Sempre que chego na sede da SolarWinds para trabalhar, lembro de um exemplo literal: a AMD, empresa líder em design de chips, reduziu suas operações para compartilhar o espaço com a SolarWinds, uma empresa de software global.

À medida que as empresas mudam, os CIOs podem ajudar a TI a sair de um centro de custo para uma fonte de valor diferenciado, permitindo que a empresa se destaque da concorrência no setor. OS CIOs estarão em uma posição bem mais estratégica, visível e colaborativa na empresa. Um recente estudo da Harvard Business Review mostra que, apesar de quase metade dos líderes comerciais entrevistados demonstrarem interesse em aprender sobre tendências digitais com o CIO, quase dois quintos disseram que os CIOs não buscam instruir nem capacitar líderes de linhas de negócios quando se trata de digitalização. Mais de um terço das organizações entrevistadas disse que a TI não oferece conhecimentos úteis sobre tecnologia, nem entende quais conhecimentos digitais são importantes para funções específicas de negócios. As expectativas dos CIOs estão mudando, e cabe à TI estar preparada para o desafio.

É necessário que a TI tome uma postura menos rígida e adote os clientes internos como fonte de sobrevivência, sem deixar de lado aqueles que recorrem à TI das sombras — em outras palavras, seja um acelerador, não um inibidor. A conveniência motiva o comportamento de compra do cliente de varejo mais do que o preço. Considerando que as mesmas pessoas levam os comportamentos dos clientes (conveniência = agilidade) para o ambiente de trabalho, não é de se estranhar que a TI das sombras prevaleça e esteja sempre à espreita. A TI precisa desenvolver estratégias holísticas de acordo com a missão da empresa. Em organizações de TI reconhecidas como líderes digitais, a mentalidade híbrida não surge do nada. Os líderes digitais têm três vezes mais chances de ter uma estratégia abrangente e ampla para a nuvem híbrida.

As estratégias de TI híbrida podem incluir funções comuns de terceirização. A TI pode ser provedora e agente de confiança ao oferecer linhas de negócios com suporte a aplicativos e design de nuvem, que não necessariamente incluem equipamentos. Um foco mais importante para capacitar a missão da empresa (seja na aquisição ou no aprovisionamento) é como ela aproveitará a TI para renovar o fluxo de entrada e saída e inovar. Em alguns casos, essa estratégia pode envolver divisões de relatórios de TI para diferentes linhas de negócio (como marketing e finanças). As estratégias de organizações de TI híbridas para adotar nuvens públicas e privadas estão saindo do pensamento centrado em infraestrutura para uma mentalidade voltada para aplicativos, reconhecendo que a automação de TI é uma aliada, não inimiga.

Implementar uma estratégia também implica desafios. Menos de um terço das organizações de TI brasileiras entrevistadas em um estudo recente da SolarWinds acredita ter os recursos necessários para gerenciar ambientes de TI híbridos. Felizmente, qualquer empresa pode ser bem-sucedida em liderança e gerenciamento digital, independentemente do tamanho ou orçamento. As estratégias podem considerar a remoção substancial de tecnologias antigas, contanto que o aplicativo e o caso comercial permitam. Geralmente, não é a tecnologia que impede a implementação da estratégia, e sim as pessoas e o processo. Os CIOs podem reduzir os fatores que impedem a evolução para uma organização de TI híbrida ao ajudar a equipe a deixar o medo, a insegurança e a política de lado. É necessário que os CIOs ajudem os funcionários a entender as mudanças no modo de trabalho, migrar para novas funções e ser defensores da mudança na organização enquanto continuam garantindo a segurança e a continuidade.

A transformação digital do presente é uma evolução híbrida da TI. A enorme influência que a tecnologia exerce sobre as operações das empresas continua acelerando e afetando todo o setor. As organizações estão aprendendo a se tornarem empresas de software. As empresas já estabelecidas estão virando de cabeça para baixo e de dentro para fora, enquanto novos nomes possuem uma visão de mundo centrada em software. A dinâmica de mercado atual está transformando a relação entre as empresas e suas organizações de TI; a TI deve ser capaz de evoluir, pois os líderes precisam dela mais do que nunca. Temos um futuro animador pela frente, e este é um ótimo momento para trabalhar em tecnologia da informação!

*Lee Calcote é diretor sênior de estratégia de tecnologia da SolarWinds.

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